terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Um abraço para o Cláudio Ramos

Vi a entrevista do Cláudio Ramos e fiquei impressionado com a vida do rapaz que não foi fácil até chegar onde chegou. Não há dúvida de que a idade lhe fez bem e que já não é irritante como era. Também aposto que assumir a homossexualidade o deve ter aliviado bastante. Não me parece que algo que era um dado assumido por toda a gente, sobretudo no situação de considerável abertura face à homossexuaidade que se vive actualmente, o venha a prejudicar profissionalmente. Se há uns anos escrevi sobre quão insuportável o Cláudio era, possivelmente uma estratégia para se afirmar, desta vez escrevo para lhe desejar boa sorte, também merece.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cocktail Engenho


Inventei um novo cocktail. Chama-se Engenho porque a necessidade é mãe do engenho e fiz com o que havia cá em casa.


Ingredientes
- Sumo de meia lima
- Vidrado de lima
- 3 cubos de gelo
- 1,5 medidas de jeropiga 
- 1,5 medidas de vinho do Porto
- A
gua tónica a gosto

Método

- Esfregar o bordo do copo com vidrado de lima

- Juntar num shaker a lima, a jeropiga e o Porto

- Agitar à bruta e coar para um copo

- Juntar o vidrado e água tónica a gosto


Bem bom!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O João Quadros é uma besta

Ontem aconteceu uma coisa engraçada no Twitter. Há uns tempos encontrei a conta do João Quadros no Twitter e decidi seguí-lo. Sou fã do Tubo de Ensaio e achei que a conta do Twitter podia ter potencial. Havia algumas coisas com piada, outras neutras e outras completamente boçais e gratuitas. Por exemplo, o pessoal da Assembleia da República é todo varrido a vaca e cabrão. Já tinha tido algumas interacções com ele, mas tudo muito curto. Ontem mandei uma piada completamente inofensiva e o gajo começa a espingardar. A cada resposta ia subindo o tom e às tantas estava a oferecer-me porrada e a fazer comentários sobre a minha mãe. Ou seja, é um gajo completamente hipócrita que por um lado defende que não existem limites para o humor, coisa em que concordamos, mas que por outro lado quando lhe dizem alguma coisa de que não gosta quer logo partir para a porrada.

Também me parece que existe alguma confusão nesta conversa dos limites do humor. O gajo comporta-se como se o facto de escrever textos humorísticos lhe permitisse tudo. Ou seja, como se a liberdade humorística se estendesse a tudo o que ele faz, mesmo que não tenha qualquer relação com o humor. O João Quadros dá um pontapé na bengala de uma velhinha e esta estatela-se no chão, mas o João Quadros é humorista e o humor não tem limites, logo não existem limites para o João Quadros. Assim como que por hosmose.

Mas o gajo disse uma coisa engraçada. Disse que me dava um soco, esta parte sub-entendida, que eu morria de fome antes de chegar ao chão. Mais ou menos como os que o Obélix dava aos romanos. Só que mesmo quando o Obélix batia nos romanos eles aterravam no quadradinho seguinte. Mesmo com Krav Magas e wall-balls custa-me a crer que João "cara-de-agarrado" Quadros consiga fazer melhor que o Obélix. Com aquela cara tem de ter sido agarrado, certo?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Palhaçada

Nota prévia: considero perfeitamente legítima a criação de um governo formado por um partido minoritário, desde que tenha o necessário apoio na Assembleia da República que garanta a legislatura. Como já escrevi, as interpretações das intenções do "eleitorado" são abusivas e, na minha opinião, qualquer resultado que não seja uma maioria absoluta pode ser interpretado de múltiplas maneiras, tipicamente de acordo com as preferências partidárias. As regras da nossa democracia permitem-no e não é uma solução inédita na União Europeia. Para além disso tinha alguma curiosidade em saber como seria um governo com partidos verdadeiramente de esquerda, embora também seja verdade que não é isso que está neste momento em cima da mesa. Dito isto...

Em primeiro lugar há que reconhecer que me enganei redondamente. Ao contrário do que eu tinha escrito, Costa não estava a utilizar a oferta do BE e da CDU para forçar a PaF a negociar. É evidente que Costa nunca teve qualquer intenção de negociar com Passos Coelho. Em vez disso preferiu colocar-se na situação em que podia ter colocado a PaF ao não ser capaz de garantir um acordo de legislatura com as três forças à sua esquerda. Confesso que não li os acordos, o meu interesse por esta matéria é limitado. Mas parece ser opinião generalizada que os três acordos assinados garantem pouco mais que um ano de legislatura, A partir daí vai ser como BE e PCP quiserem. Se quiserem mandar o Governo abaixo é quase garantido que o conseguem e os acordos não o proíbem. O PS vai andar a toque de caixa, dançando ao ritmo dos seus dois viabilizantes, sendo que cada um vai tocar a sua música o que levará Costa a uma coreografia esquizofrénica para manter o Governo de pé ao longo da legislatura. É verdade que a dança moderna permite movimentos no chão e até bastante acrobáticos. Porventura Costa brindará o Povo Português com alguns movimentos coreográficos mais ousados. Para mim tenho por certo que o futuro Governo PS respaldado por BE, PCP e Verdes, não durará mais do que ano e meio. E daqui a ano e meio teremos maioria absoluta do PSD com CDS, esperemos que com uma sigla conjunta menos idiota do que PaF, porque esta jogada de Costa, sendo legítima do ponto de vista das regras da nossa democracia, é, sem margem para dúvida, uma irresponsabilidade que levanta sérias dúvidas sobre as intenções do Secretário Geral do PS que parece estar mais preocupado em salvar o seu traseiro político do que com a estabilidade governativa  e como futuro do país.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Burguer de Caranguejo do Prego da Peixaria

