terça-feira, 21 de junho de 2005

Vida submarina

Fizeram o caminho inverso ao dos seus antepassados. À medida que permaneciam mais e mais tempo no mar, foram adaptando o próprio corpo à vida submarina. O processo foi gradual mas incomparavelmente mais rápido que o penoso caminho da evolução. Inicialmente limitaram-se a construir cidades flutuantes. Estas mais não eram que reproduções do mundo da terra firme. As cidades tinham a capacidade de submergir para evitar grandes tempestades e eram construídas em zonas em que o fundo submarino não se encontrava a demasiada profundidade.
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As primeiras cidades eram muito dependentes do comércio com os continentes, de quem obtinham parte dos alimentos, energia e bens de consumo. As cidades flutuantes foram evoluindo para montanhas submarinas, bem ancoradas ao fundo marinho e com um contacto mais completo com o mundo submarino. Os seus habitantes foram-se adaptando a uma vivência submarina mais e mais prolongada. Para além das actividades que traziam mais benefícios se executadas debaixo de água, como a piscicultura, as quintas de algas, a produção de ostras para pérolas. Um número cada vez maior de actividades demonstrava trazer mais benefícios debaixo de água que à superfície. As actividades desportivas beneficiavam de uma movimentação verdadeiramente tridimensional, a espeleologia submarina era cada vez mais procurada. As cidades submarinas foram-se autonomizando em relação aos continentes. A produção de energia passou a ser mais baseada nas correntes submarinas e nos moinhos eólicos diminuindo desta forma o comércio energético. A evolução das técnicas de produção de algas e de piscicultura levou também a uma menor dependência dos continentes. Por outro lado, décadas de consumo incremental de bens alimentares produzidos debaixo de água, reduziram o apetite em relação à comida produzida ao ar livre. As próprias cidades foram sendo transformadas, adquirindo zonas submersas onde era possível desempenhar tarefas mais organizadas debaixo de água.


A medicina e a cirurgia foram encontrando soluções para as necessidades do dia a dia. As primeiras soluções eram apenas tecnológicas, fornecendo dispositivos e meios de transporte mais eficientes e práticos. Mas à medida que a vivência submarina se tornava mais natural que a vivência fora de água, a necessidade de soluções mais definitivas foi surgindo de uma forma natural. As primeiras alterações morfológicas eram simples. A criação de membranas interdigitais facilitava mergulhos de curta duração e a baixa profundidade, evitando o uso de barbatanas.


Para mergulhos a maiores profundidades, os sistemas de respiração utilizando líquidos ricos em oxigénio era já normais mas implicavam algum grau de desconforto e mesmo sofrimento durante as transições. Na fase em que se iniciava a introdução de líquido nos pulmões, os mergulhadores sentiam uma grande angústia, enquanto que na fase de transição inversa o processo de expulsão do líquido implicava vómitos e um grande desconforto. Bastou que um único indivíduo desse o passo de adoptar em definitivo a respiração por líquido para que logo uma multidão o seguisse. Parte das instalações submarinas foram alteradas para servirem a função de casernas e posteriormente de casas familiares. Esta alteração no modo de vida levou a que alguns dos indivíduos acabassem por se suicidar por não se adaptarem, entre outras coisas, à impossibilidade de comunicar através da fala, uma vez que sem ar nas cordas vocais não lhes era possível emitir sons. Essa dificuldade foi ultrapassada com a utilização de sintetizadores de voz adaptados à emissão num meio líquido.


As alterações seguintes foram mais radicais e implicaram o destino das cidades submarinas. Para evitar o desconforto de vestir os fatos de mergulho e os óculos, alguns dos habitantes, poucos ao início deram um passo ousado, aceitando submeter-se a um processo de enrijecimento da pele e à introdução de camadas extra de isolantes térmicos compatíveis com os tecidos humanos. Mantiveram a morfologia normal dos braços mas acrescentaram membranas em torno das pernas aumentando em muito a sua capacidade como barbatanas.


Finalmente a medicina evoluiu de tal maneira que foi possível dar o passo que cortou definitivamente a ligação dos habitantes das cidades submarinas com o mundo terrestre. Os cientistas conseguiram remover o cérebro de um corpo humano, mantendo-o vivo e consciente e colocá-lo num exosqueleto cibernético virtualmente indestrutível. Este mecanismo mantinha as condições de sobrevivência do cérebro debaixo de água, conseguia transmitir sensações tais como a aceleração e o tacto e tinha os seus próprios meios de locomoção perfeitamente adaptados ao meio subaquático. Este exosqueleto, em forma de gota de água, possuía diversos tentáculos que substituíam com vantagem as mãos e os braços. Eram mais fortes e resistentes e eram capazes de executar todas as tarefas dos membros humanos. Embora tivessem a capacidade de sintetizar a voz humana, foram dotados de outros meios mais eficazes para comunicação submarina. Foi criada uma linguagem completa com base no método de comunicação dos cetáceos que utilizava assobios e estalidos. Estes mamíferos marinhos foram também a inspiração para uma adição aos sentidos humanos. Os novos corpos humanos eram capazes de utilizar o seu sistema sonoro para emitir estalidos que eram utilizados como sonar. O sistema de sonar passou a ser utilizado em complemento ou substituição da visão, conforme a luminosidade. Um sistema de detecção de campos electromagnéticos semelhante ao dos tubarões-martelo foi também integrado no sistema de visão/navegação. O exosqueleto tinha uma construção que lhe permitia enfrentar as pressões máximas conhecidas nos oceanos terrestres e praticamente toda a gama de temperaturas, com excepção das elevadas temperaturas criadas pela actividade vulcânica submarina.


Com esta morfologia os novos humanos ganharam acesso a todas as massas de água acessíveis a partir dos oceanos mas perderam por completo o contacto com a superfície. Sem capacidade reprodutiva acabaram por se extinguir

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Tão perto. Tão longe


As pequenas vagas transmitiam uma sensação de paz que lhe acalmava o espírito. Mas o problema mantinha-se. Olhava sem focar para o oceano a perder de vista e pensava no ridículo da sua actual situação. Estava a 2 metros da água, esgotado e sedento. Sabia que a água era potável, mas servia-lhe de tanto como um oceano de cianeto. Como é que a sua vida tinha ido parar àquele preciso ponto no tempo e no espaço, de tal maneira desfavorável que provavelmente seria o fim da linha?
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Tinha conseguido uma passagem para um planeta que servia de entreposto comercial onde esperava arranjar um emprego qualquer. Podia dizer-se que tinha sido a sua última cartada, já que a tinha ganho num jogo de poker. Aliás, tinha sido duplamente a sua última cartada, visto que tinha apostado os seus últimos créditos. Se tivesse perdido estaria em maus lençóis.



As coisas não lhe tinham corrido muito bem no planeta X-2145. Tinha ido para lá depois de terminar o seu curso, para fazer um estágio conseguido através da universidade. O salário acordado não era grande coisa mas tinha perspectivas de evoluir na carreira rapidamente e começar a ganhar um bom salário no prazo de um ano, um ano e meio. Ou pelo menos assim lho tinham prometido. Na realidade as coisas tinham-se passado de modo menos favorável que o que tinha idealizado. O trabalho como químico estagiário limitava-se a umas quantas tarefas simples que em nada lhe aumentavam a experiência. Ao fim de três meses e de numerosos pedidos ao seu superior hierárquico, tinha chegado à conclusão de que ninguém estava muito preocupado com a sua carreira e que no fim do estágio era garantido que o punham na rua. Começou a aproveitar as horas vagas para procurar alternativas de emprego. Aquele jogo de poker tinha sido providencial. Quase tão providencial quanto aquele poker de ases. Isto porque tinha ficado provado que não tinha o mínimo jeito para fazer bluff. No primeiro jogo tinha tentado e isso tinha-lhe custado metade das sua economias. No segundo manteve-se em jogo apenas o tempo suficiente para perder um quarto da sua fortuna inicial. Mas ao terceiro, quando se preparava para desistir e voltar para o seu quarto, calhou-lhe uma mão excelente. Quando pediu duas cartas conseguiu converter duas cartas sem valor em dois ases. Infelizmente, da mesma forma como todos lhe tinham visto na cara o bluff, também o seu sorriso de triunfo foi por demais evidente. Ninguém cobriu a sua aposta. Conseguiu apenas reaver uns trocos e ficar com aquela passagem. No fim do mês recebeu o pagamento da empresa e não voltou lá. Se ninguém mostrava respeito pelo seu trabalho e pelas suas capacidades, não havia de ser ele a preocupar-se com a empresa. Ainda pensou levar uma embalagem dos químicos com que trabalhava, que venderia facilmente no mercado negro e lhe renderia uma boa maquia. Mas a empresa fazia revistas aleatórias aos empregados e depois daquele poker de ases, tentar sair com os químicos seria declaradamente abusar da sorte. É claro que quando saiu da empresa pela última vez ninguém olhou para ele sequer duas vezes.



Passados três dias tinha embarcado num pequeno cargueiro manhoso, que fazia serviço de transporte de longo curso de cargas de terceira categoria. A viagem seria de cinco meses, pelo que tinha a opção de a fazer em animação suspensa. Para a empresa era mais vantajoso manter os passageiros em animação suspensa, uma vez que passavam a ser tão inanimados como a restante carga e davam tanto trabalho como esta. Ou seja, nenhum. Mas os maiores benefícios traduziam-se em créditos. Um passageiro em animação suspensa praticamente não consumia ar, energia, alimentos e água. Tudo isto representava poupanças de combustível. Mais lucro para a viagem, portanto.



Por essa razão, mal os passageiros punham o pé a bordo, o comandante atacava logo tentando convencê-los a aceitar fazer a viagem em animação suspensa. Os argumentos eram invariavelmente um maior conforto, maior segurança e principalmente, o facto de estando em animação suspensa, a sua esperança média de vida ser prolongada na razão directa de dez para nove. Ou seja, por cada dez meses que estivesse em animação suspensa, a sua esperança média de vida seria prolongada por mais nove meses. Para quê desperdiçar dez meses de vida com uma viagem enfadonha quando podia fazer a viagem como se apenas um mês se tivesse passado?



Quando esta argumentação não funcionava, o comandante oferecia-lhes dinheiro. Normalmente os passageiros aceitavam. Afinal de contas, quem fazia viagens em cargueiros não tinha normalmente uma conta muito recheada. Se tivesse certamente optaria por uma nave de transporte mais rápida, mais cómoda, com mais mordomias e actividades de lazer. E muito mais cara, claro.



E Miguel, que nem a passagem tinha pago, aceitou imediatamente e sem pensar duas vezes a primeira oferta do comandante. Nos seus momentos finais de consciência fez uma nota mental - "nunca mais aceitar a primeira proposta que me fizerem. Regatear um pouco primeiro".