A semana passada fui ao Prego da Peixaria do Príncipe Real à hora do almoço com a minha mulher e experimentei um prato espectacular que deve ser bastante recente no menu desta casa: o Burguer de Caranguejo. Fiquei extasiado! É uma cena do outro mundo. É demasiado bom para descrever, mas vou fazer um esforço. Vem em pão de hambúrguer com camarinha, que conforme explica a New in Town, é "um camarão pequeno que é desidratado e colocado por cima do pão antes de ir ao forno", vem com um molho não sei de quê e com um tipo de caranguejo que eu desconhecia que existia: caranguejo de casca mole. A verdade é que é excepcionalmente bom. O nosso erro foi ter comido a meias e ter começado pelo Burguer de Caranguejo em vez de começar pelo de Bacalhau. Nada de confusões, o Burguer de Bacalhau é uma oferta divinal mas tem um sabor consideravelmente menos efusivo que o do de Caranguejo. Digamos que o Burguer de Bacalhau é sublime mas subtil. Já o de Caranguejo é sublime, o oposto de subtil e estimulante. Não se consegue parar de mastigar. Se quiser ter uma refeição variada e em crescendo, assim à laia de preliminares seguidos de violento orgasmo, aconselho a começar pela metade do Burguer de Bacalhau e continuar com a metade do Burguer de Caranguejo. Divinal!

Nota: ao que parece este hambúrguer do mar só existe na loja do Príncipe Real.

domingo, 18 de outubro de 2015

O Eleitorado - Uma visão imbecil do sistema democrático

Às 3:03 da manhã do dia 4 de Outubro, todos os portugueses maiores de idade falam em uníssono, como que controlados por uma força superior que os usasse para projectar os seus pensamentosSão o mítico e muito debatido Eleitorado. Apesar de constituído por milhões de indivíduos, o eleitorado comporta-se como uma amálgama controlada por telepatia como se de marionetas se tratassem. Existe um propósito superior no voto do eleitorado que deve ser interpretado de forma correcta para que o Governo tenha a forma pretendida por… pela referida força superiorChamemos-lhe a Mística Força Eleitoral (MFE)Tal como controla o eleitorado, a MFE controla também os não eleitores. Enquanto decorre o processo de alinhamento do eleitorado, os não eleitores encontram-se completamente alheios ao que se passa, estando também eles sujeitos a um estado de transe que os impede de se aperceberem do que se passa. Enquanto os eleitores falam, os não-eleitores não falam nem escutam. Eleitores e não eleitores ficam todos como que repentinamente congelados. Quem se encontrava deitado, deitado ficou. Quem se encontrava em movimento, ficou repentinamente estático, apoiado ou em pleno ar, porque quando o eleitorado se alinha, até as Leis da Física são suspensas. Heis o que diz o Eleitorado num coro de tal maneira sincronizado que se as Leis da Física não tivessem sido suspensas seria possível caminhar pelas ruas de Portugal ouvindo o discurso de forma contínua sem que o volume do som variasse sequer.


“Somos o Eleitorado. Como acontece antes de todas as eleições estamos reunidos para acordar o resultado das eleições. Nas Legislativas de 2015 vamos dar uma maioria relativa à coligação PSD/CDS mas daremos uma maioria absoluta aos partidos de esquerda.”


Seria de esperar que, com poderes absolutos ainda que temporários, (a MFE apenas se manifesta às 3:03 dos dias de eleições), a MFE tomasse posições eleitorais completa e absolutamente isentas de ambiguidade. Afinal, na sua temporária omnisciência, a MFE conhece todos os mecanismos que levam ao desenho da composição do Governo da República Portuguesa. Mas os desígnios da MFE são insondáveis. Apenas os analistas políticos têm uma remota possibilidade de entrever o objectivo final da MFE.