Há já uns minutos que a imagem da tampa da câmara de animação suspensa ganhava forma diante dos seus olhos. Era uma imagem que se formava diante dele sem que qualquer pensamento lhe viesse à mente. Ao fim de um tempo, quando a imagem se se começava a parecer com alguma coisa, começaram também a surgir-lhe os primeiros pensamentos. Por exemplo, por que carga de água é que a porcaria da tampa estava sempre a mudar de cor? E que raio de chinfrim era aquele que lhe entrava pelos ouvidos a dentro? Tentou mexer-se mas os seus músculos pareciam não responder. Finalmente a imagem da tampa ficou clara e o chinfrim ganhou contornos de palavras.
- "Perigo de descompressão. A tripulação deve vestir fatos de protecção com a máxima urgência."
Esta mensagem repetia-se em ciclo. A tampa abriu-se lentamente enquanto Miguel matutava sobre o que ouvira. Conseguia perceber as palavras mas ainda não tinha um raciocínio muito coerente, pelo que o seu sentido lhe escapava. Apesar do tom sensual da voz feminina do computador central não o transmitir, ele sentia uma certa urgência em perceber o significado da mensagem. Felizmente que esta se repetia quase que de forma contínua. Entre cada repetição parecia haver apenas o tempo suficiente para que o computador bebesse um pouco de água para clarear a voz. Ao fim da décima quinta vez, o significado da mensagem caiu-lhe em cima como um cometa. A mudança de cor da tampa por cima de si ganhou também significado. Era o flash vermelho da iluminação de emergência. Algo de muito grave tinha acontecido e tinha de se levantar o mais depressa possível. Lutou para ganhar controlo sobre os seus músculos mas sentia-se muito fraco. Normalmente seria apoiado pelo médico de bordo no fim do sono de animação suspensa, mas não parecia estar ninguém por perto para o apoiar. E o maldito computador que não se calava. Era um pouco enervante ouvir estas mensagens de emergência que eram ditas sem o mínimo sentido de urgência. Um pouco como quando se recebe o agente regulador de trânsito nos entrega uma multa por excesso de velocidade com um sorriso amável e nos deseja a continuação de um bom dia.



Aos poucos e poucos conseguiu recuperar o controlo dos movimentos e levantou-se da câmara. Uma porta na parede estava aberta e lá dentro encontrava-se um fato de protecção. À sua volta parecia estar tudo tal como quando tinha entrado em animação suspensa. Nenhum sinal de acidente, nada fora do lugar. Arrastou-se até ao fato de protecção e vestiu-o lentamente, ou tão rápido quanto conseguiu. Deslocou-se então para a porta da sala mas esta tinha sido trancada pelo sistema de controlo atmosférico. Destravou a porta utilizando o manípulo de emergência e abriu-a a custo. Mal se abriu uma fresta sentiu o ar da sala ser sugado violentamente, arrastando consigo uma série de objectos soltos. Agarrou-se com firmeza para não ser arrastado para a fresta. Sentiu-se invadido por uma corrente de adrenalina. O seu coração batia descontroladamente. A situação era bem pior do que ele imaginava. Quando a pressão se estabilizou abriu o resto da porta e saiu para o corredor. Não havia vivalma.



Caminhou até a ponte de comando. A porta da antecâmara estava fechada. Do outro lado havia atmosfera. Utilizou o manípulo de emergência para abrir a porta e depois de a passar voltou a fechá-la. A porta para a ponte de comando também estava fechada e do outro lado também havia atmosfera. Pressionou o comando para reestabelecer a atmosfera na antecâmara e quando a luz verde se acendeu, pressionou o botão para abertura normal da porta da ponte e esta abriu-se imediatamente. Tirou o capacete e desligou o fornecimento de ar. Por precaução activou o sistema de restabelecimento das reservas de ar.



A ponte de comando também estava vazia. Não conseguia ver danos aparentes, mas todas as consolas continham indicadores de perigo. Dirigiu-se à consola do comandante e accionou o sistema de comunicação para toda a nave
- Olá? Existe mais alguém a bordo? - fez uma pausa na esperança de que alguém respondesse, mas nada. Tentou novamente.
- Daqui fala o passageiro que seguia em animação suspensa. Está aí alguém que me possa explicar o que se passa?
Nada. Silêncio total. Sentiu um medo imenso, uma solidão enorme. Era a única pessoa na nave. Ou pelo menos a única viva. Mas ao mesmo tempo apossou-se dele uma enorme excitação. Estava na ponte de comando de uma nave, para todos os efeitos à sua disposição e sob o seu comando. A nave tinha sido abandonada pelo seu comandante e tripulação e ele próprio tinha sido abandonado a uma morte solitária no espaço. Portanto podia fazer o que quisesse com a nave que ninguém podia alguma vez acusá-lo fosse do que fosse. Nem sabia por onde começar. O que é que poderia fazer primeiro? O miúdo grande que ainda tinha dentro dele lembrou-se logo que podia lançar um míssil contra alguma coisa. Algumas naves de carga tinham sistemas de armamento simples, que serviam como desmotivador para piratas mal armados. Procurou a consola do sistema de armas mas ao fim de um tempo chegou à conclusão de que esta nave em particular era tão inofensiva quanto uma vaca no pasto. Ou seja, o máximo que conseguia fazer era abalroar outra nave, o que era uma táctica muito pouco usada no espaço. Por razões óbvias.



Sentiu-se um pouco desiludido, mas nada estava perdido. Resolveu fazer um reconhecimento das diversas consolas para perceber o que poderia fazer com a nave. À esquerda da cadeira do comandante estava a consola de comunicações. Logo a seguir, no sentido dos ponteiros do relógio, estava a consola de navegação. Ia começar a olhar para esta quando um ronco primitivo e assustador se fez ouvir em toda a ponte de comando. Dois meses sem comer davam uma fome de leão. Ficou indeciso entre continuar a sua exploração da ponte e ir buscar qualquer coisa para comer à cantina. "Que diabos", pensou, "até agora não vi nada de realmente urgente". Voltou a ligar o fornecimento de ar, que entretanto já estava a 100%, colocou o capacete, saiu para a antecâmara da ponte de comando e a porta fechou-se atrás de si. A sua ideia era preparar uma refeição rápida. Era um sistema muito prático. Vinham numa embalagem de vácuo e bastava injectar um pouco de água na embalagem e metê-la no forno rápido. Deixar esperar dois minutos, agitar e deitar para uma tigela. Infelizmente todo o equipamento da cozinha estava sem energia. Possivelmente algum mecanismo disparado pela situação de emergência. Teve de se contentar com umas quantas barras energéticas.



Mal a pressão atmosférica foi reposta na antecâmara, abriu uma das embalagens. Sentou-se na consola de comunicações. Estava a ser emitido um sinal de SOS em permanência. O SOS indicava o nome da nave, a empresa a que pertencia, dizia que a nave tinha perdido controlo direccional, as coordenadas actuais, a trajectória que levava e a hora de cada emissão. Esta trajectória era corrigida em tempo real pelo sistema de navegação, uma vez que podia haver alteração devido a forças gravitacionais. Também era afirmado que toda a tripulação tinha sido evacuada e as coordenadas, rota e hora do lançamento das cápsulas de emergência. "Toda a tripulação excepto o otário do passageiro", pensou Miguel. No entanto havia algo que não batia certo. Por que carga de água havia uma tripulação de abandonar uma nave que mantinha as condições de habitabilidade, ainda que tivesse perdido o controlo direccional? Mudou para a consola de controlo de sistemas e pediu um diagnóstico do estado da nave. Parte da nave parecia ter sido arrancada por um grande impacto, mas os sistemas vitais estavam todos intactos e funcionais para as restantes zonas da nave. Ou seja, era perfeitamente possível aguardar na nave por apoio da nave que se encontrasse mais perto. Mesmo que esse apoio levasse meses a chegar, os sistemas de reciclagem de ar e água eram capazes de manter a tripulação sobrevivente durante o tempo necessário. Tinha de haver outra explicação. Activou a consola de navegação e fez uma pesquisa para determinar se tinha havido alguma alteração da rota devido ao impacto. Ora aí estava, de facto na altura do impacto a nave sofrera um considerável desvio. Pediu uma análise da nova rota da nave. A única razão que lhe ocorria para o abandono da nave seria esta estar em rota de colisão com algo. No entanto o relatório não mostrava nenhum obstáculo dentro dos limites de alcance dosa sensores de curto ou longo alcance. Aliás, a nave parecia até dirigir-se para uma zona bastante desimpedida... anormalmente desimpedida... completa e absolutamente desimpedida. A zona do espaço para a qual a nave se dirigia parecia ser completamente vazia. Como um buraco negro! Agora as peças começavam a encaixar-se. Esta zona do espaço não estava muito bem cartografada e uma nave desta categoria não tinha a capacidade de determinar o horizonte de evento do buraco negro. Sem a possibilidade de avaliar o ponto de não retorno, a única medida lógica seria abandonar a nave o mais depressa possível. E a nave já apresentava uma apreciável aceleração, apesar de ter a propulsão desligada.



Rapidamente pediu ao sistema de navegação para localizar os planetas mais perto. Dois planetas apenas. Um deles por demais inospitaleiro mas o outro parecia ter condições para uma aterragem de emergência. Transmitiu as coordenadas do segundo planeta para a cápsula de salvamento restante e voltou a colocar o capacete. Dirigiu-se para a cantina e reuniu todos os mantimentos que conseguiu. Depois foi ao armário onde tinha os seus pertences e juntou rapidamente o que pôde, com especial atenção para o seu computador de bolso, onde mantinha o seu diário, os seus livros, fotografias e todo o entretenimento necessário para se manter ocupado durante as cerca de duas semanas que levaria a viagem para o planeta seleccionado.



A cápsula foi lançada com a potência máxima e manobrou de maneira a perder o mínimo de impulso inicial. A propulsão principal manteve-se activa durante todo o tempo possível para contrariar a força atractiva do buraco negro que já se fazia sentir nesta zona. Quando o combustível da propulsão principal chegou aos 95%, esta desligou-se e foi substituída pela propulsão iónica que iria funcionar em contínuo durante a maior parte da viagem.



A aterragem tinha corrido mais ou menos bem, mas a cápsula perdera a estanquecidade. A afirmação mais simpática que se podia fazer em relação ao planeta era que era o melhor que se tinha conseguido arranjar. Tinha água potável, não era particularmente sísmico ou com uma actividade vulcânica demasiado activa. Tinha era aquele problemazito de ter uma atmosfera venenosa. É claro que podia ser venenosa e corrosiva, por isso e vistas bem as coisas nem se podia queixar muito. A cápsula ligou automaticamente o sinal de socorro, mas Miguel sabia bem que ninguém o viria buscar. Viu ao longe um oceano e dirigiu-se para lá. Já que ia morrer, ao menos que acabasse os seus dias com uma vista bonita.



Sentado a olhar para o mar pensou nas suas alternativas. Não tinha hipótese de voltar a encher o tanque de ar. Com a nave sem estanquecidade a produção de mais ar era impossível. Para além disso era impossível comer ou beber porque não podia tirar o capacete. A única coisa que podia recarregar era as baterias do fato, mas de que é que isso lhe servia? O seu único consolo era que o ar se acabaria muito antes de ter fome ou sede realmente graves. Se bem que um grande golo de água neste momento lhe saberia muito bem. Na realidade tinha apenas mais meia-hora de ar. Perdeu dez minutos a ajeitar a areia de maneira a que se pudesse encostar confortavelmente a ver as pequenas vagas. Os seus últimos vinte minutos passou-os a tentar lembrar-se dos melhores episódios da sua vida. Aos poucos foi perdendo a consciência, até que a falta de oxigénio acabou por o matar.