Ora vamos lá a ver! O “Eleitorado” não quer coisa nenhuma porque o Eleitorado enquanto organismo singular com uma vontade única não existe. O Manel há-de querer um Governo PaF e que o PS amoche, o Jaquim há-de querer que o PS governe com a bênção e pouca conversa do BE e da CDU, a Ariana gostava imenso que o PaN governasse apenas com o apoio de todos os animaizinhos e plantinhas de Portugal e outros existirão que, tendo votado em branco, num partido ou apenas desenhado um Zé Bastos no boletim de voto, querem mesmo é que não os chateiem. O sistema eleitoral português não está feito para interpretar a vontade de nenhuma entidade mítica. Sem entrar em grandes detalhes que também não conheço a fundo, é composto por seis fases distintas:


1. Os eleitores votam, elegendo os deputados dos diferentes partidos;
2. Os líderes partidários conversam e, como mais ou menos apoio do Presidente da República (PR), chegam a um acordo;
3. O PR propõe uma constituição de Governo à Assembleia da República;
4. Os deputados votam a proposta e esta ou passa ou não passa;
5. Repetir os passos 2 a 4 até se chegar a uma proposta  que seja aceite por uma maioria simples;
6. Constituir o Governo.

As regras são estas. Andar para aí a dizer que é preciso saber interpretar a vontade dos eleitores é uma completa idiotice. O sistema não funciona assim e existem tantas interpretações como opiniões. O que é certo é que existem regras. Dizem que estão na Constituição ou o camandro. Desde que estas sejam cumpridas, qualquer resultado final é válido. O resto são balelas! E uma coisa é certa, no fim haverá sempre alguém insatisfeito e poderá até acontecer que ninguém fique satisfeito. Mas é o sistema e só temos que o seguir. Quem não gostar deste, que proponha outro, reúna 2/3 dos votos dos deputados e altere a Constituição.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Condições de governabilidade

Com os resultados das Legislativas de 2015 e com um Governo ainda por empossar, os olhos viram-se todos para o PS que é de facto que tem o poder de decidir qual será a constituição do próximo Governo da República Portuguesa. As opções são claras:
1. Viabilizar um Governo minoritário do PaF, ou
2. Recusar essa opção e propor um Governo minoritário do PS, que seria viabilizado por BE e CDU.

É evidente que o PS prefere viabilizar a opção PaF, uma vez que isso lhe dá o poder para obrigar a coligação a negociar e para assumir o papel de decisor relativamente ao que passa ou deixa de passar na Assembleia da República. Curiosamente, a solução alternativa, a de não viabilizar um Governo da Coligação e assumir o Governo com o assentimento dos dois países de esquerda, colocaria o PS numa situação muito mais confortável que a da PaF. É expectável que o BE e a CDU votem contra todas as iniciativas do Governo que tenham algum significado. Portanto estas só passarão com o voto favorável ou a abstenção do PS. Já se o PS fosse constituído Governo, teria sempre a opção de negociar à esquerda ou à direita, conforme a conveniência do momento. Mas não me parece que o PS se queira pôr nas mãos do BE e da CDU e ser obrigado a governar mais à esquerda do que gostaria.

sábado, 26 de setembro de 2015

Uns pipis do c...

Fiz umas moelas com corações que ficaram do camandro. A sério, ficaram mesmo muito bons, senti-me orgulhoso e deliciado. A receita de base pode ser encontrada neste filme no YouTube. Já dei o meu "gosto", a senhora merece, explica tudo muito bem. As únicas alterações que fiz foram as seguintes:
- Em vez de cozer as moelas só em água acrescentei um caldo de galinha. Depois usei o caldo resultante da cozedura ao refugado;
- Usei tomate pelado em lata em vez de tomates frescos;
- Juntei os corações crus ao refugado ao mesmo tempo que as moelas cozidas;
- Em vez de piri-piri pus pimenta cayene e tabasco verde;
- Não tinha cominhos em pó, por isso esmaguei sementes de cominhos no almofariz;
- Não juntei maizena, que de qualquer maneira era opcional. Não me pareceu que acrescentasse alguma coisa.

A acompanhar fiz uma salada de cogumelos castanhos temperada com sal, azeite, vinagre, vinagre balsâmico, alho em pó e tabasco verde. Ficou espectacular!

domingo, 16 de agosto de 2015

So the guy is stupid, do we have to fire him?

I'm getting the impression that BBC may be overreacting to DJ David Dyke's comments on public breastfeeding. The guy is obviously stupid. You really don't have to go much further then his statement that "breastfeeding is unnatural". How stupid can anyone be? Last time I heard humans were still mammals. Sure, it would be wonderful if we could start growing out of eggs and feed on raw grain instead of sucking milk from female breasts in our early infancies... Actually, scratch that, I kind of like the idea that we can benefit from mamma's nutrient and antibody rich milk. Seems like a very clever way of improving little humans' survivability. So unnatural it definitely is not. Now, granted the guy is a stupid ignorant slob, probably either excessively prudish or shamelessly hypocrite, but does he really have to be sacked? I don't know the guy, maybe his other programs have the same level of content and, if that is the case, I would say he is not the 'BBC material' and he should be sacked because it is an embarrassment for a media company with the history 92 years old BBC has, a beacon of quality, to have such a low quality, ignorant professional hosting one of their programs. But if the guy usually produces at a higher standard and he slipped this once, maybe he could get away with a slap in the wrist. Maybe he just made a poor choice of topic and he will do better next time. After all, he did apologize.