3º lugar, ganda espectáculo

O Tiago Monteiro conseguiu um feito nunca antes alcançado na história do desporto português que foi o último degrau do pódio no campeonato mundial de F1. O que eu achei mais curioso foi o ar do Michael Schumacher, em mais um 1º lugar da sua carreira enquanto Monteiro festejava esfusiantemente o seu fabuloso e possivelemente último 3º lugar. Pareceu-me ver um misto de estranheza com paternalismo e talvez uma certa nostalgia, certamente pela alegria que sentia quando os seus lugares no pódium ainda eram uma raridade.

DN Online: Monteiro no pódio em corrida polémica: " Português fez por merecer os seis pontos, que lhe dão o 13.º lugar no Mundial de Pilotos"

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Esta perdeste, oh Valentão!

O Tribunal da Relação do Porto indeferiu o recurso de Valentim Loureiro num processo por difamação contra um conjunto de dirigentes do PS de Gondomar que fizeram declarações públicas acusando a Câmara de Gondomar de manter relações promíscuas com o Boavista. O tribunal considerou que as declarações podiam ser consideradas como uma mera crítica sobre a realidade indiscutível. Conforme é escrito no DN "Valentim Loureiro, além de presidente da autarquia, é presidente honorário do Boavista e pai de João Loureiro, o vice-presidente, José Luís Oliveira, era presidente da Assembleia Geral do Boavista e o assessor para o Desporto na autarquia era treinador da equipa de ciclismo.". E consideraram ainda os juízes "Julgamos que o sentimento geral da sociedade portuguesa é o de que a acumulação de cargos, em diversas áreas públicas e privadas, não é desejável".

E eu estou de acordo com os juízes pelo que pergunto, não se poderia consagrar esse sentimento geral da sociedade na própria lei?

DN Online: Valentim perde recurso na Rela?o

"Garganta Funda"

Em relação à recente revelação da identidade do famoso "Garganta Funda", que passou aos jornalistas a informação necessária para expôr o caso Watergate, diz Luís Delgado no DN "Não é muito saudável que um director do FBI revele segredos, não na perspectiva dos media, mas para salvaguarda da sua instituição.".

Não percebo se com isto ele queri dizer que W. Mark Felt nunca devia ter revelado ter sido ele a fonte do Washington Post ou se ele simplesmente não devia ter fornecido as informações.

Em relação à primeira hipótese a única coisa que se pode dizer é que mais tarde ou mais cedo se saberia quem tinha sido o "Garganta Funda" e que tinha sido um agente do FBI. Mas se a perspectiva era a segunda, então as coisas são um pouco mais graves. O dever das forças da ordem e de investigação criminal não é encobrir os actos ilegais dos governantes. O seu dever é zelar para que a lei seja cumprida e para que os crimes sejam investigados. Alguém duvida que o Watergate devia ter sido exposto?

DN Online: DN, CNN e Watergate

quarta-feira, 1 de junho de 2005

Preservativos vegan

Na minha pesquisa para tentar verificar a veracidade da notícia que referi no meu último texto, encontrei esta outra notícia sobre uns novos preservativos no mercado que são biodegradáveis, precisamente para prevenir fenómenos como os que descrevi. Espero que a tecnologia seja adoptada pelas outras marcas.

Get Ethical - Ethical Matters

Preservativos a perder de vista

Encontrei esta notícia referida num blogue americano mas apesar de ver o conteúdo numa série de outros sítios não encontrei nenhuma fonte realmente credível.

Ao que parece um grupo de cientistas encontrou um recife artificial constituído por preservativos usados. Este recife tinha dimensões bastante assustadoras tendo em conta a matéria de que é feito. Cerca de duas milhas de comprimento, meia milha de largura e alguns pontos com 60 pés de profundidade. A explicação científica para a agregação de todos estes preservativos é que um fenómeno a que chamaram algo como "agregação de semelhantes" (like aggregation), um fenómeno que confirmei que existe e que consiste na concentração de objectos semelhantes por acção dos ventos, das marés, campos magnéticos etc. Um exemplo que dão do mesmo fenómeno são as bolas de cotão que encontramos em casa.

Quando li esta notícia veio-me logo à ideia um filme de terror um bocado para o nojento, o The Blob.

A ser verdadeira, esta notícia chama a atenção para duas questões. Por um lado a necessidade de encontrar fórmulas para tornar os preservativos biodegradáveis, e por outro a necessidade de explicar às pessoas que podem deitar a merda dos preservativos usados na porra do caixote do lixo, em vez de o fazerem na trampa da sanita!!!

Condom Reef Discovered (Sydney, Australia, 1996)

"Oceanographic scientists say they have discovered a vast, floating "reef" of the world's disposed condoms in the middle of the South Pacific, about halfway between Tahiti and Antarctica. The phenomenal mass is almost two miles long, an eighth of a mile wide, and in places up to 60 feet deep, the oceanographers say."

Tabaco de mascar



Ouvi hoje na rádio a notícia de que entrou hoje em vigor na Suécia a proibição de fumar em locais públicos de diversão. Isso não me parece nada de extraordinário para um país como a Suécia, só me espanta ter levado tanto tempo. O que desconhecia por completo e realmente me espantou, foi a explicação para o facto de se esperar um grande apoio à medida. Note-se que o facto de o apoio ser grande não é o que me espanta. O que me espanta realmente é que esse apoio se deva a um hábito dos suecos, que na europa só é partilhado com os noruegueses, e que consiste em mascar uma pasta à base de tabaco, água e sal e a que chamam snus. Muitas suecos que desistiram de fumar passaram numa fase intermédia pela utilização do snus ou adoptaram-na em definitivo. Pelos vistos, tendo os fumadores uma alternativa que não causa incómodo a ninguém, não vão contestar a proibição.

Mas a ideia de os suecos, de quem se tem uma ideia tão civilizada, terem um hábito que tem tão má imagem, parece-me paradoxal. A imagem que tenho da prática de mascar tabaco foi construida pelos western modernos em que se vê cowboys com ar de quem não se lava há já vários meses, com dentes estragados e barba por fazer, a cuspir algo de cor indescritível para um escarradouro a dois metros de distância, que ao acertar-lhe o faz deslocar-se 15 centímetros com o impacto.

Tenho uma certa dificuldade em conciliar esta imagem com a que tenho dos suecos.

History of snuff (snus)

terça-feira, 31 de maio de 2005

Dia Mundial do Consumo

Parece que amanhã é Dia Mundial da Criança. O que eu não sabia era que era suposto oferecer-se coisas às crianças nesse dia. A minha mulher diz que sim. Portanto depois do trabalho tenho de ir comprar um triciclo para o puto. Por mim não se dizia nada ao miúdo e dava-se-lhe o triciclo no sábado, mas não pode ser, porque amanhã é que é o Dia Mundial da Criança. Já não faltava o dia de anos, o dia de Natal, os ovinhos da Páscoa, as máscaras de Carnaval, o dia da vacina, o dia das análises,...

And now for something completely different



A coisa na foto, embora não pareça é um teclado. Não, a sério, não estou a gozar. Foi inventado para minimizar os movimentos repetitivos que dão origem ao Síndroma do Tunel Carpal. As letras são formadas fazendo deslizar as pegas numa das oito direcções possíveis. Por exemplo, para formar a letra "r", deslizar-se-ia a pega da esquerda para a direita e a pega da direita para a frente.

O "teclado" também pode ser utilizado para movimentar o cursor do rato.

Uma ideia gira, mas não só é caro (USD 695 = +/- € 487) como o tempo de aprendizagem deve ser extremamente penoso.

OrbiTouch Review: A Keyless Keyboard

segunda-feira, 30 de maio de 2005

Valha-nos Deus tanta estupidez junta

O reitor do Santuário de Fátima, Luciano Guerra, escreveu um conjunto de patacoadas num jornal de que nunca tinha ouvido falar chamado "Voz de Fátima" a respeito da IVG e do casamento entre homossexuais.

Diz o sábio reitor que "corpos esquartejados de bebés vão aparecer em lixeiras de toda a espécie ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e animais". É sem dúvida uma imagem poderosa, mas convém acrescentar que é também um pouco inverosímil. Que eu saiba os resíduos hospitalares de natureza orgânica são incinerados. Aliás, se o bom reitor soubesse utilizar a net, e se calhar até sabe, encontraria por exemplo este artigo que identifica os diferentes tipos de resíduos hospitalares. Os "corpos esquartejados de bebés" como o nosso reitor tão pictoricamente colocou, pertencem ao Grupo IV, que terão de ser obrigatoriamente incinerados. E diga-se que esta classificação está em vigor há 9 anos. Um bocadinho mais de objectividade e menos propaganda fariam bem ao discurso do idoso senhor.

Como o olhar honesto sobre os temas da actualidade não se podia ficar por este tema, Luciano debruça-se também sobre a questão dos casamentos entre homossexuais. Diz ele que o Parlamento Europeu "amanhã poderá impor a união entre homossexuais". Mas repare, o PE não impõe nada, limita-se a reconhecer como válida. Os homossexuais só se casarão se quiserem, ninguém os obriga. Possivelmente seria este o receio do libertário reitor. A ideia de que num futuro próximo os homossexuais fossem levados para os cartórios para que oficializassem a sua relação de forma compulsiva, terá seguramente ofendido os ideais de liberdade do senhor reitor. Mas não se preocupe, bom senhor, os homossexuais poderão manter as suas relações ao nível do namoro ou simplesmente de sexo ocasional ou ainda com múltiplos parceiros em festas regulares, sem que o Estado os obrigue a "salvar a honra" mútua.

DN Online: Corpos de bebés "em lixeiras"

Comer, beber, homem, mulher

Enquanto escrevia o texto anterior, lembrei-me deste filme que me emprestaram há pouco tempo. Com o título original de
Yin shi nan nu, este filme de Ang Lee mostra a complexidade da vida através das coisas mais simples que ela tem.

O filme mostrava a vida de um velho chefe de cozinha, viúvo e que vivia com as suas três filhas já adultas. E muito do filme se passa à volta de comida. O início é fantástico, mostrando as elaboradas técnicas da cozinha chinesa. Todos os dias o pai preparava um banquete para o jantar de família, de maneira que todo o filme faz água na boca.

Neste filme a comida tem um papel importantíssimo não só por ser uma constante mas também porque é um ponto de partida para as relações mais complexas entre as pessoas. A comida, as refeições, são mostradas como um meio agregador da família - os jantares diários em que a família falava do seu dia; como uma forma de exercer poder - o pai não deixava uma das filhas preparar as refeições apesar de esta se ter tornado uma excelente cozinheira; como forma de auto-determinação - a mesma filha passou a cozinhar quando o pai se voltou a casar; associada à carreira e ao respeito pelos mais sábios - o pai é cozinheiro num hotel de luxo e os seus ajudantes e responsáveis do hotel reconhecem-no como um mestre e, finalmente, como forma de prazer associada ao sexo.