sábado, 1 de agosto de 2015

Não sei o que foi mas arrependo-me

43 anos, o joelho direito já foi operado e o esquerdo está como o direito nunca esteve. Não sei o que foi que fiz até agora para ter rebentado com os joelhos em pouco mais de quarenta anos, mas estou clara e inequivocamente arrependido. Nunca a expressão "gigante com pés de barro" fez tanto sentido como faz agora. Em termos desportivos ainda podia fazer muita coisa mas não faço porque os joelhos não deixam. Que merda de cena mais mal enjorcada. E ainda querem os católicos convencer o resto do pagode de que deus fez o homem à sua imagem. Se fez tenho pena dele. Ainda por cima com aquela cena de ser omnipresente deve ser o cabo dos trabalhos ter de estar em todo o lado com o menisco sempre a ficar entalado de cada vez que estica a perna com o ângulo errado. Em setembro vou fazer no esquerdo o que fiz no direito. Mas já não vou cair na asneira de voltar a correr. A partir de agora é só BTT que não faz mal aos joelhos. Que merda!


domingo, 7 de junho de 2015

Tópico interessante mas não infinito

´All About My Vagina

Ao ler entradas minhas antigas neste blogue encontrei uma que falava do blogue All About my Pachacha... perdão, Vagina. Como já não ia lá há que anos resolvi dar uma saltada para ver como iam as modas. Fiquei surpreendido ao verificar que a escritora tinha esgotado o tema. Aparentemente a imaginação faleceu em Fevereiro de 2008, o que é uma pena para quem gosta do tema, mas por outro lado também traz alguma esperança porque fica claro que o esforço necessário para dominar o tema é finito.

Ai Jasus...!

jorge jesus wikipedia

Sim, o JJ saiu do Benfica para o Sporting. E depois? Alguma vez alguém pensou que ele era um Benfiquista ferrenho? E que fosse? Devia ter aceitado as propostas que o Luís Filipe Vieira lhe tentou fazer engolir pela garganta abaixo propostas para ir para a Rússia ou para a Turquia? Devia ter aceitado ficar no Benfica a ganhar menos quando o Sporting lhe ofereceu mais? Por que é que o Benfica não renovou contrato a tempo e horas? E cabe na cabeça de alguém propor uma pioria das condições a um treinador que trouxe o primeiro bi-campeonato dos últimos 15 anos?

O que é uma vergonha não é o Jorge Jesus ter aceitado uma proposta do Sporting em que vai ganhar mais. O que é uma vergonha é a mesquinhez estalinista de apagar da fotografia o treinador português que mais fez pelo Benfica em toda a sua história! A saber (de acordo com o sítio oficial do Sport Lisboa e Benfica):
  • 3 Campeonatos Nacionais
  • 1 Taça de Portugal
  • 1 Supertaça "Cândido de Oliveira"
  • 5 Taças da Liga
  • 2 Finais da Liga Europa
Deixem-se de merdas e reconheçam o valor do homem. Não queriam que ele fosse para o Sporting tivessem conduzido as coisas de outra maneira.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Ovos mexidos com legumes salteados

- Picar gengibre e alho grosseiramente 
- Cortar alho francês e couve em juliana (acho)
- Torrar sementes de sésamo e reservar
- Deitar azeite na frigideira quente e fritar o gengibre 
- Juntar o alho francês e a couve e saltear
- Juntar agrião
- Temperar com molho de soja e molho de peixe tailandês
- Juntar o alho e deixar cozinhar um pouco
- Juntar dois ovos, misturar, baixar o lume e tapar
- Desligar o lume e juntar as sementes de sésamo

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Deve ser lixado ser mulher

A minha mulher hoje de manhã: "Vou perder o autocarro! Estou atrasada por causa da roupa!" - porque levou muito tempo a escolhê-la - "É porque estou bloqueada. Eu sei porque é que estou bloqueada. Estou bloqueada porque não pintei as unhas dos pés." - tenho de confessar que esta me apanhou de surpresa. Mas vai fazer sentido já, já a seguir - "Não pintei as unhas dos pés, por isso não posso usar as outras sandálias e por isso não posso usar as calças que quero e para estas não tenho uma t-shirt branca para vestir por baixo do top!"

E pronto, heis como a ausência de um pouco de verniz desencadeia uma sequência de inconformidades que vão desembocar numa calamidade de proporções épicas. Em boa hora decidiu Einstein reduzir o seu guarda-roupa a vários conjuntos todos iguais e quando não encontrava o par da meia ia mesmo com o pézinho desnudo dentro do sapato. Bom, vá, quando não levava meias era nos dois pés, não era excêntrico ao ponto de ir a recepções com embaixadores só com uma meia. Mas que ia, sem meias, ah lá isso ia. Mas o ponto onde quero chegar é que se o Einstein não tem tomado a decisão de remover a escolha da sua indumentária das suas tarefas diárias, provavelmente não teríamos hoje a Teoria da Relatividade.

domingo, 26 de abril de 2015

Já sei quem é o autor da Criada Malcriada!