A cozinha neste filme é sempre muito requintada e exótica. É engraçado ver como são variadas as técnicas utilizadas, que vão desde a fritura à cozedura a vapor. E até à mesa havia uma geringonça para cozinhar a vapor.

Cozinha a vácuo

Descobri por acaso que existe uma nova (ou pelo menos desconhecida para mim) técnica de cozinha, a cozinha a vácuo. Se bem percebi, este tipo de cozinha consiste em guardar os ingredientes em embalagens de vácuo e cozinhá-los a baixas temperaturas. É suposto preservar melhor o sabor e as qualidades dos alimentos. Gostava de experimentar. Só é necessário um aparelho que permita criar vácuo nas embalagens, o resto dos utensílios é idêntico. Ou seja, não é necessário nenhuma câmara de vácuo altamente sofisticada e um fato de astronauta. Mas uma coisa que me faz espécie é o custo acrescido das embalagens de vácuo. A não ser que sejam reutilizáveis.

Os métodos principais para cozinhar a comida a vácuo parecem ser o vapor e o banho-maria. Ou então não é nada disto e eu não percebi nada do assunto.

LOEUL et PIRIOT - Les gammes Plats Cuisin?s pour les Professionnels: "Put briefly, vacuum cooking looks much like an updating of cooking en papillotte, or in parcels. The products are packed under vacuum in trays or soft sachets and are cooked at low temperature (below 100ºC) inside the same packaging. This allows cooking to be adapted to each dish appropriately and to preserve the flavours and textures of the ingredients. The products can then be kept between 0º and 3º C."

sexta-feira, 27 de maio de 2005

Energia ondulante



Ora aí está uma daquelas notícias de que eu gosto. Uma empresa escocesa, a Ocean Power Delivery, Ltd (OPD) assinou um contrato com a portuguesa Enersis para a construção de um conjunto de geradores que utilizam a energia das ondas para produzirem electricidade. Este projecto de exploração comercial, que será o primeiro a nível mundial, será construído ao largo da Póvoa do Varzim, a cerca de 5 kms da costa. Na primeira fase deverá produzir energia suficiente para 1.500 lares. Os três geradores deverão entrar em funcionamento em 2006 e evitarão a emissão de 6.000 toneladas de CO2 para a atmosfera. Se os resultados da primeira fase forem satisfatórios, serão adquiridos 30 novos geradores.

Esta notícia é tanto mais fantástica quanto Portugal é o país com as características de costa que são bem conhecidas e porque pode ser o início de um investimento sério na energia das ondas, que é limpa e renovável. Não faço ideia da quantidade de instalações deste género que é viável construir junto à costa portuguesa, mas é um bom passo para a diminuição da dependência energética do país e para a diminuição da poluição.

CNN.com - 'Wave farm project gets green light - May 20, 2005

quarta-feira, 25 de maio de 2005

Sobre os festejos na Luz

Eu não sou cá de grandes festejos pelo que não me dei ao trabalho de ir à Luz festejar o nosso campeonato. Mas encontrei um relato de alguém que peca por ser clubisticamente desorientada mas que levou os rebentos para o meio da confusão e fez esta divertida descrição da coisa no blogue controversa maresia:

"como uma onda

Eu, de futebol, népia: descendo de uma linhagem familiar onde se verifica um ligeiro trend sportinguista, mas daqueles insuficientes para tirar o sono a alguém ou assanhar discussão domingueira. Se há derby lisboeta (expressão horrível, esta), torço pelos leões e cuspo nos lampiões, mas numa versão muito softezinha, muito light, que dura o tempo exacto do relato no transistor" (continuar a ler...)

terça-feira, 24 de maio de 2005

País da tanga

Estou farto deste país ridículo. Parece que a cada mudança de governo as coisas pioram. Com a "recente descoberta" de que o défice não é afinal da ordem dos 4% mas sim de 6,83% bem podemos esperar pelas medidas que aí vêm. Aumento do IVA, talvez também do IRS. Nos últimos anos não tenho visto que o país tenha feito reformas estruturais no sentido de aumentar a eficácia dos serviços públicos e cada novo imposto parece ser uma nova muleta de que o Estado não pode abdicar. O exemplo mais cabal disso é o Imposto Automóvel (IA)...ok, este não é novo, mas é absolutamente ofensivo porque se trata de um imposto sobre o qual ainda é cobrado um outro imposto. Ou seja, ao valor de base do automóvel é adicionado o IA calculado com base na cilindrada e com base neste sub total é calculado o IVA. Estamos perante um caso de dupla tributação. Este imposto representa uma fatia importante da receita do Estado e não estou a ver como é que se poderá prescindir dela. Fala-se na cobrança do IA em duas fases distintas. No momento da compra do veículo seria cobrado um montante mais baixo, reduzindo o seu valor. A segunda fase seria uma cobrança anual de um valor muito superior ao actual imposto municipal. Muito bem, mas será que isso vai aumentar o meu rendimento líquido? Duvido. Outro exemplo, o IVA foi aumentado para 19%. Se o défice aumentou na mesma, como é que podemos esperar este imposto ao consumo venha a ser reduzido? Com o combate à fraude e evasão fiscais? Pelo que percebi as Finanças têm conseguido aumentar as cobranças, mas ainda assim o défice cresceu a bom crescer. E como é que vão conseguir a redução da despesa do Estado? Não se pode despedir um grande número de funcionários públicos, especialmente numa fase em que o desemprego tem vindo a aumentar e em que todos os dias se houve falar em desinvestimentos por parte dos investidores estrangeiros, fábricas que fecham e deslocalização de empresas. Mas é claro que o peso dos salários dos funcionários públicos no Orçamento de Estado (OE) tem de diminuir. Isto só será possível através de uma reestruturação de proporções épicas dos serviços públicos. É que ao contrário do que o bom do Santana dizia, não se pode manter a despesa com os funcionários do Estado e limitarmo-nos a aumentar a receita do Estado por via do aumento das cobranças de impostos e como consequência do crescimento da Economia. Isto porque, como bem sabemos, a Economia tem altos e baixos e quando voltasse a descer (primeiro tem de subir, claro), iríamos ter os mesmo problemas. Mas não é só por isso. O Estado tem a obrigação de ser o mais eficiente possível para que possa cobrar o mínimo possível de impostos e representar o mínimo de peso para os contribuintes. É claro que isto é utópico. Até na Alemanha as pessoas falam dos funcionários públicos como pessoas que têm a vida facilitada e não têm de trabalhar assim muito.