Estava a conversar com a minha mulher sobre uma série de coisas e a conversa foi ter à divertida tirinha d'A Criada Malcriada. Perguntei-me sobre o que levaria alguém a dar-se ao trabalho de ser anónimo na publicação de algo tão inócuo como essa tirinha humorística. A conversa direcionou-se para se seria um homem ou uma mulher. Ao ver uma outra tirinha que aparece agora no blogue Maria Capaz e que se chama Verónica, a Mulher Divorciada pensei "só pode ser uma mulher. Algum homem se lembraria daquelas conversas dos casacos, dos vernizes das unhas e dos vestidos?" Mas depois pensei "espera lá, isto podia ser mesmo um homem. Só alguém que tivesse uma reputação a defender se daria ao trabalho de manter um anonimato para algo que não tem uma obscenidade ou qualquer coisa que seja de reprovável. Talvez a simplicidade destas tirinhas contraste com um trabalho de décadas de grande seriedade. E foi então que se fez luz. Quem foi o homem que seguiu uma vida inteira dedicada à literatura, com uma obra de uma qualidade inatacável que passa pela poesia, ensaio, romance, crónica e tradução de obras de extrema complexidade e valor histórico? Quem é que tem uma lista de prémios literários do tamanho do meu braço? Quem? Vasco Graça Moura, claro está! O homem simulou a sua própria morte para se poder dedicar a uma obra que, sendo de qualidade, será também de uma tal simplicidade que se torna incompatível com uma vida inteira a enfrentar e ultrapassar desafios complexos. Com 72 anos, merecia uma pausa...

domingo, 12 de abril de 2015

Het pint sucks

Hoje experimentei fazer um cocktail chamado Het Pint. Leva cerveja, ovo, açúcar e noz moscada. Fica a nota para não repetir. Para começar não gosto do cheiro da cerveja aquecida. Traz-me uma memória de infância que não consigo localizar. É um cheiro que por alguma razão associo às lojas do Celeiro. Por outro lado gemada com noz moscada é bastante bom.

A próxima bebida que vou comprar para fazer cocktails vai ser batida de coco.

domingo, 5 de abril de 2015

Tortilha mexicana com camarões

Para 3

3 tortilhas mexicanas
500 gr de miolo de camarão congelado
1/3 de pacote de queijo Filadélfia
Azeite
Margarina
2 dentes de alho
Uísque q.b
Sumo de 1 laranja
Pimenta cayene ou tabaco verde
Coentros
Hortelã
Salada

- Descongelar e escorrer os camarões
- Marinar os camarões no sumo da laranja durante um mínimo de meia-hora
- Opção 1: juntar a pimenta cayene à marinada
- Cobrir o fundo de um tacho com azeite, esborrachar 2 dentes de alho grandes e fritar em lume forte até amolecer o alho
- Opção 2: em vez da pimenta deitar tabaco verde no azeite e  mexer. Cuidado que espirra!
- Juntar o camarão com uma escumadeira adicionando o mínimo de líquido possível
- Deixar fritar
- Juntar a marinada e um cálice de uísque 
- Colocar o Filadélfia numa tigela 
- Retirar o camarão para a tigela
- Reduzir a marinada
- Adicionar a marinada, os coentros picados e a hortelã aos camarões e mexer bem
- Colocar uma tortilha mexicana num prato fazer uma cama com a salada e colocar os camarões por cima. Juntar molho a gosto
- Enrolar a tortilha

sexta-feira, 27 de março de 2015

De que tamanho serão?

O meu filho mais velho, de 11 anos, chamou-nos às dez da noite porque... Tinha as unhas dos pés muito grandes... De que tamanho serão? Não aguento tanta curiosidade, mas vai ter de esperar por amanhã.

domingo, 15 de março de 2015

O Fim do Mundo - Parte II

Foi-me comentado que o meu texto anterior seria pessimista e redutor. Pois eu contesto essa avaliação e como evidência apresento o Estado Islâmico. Esta organização terrorista que pretende construir um califado tem demostrado alguma facilidade em recrutar novos elementos para as suas fileiras. E porquê? Como é que, mesmo após a exibição de imagens de uma bestialidade horrível, como as da degolação e decapitação de pessoas inocentes, continuam a ser eficazes nos seus esforços de recrutamento? A resposta está na simplicidade da sua mensagem. Quem é que eles recrutam? Como se viu no caso recente do ataque ao Charlie Ebdo, eles recrutam jovens que não compreendem o seu lugar na sociedade e que sentem desenraizados. Eles utilizam mecanismos psicológicos conhecidos e aproveitam-se das fragilidades das pessoas, oferecendo objectivos a quem não os tem. A mensagem é simples: nós sabemos que estás confuso, não sabes como lidar com as complexidades da vida nem qual é o teu lugar neste mundo. Pois bem, o teu lugar é ao nosso lado, a lutar contra os infiéis (os maus) e a defender Alá. É claro que um mínimo de sentido crítico levantaria imediatamente uma série de questões e facilmente desmontaria este discurso, mas a verdade é que quem é susceptível a este tipo de mensagem não está à procura da verdade, mas sim de uma escapatória. O que é que há de mais simples que a guerra? Os bons contra os maus? Os injustiçados contra os injustos?

A minha opinião é que chegámos a um ponto de viragem ou pelo menos de abrandamento nas sociedades democráticas. As pessoas começam a compreender que este regime também tem muitas fragilidades. É claro que noutros países poderão ter chegado a esta conclusão há muito tempo, mas Portugal tem uma democracia jovem. O que eu vejo, embora não possa ter a certeza de que seja uma perspectiva partilhada por outros, é que a democracia foi vendida aos aparelhos partidários que não passam de uma perspectiva de carreira muito promissora para quem sobe pela escadaria interna dessas instituições. As coisas evoluíram de tal maneira que quem chega às posições elegíveis não são aqueles que melhores condições têm e mais desejáveis são para governar o país mas sim os que melhor navegaram o labirinto das juventudes partidárias. Essas pessoas desenvolvem as competências ideais para um vigarista ou para um apunhalador de costas profissional, mas definitivamente não as necessárias para governar um país. O actual primeiro-ministro é o exemplo acabado disso. Desde jovem nas juventudes partidárias, detentor de um longo ainda que não invejável  percurso académico, apresenta um currículo profissional que consiste na passagem por uma ONG onde executou actividades que não consegue nomear para ser fulgurantemente admitido como administrador em empresas de Angelo Correia como se o seu passado profissional o justificasse. Na prática foi levado ao colo e figurativamente engordado para ocupar a posição que ocupa hoje.

Em face a isto, quem é que não precisa de simplicidade?

sábado, 14 de março de 2015

It's the end of the world as we know it

Estava a ver um episódio da segunda temporada da séria Revolution e caiu a moeda. As séries apocalípticas estão na moda:
- Perdidos - Um avião despenha-se numa ilha e os sobreviventes depressa chegam à conclusão de que a ilha não é só uma ilha. Uma mescla de ciência e mística condiciona as opções dos sobreviventes.
- Revolution - a criação acidental de uma inteligência de entidades de tamanho nanoscópico resulta no desligamento da electricidade a nível mundial. A electricidade deixa de existir e a consequência é o desmembramento da sociedade com o retorno a um modelo feudal/nova fronteira. Na prática os EUA regressam ao século XIX com uns toques de século XX mas limitados às roupas e ao armamento mecânico.
- Walking Dead - Um vírus converte cadáveres em zombies o que resulta no fim da civilização fazendo com que os poucos sobreviventes retrocedam à idade média: estabelecer uma comunidade é quase impossível e a vida limita-se a pouco mais que a capacidade de sobreviver, obrigando as poucos vivos a uma vida de caçadores-recolectores em constante migração. Os vivos têm de sobreviver não só aos zombies como aos restantes sobreviventes que abandonam as mais básicas regras de vida em sociedade para retrocederem até à pré-história: a tribo, a caça, um local seguro para pernoitar, sobrevivência.
- The Strain - um nosferatu, um drácula da vida resolveu fazer agora a sua ofensiva definitiva. O seu caixão é enviado para Manhatan num avião e depois deste aterrar todos os passageiros menos quatro aparecem mortos. Os mortos ressuscitam, mas o seu destino é o mesmo dos sobreviventes: transformarem-se em vampiros para conquistarem o mundo em nome do seu mestre. Começando logicamente por Manhatan, nos EUA, como todas as desgraças de jeito. É impressionante como não há porcaria de invasão extraterrestre ou praga zombie que não comece nos EUA.
- The Dome - uma misteriosa redoma invisível mas muito palpável isola uma vila americana do resto do mundo. É impossível entrar ou sair, apenas uma pequena quantidade de ar circula, mas mesmo esse é mínimo. Sem limites impostos pelo exterior o presidente da câmara põe as manguinhas de fora e toda e qualquer decência desaparece, precedida pelos abusos da autoridade e o ataque aos mais básicos direitos humanos. As facções definem-se e o confronto é inevitável.

Todas estas séries são uma variação do mesmo tema: o Apocalipse. Por que é que estas séries têm tanto sucesso? Eu acho que é porque a vida se complicou terrivelmente:

  • As crianças já não têm direito de o ser, a pressão para terem boas notas começa muito cedo e os pais sentem-se obrigados a estudar com os seus filhos desde muito cedo. Por exemplo a professora do meu filho de seis anos que anda no primeiro ano disse hoje na turma que eles podiam chumbar.
  • Já não existem empregos para a vida. Hoje em dia ser funcionário público já não é garantida nenhuma e muito menos trabalhar para uma empresa privada.
  • Aparecem novas profissões todos os dias e as profissões antigas estão a desaparecer.
  • A expectativa de que os nossos filhos venham a ter uma vida melhor que a nossa é cada vem menor. Muito pelo contrário parece quase garantido que terão um movimento descendente na escada social.
  • A especialização tanto pode ser uma bóia de salvação como um beco sem saída. Não é possível prever.
  • Os bancos vão à falência e entregar dinheiro ao balcão de um é o mesmo que jogar na roleta russa: não existe a garantia que o dinheiro não é colocado em aplicações financeiras contra as nossas instruções e não parece ser possível condenar que abusa desta maneira da confiança das pessoas.
  • A vida na cidade não permite que os mais novos cuidem dos mais velhos mas a confiança de que todos terão direito a Segurança Social é cada vez menor.
E mais exemplos haveriam, mas onde quero chegar é que as pessoas anseiam por simplicidade. E existem poucas coisas mais simples que a simplicidade da sobrevivência. Dia-a-dia procurar alimentos, abrigo, fugir do perigo, evitar as outras tribos, sobreviver...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Receita de molho de tomate

Para 2 pessoas.

Ingredientes
2 alhos franceses pequenos
1/2 lata de tomate pelado
3 dentes de alho
Azeite q.b.
Sal q.b
Vinagre balsâmico q.b.

Passos
1. Cortar o alho francês às rodelas
2. Pôr o azeite a aquecer
3. Refogar o alho francês
4. Juntar os dentes de alho e o tomate pelado partido aos pedaços
5. Temperar com sal e mexer
6. Deixar cozinhar um bocado
7. Juntar o vinagre balsâmico
8. Deixar cozinhar mais um bocado
9. Passar tudo com a varinha mágica

sábado, 17 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo e a Liberdade de Expressão

 O debate que se seguiu ao crime hediondo que ocorreu em Paris veio demonstrar que quando colocadas perante as Grandes Questões da Civilização, muitas pessoas deixam-se enredar num argumentário obtuso que resulta na desculpabilização dos criminosos e na tentativa de racionalização do irracional. A escolha é bastante clara: queremos manter os nossos ideais que incluem a Liberdade de Expressão, Igualdade entre os Sexos, a impossibilidade de perseguir por motivos de credo, raça e orientação sexual, o primado da Lei e a laicidade do Estado, entre outros, ou voltar aos tempos do Absolutismo em que a arbitrariedade e a injustiça reinavam? Quem é que julga que colocando limitações à Liberdade de Expressão para evitar ofender este ou aquele grupo não vai ter de ceder mais e mais nos outros princípios? Como foi discutido ontem no Governo Sombra, e seguramente noutros fora, é praticamente impossível dizer uma frase completa sem ofender pelo menos uma pessoa neste planeta. O tema da Liberdade de Expressão e dos seus limites já foi debatido em todas as suas vertentes até à exaustão e parece-me que todas as conclusões já foram tiradas previamente. A Liberdade de Expressão, e o seu corolário, a Liberdade de Imprensa, não podem ser limitadas porque as consequências dessas limitações para a Democracia não são aceitáveis. No tipo de sociedade em que vivemos, quem se sente ofendido tem o direito a procurar compensação em tribunal. O tribunal decidirá se houve ou não abuso da Liberdade de Expressão. Não se podem colocar limites à Liberdade de Expressão, seja por razões religiosas, políticas ou outras. Este é um princípio basilar de que não estou disposto a abdicar. Se for necessário estou disposto a pegar em armas para o defender, ainda que espero que o nosso Estado seja suficientemente robusto para que isso não seja necessário. Como diz o ponto 1 do artigo 37 da Constituição Portuguesa, "todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações".

Como exemplo do que está em causa não poderíamos arranjar melhor nem mais paradigmático do que a proibição de desenhar Maomé. Não quero entrar na discussão de se de facto Maomé pode ou não ser desenhado, o que parece que nem para os próprios muçulmanos é tão líquido como isso. A questão, bem mais fundamental e bem mais profunda, é a seguinte: podem membros de uma religião impor ao membros de outras e até aos agnósticos, os seus princípios e proibições? Penso que a resposta será clara para todos: NÃO! Se fosse possível aos muçulmanos impor à consciência e actos de crentes de outras religiões e a não crentes a proibição de algo tão básico como o de fazer um desenho, porquê parar por aí? Onde é que colocaríamos a linha vermelha do que não estaríamos dispostos a deixar de fazer mesmo que isso ofendesse os muçulmanos? E já agora, e todas as outras religiões? Não terão os hindus o direito de se sentirem ofendidos por nós comermos carne de um animal sagrado, ou seja, a vaca? Que outras proibições mirabolantes se seguiriam para evitar ofender as delicadas sensibilidades dos seguidores das centenas de religiões que são hoje seguidas neste planeta? Vamos deixar de cantar e dançar porque os muçulmanos fanáticos acham que isso não é permitido? Vamos proibir o acesso das mulheres à educação porque os talibãs se sentem ofendidos? Vamos apedrejar as mulheres que forem violadas pelo crime de adultério? Vamos excomungar quem comer bivalves, o que o Leviticus 11:10 considera uma abominação? Etc.

Parece-me que a resposta deve ser clara. Aqui, em França e noutros países as sociedades evoluíram para se tornarem mais abertas, tolerantes, igualitárias e "tendencialmente" laicas. Como tal não pode haver cedências naqueles que são os princípios básicos da Civilização Ocidental. Desenhar Maomé pode ser visto como uma ofensa? Lamentamos muito, mas cá no burgo isso não é proibido. Quem se sentir ofendido é livre de apresentar os seus argumentos em tribunal e procurar a devida compensação.

Finalmente, a sátira, não só não deve ser proibida, como não deve sequer ser limitada. A sátira tem um papel essencial para a Democracia. Na suas formas escrita, oral e desenhada serve para pôr a nu as incoerências e hipocrisias da Sociedade e dos seus actores principais e funciona como uma das formas de escrutínio da Democracia e das suas instituições. Portanto, não, não podem haver limites à Liberdade de Expressão e sim, pode-se gozar com as crenças e as práticas religiosas, políticas e sexuais de todos, sejam eles muçulmanos ou de outra religião qualquer.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Confusão aromática

Ontem entrei na cozinha e um odor despertou-me uma memória do passado. Há muitos, muitos anos, depois de uma valente foda, fui a um restaurante de comida rápida comer um hambúrguer. Era uma esplanada na Praça da figueira, não faço ideia se ainda existe. Para grande surpresa minha, o hambúrguer sabia a cona. Na realidade o hambúrguer saberia a hambúrguer, só que o forte odor a cona que provinha das minhas mãos sobrepunha-se ao sabor original. Porventura não terei lavado bem as mãos, ou não as terei lavado de todo. Não consigo precisar. A experiência não foi má, apenas curiosa. Era quase como se estivesse numa trip em que os sentidos tinham sido trocados. A propósito de odores, fico na dúvida se "odor a cona" será uma caracterização correcta. Cheira a cona ou a sexo? Serão os odores dos lubrificantes masculino e feminino, do suor e do esperma todos combinados que resultam naquele buquê? Ou os fluidos vaginais sobrepõe-se a tudo? São questões que me atormentam, tenho de esclarecer isto da próxima vez. No seguimento dessa memória surgiu-me outra questão. Tendo em conta o efeito aromático que os espargos têm na urina, será que alteram também o odor feminino? Seria curioso estar a fazer cunilingus e sentir aquele característico odor a espargos. Podia ser uma oportunidade de negócio. Alimentos que alteram os odores do sexo. Já li num sítio qualquer que o ananás altera o sabor do esperma. E lembro-me de, há ainda mais anos atrás, penso que teria eu uns 15 anos, ter descoberto debaixo da cama de um tio um filão imenso de Playboys, Penthouses e outras que tais. Numa Playboy, nas cartas dos leitores, um fã da revista descrevia como tinha descoberto que uma dieta vegetariana tornava as vaginas mais doces. Essa carta ficou-me gravada na memória de tal maneira que me recordo da frase final: "so girls, if you want to taste sweet, stay off the meat".

domingo, 4 de janeiro de 2015

Gin - a bebida da moda

Nesta passagem de ano um dos convidados trouxe gin de duas marcas diferentes para fazer cocktails para os restantes convivas. Veio munido de um conjunto completo de utensílios de barman, de ingredientes para preparar os cocktails, uma garrafa de gin Bulldog e outra de outra marca que me escapou e finalmente água tónica da marca Nordic que, segundo nos explicou, era muito mais cara do que a Schweppes. Entre os ingredientes contavam-se pimenta rosa, cardamomo, sementes de anis, papaia, toranja e lima. É possível que houvessem mais ingredientes, mas não os fixei. Preparou três cocktails diferentes, embora eu só tenha bebido dois. O terceiro limitei-me a experimentar de outra pessoa porque à hora que era já não me apeteciam bebidas frias. Foi muito bom ter tido este contacto com os cocktails da moda a preços reduzidos (os custos foram divididos por todos, mas não incluíram o salário do barman) porque me permitiu confirmar uma suspeita que tinha desde que a indústria da animação nocturna decidiu eleger o Gin como bebida da moda e veículo para incrementar  as receitas: as bebidas alcóolicas não sabem melhor só porque as passam a vender mais caras, ou porque as vendem em garrafas mais bonitas ou ainda porque enchem os copos em que são servidas com coisas coloridas. A única razão que vejo para cobrarem mais dinheiro por aqueles cocktails é o trabalhão que dá ao empregado de bar encher o copo de coisas que não têm outro efeito que não seja mudar a apresentação do velho e estafado gin tónico. O primeiro e o terceiro cocktails, apesar de num boiarem uma casca de lima e uma rodela de toranja e no outro uma espiral de papaia e possivelmente pimenta rosa, a verdade é que em termos de sabor não passavam de gins tónicos vestidos com uns trapinhos diferentes. Sabiam exactamente ao mesmo que os gins tónicos com a velhinha Schweppes que eu bebia há vinte anos atrás. O segundo cocktail já era melhorzito. Incluía anis que lhe dava um sabor adocicado diferente do tradicional Gin tónico.

Admitamos, a febre do gin não passa de um chamariz para simplórios que acham que a vida deles melhora consideravelmente se forem vistos com uma bebida que possa ser identificada rapidamente como sendo "da moda". A moda do gin é ideal para aquelas pessoas que usam o facebook para convencer os seus conhecidos de que têm a vida perfeita. São as pessoas que valorizam mais a forma que o conteúdo.

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