Mas a questão que se põe é muito simples. Como é que chegámos a este estado das coisas e será que ainda durante a minha vida teremos um Governo competente que consiga tirar este país deste pântano? E se o défice continua a aumentar e vai ser necessário aumentar os impostos, como é que vão conseguir o milagre do crescimento da Economia?

O meu plano é simples. A empresa onde trabalho tem agora perspectivas de crescer. Eu preciso de ganhar experiência no meu ramo e penso que se a empresa arrancar agora, em dois anos terei currículo e experiência para conseguir um emprego na minha área num país como deve ser. Na Austrália, por exemplo. Se este país da tanga continuar a não mostrar condições e eu me sentir confiante quanto às minhas hipóteses no estrangeiro vou-me embora. Adeusinho, passem bem.

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Livros usados em Inglaterra

Acabei de comprar dois livros usados a partir da Amazon.co.uk. Inglaterra é uma mercado fantástico para livros usados. Cada livro custou-me £0,01. Mais barato que isto não é possível. É claro que convém dizer que os portes foram de £ 3,95 por livro. Essa parte é que é dolorosa. Mas pronto, sempre sai mais barato que comprá-los novos, e cá não os encontrava.

Mas esta história de ser possível comprar livros usados por 1 penny dá que pensar. Podemos começar logo por pensar por que carga de água não está o mercado dos livros usados mais desenvolvido em Portugal. A ideia que tenho é que os alfarrabistas têm livros mais na categoria das relíquias do que propriamente na dos usados. Será que as pessoas têm pudor em separar-se dos seus livros? Talvez seja isso. Pela minha parte gosto de ver os meus livros na prateleira. É algo que me orgulha e enche de prazer. E é também uma forma de memória. Como a minha é muito má tenho medo de esquecer os livros que li se desaparecerem da prateleira.

A ideia de vender os livros que tanto prazer me deram também me faz espécie. Quase parece uma forma de prostituição. Se bem tenho muitos que considero mauzinhos e que bem podia trocar ou vender. Mas é aquele volume na prateleira que me custa perder. A hipótese de oferecer os meus livros então nem me passa pela cabeça. Os livros são tão caros, que limitar-me a oferecê-los parece um pouco parvo... sim, sou um pouco forreta.

Uma história engraçada relativamente a livros passou-se quando estive duas semanas a trabalhar em Inglaterra. Fiquei num hotel excelente, género palacete. Uma das mordomias que tinha era um conjunto de prateleiras com livros para os hóspedes lerem. Comecei a ler um deles e reparei que já tinha um certo percurso pelo mundo. Tinha um carimbo de uma livraria em Jakarta. E tinha escrito numa das capas o nome de um hospital em Inglaterra. E daí deve ter ido parar ao hotel. E agora está em minha casa porque eu voltei para Portugal antes de acabar o livro e não quis deixar de o ler até ao fim. Tenho de o pôr a circular outra vez. Como aquela iniciativa dos Bookcrossers.

The Inter-Galactic Playground

Encontrei este blogue dedicado à ficção científica para crianças. Se quiserem responder a um questionário sobre hábitos de leitura de ficção científica podem fazê-lo aqui. Para mim foi um pouco difícil porque já não me lembro muito bem de quais seriam os hábitos de leitura da minha infância.

The Inter-Galactic Playground: "The Inter-Galactic Playground"

sexta-feira, 20 de maio de 2005

DN Online: Pinochet foi internado de emergência



Este filho da puta deste assassino vai morrer de morte natural sem nunca ter sido condenado pelas mortes de que é responsável. Vais morrer tarde e em más horas, nojento de merda.

DN Online: Pinochet foi internado de emergência

quarta-feira, 18 de maio de 2005

É fodido!

Eh pá, eu adepto Benfiquista até me preparava para escrever todo contente que o Sporting tinha ganho a taça UEFA, que era óptimo para o país e tal. Isto foi imediatamente a seguir ao 1 - 0, claro. Depois não pude ver o jogo por um bocado e quando volto está 1 - 1. Mas pronto, o Sporting está a jogar em casa, está tudo bem. 2 - 1. Ai. 3 - 1?!?!? Isto não é possível. Então aqueles merdosos do CSKA eliminaram o Porto, eliminaram o Benfica, e para cúmulo e contra todas as expectativas, eliminam o Sporting e ficam com a taça?!?!? Fônix!

Catch 22

Tenho feito algumas pesquisas sobre ofertas de emprego na Australia. Tenho-me deparado com uma típica situação de Artigo 22 (Catch 22). Este filme um pouco deprimente baseado na obra homónima de Joseph Heller, passa-se durante a Segunda Guerra Mundial. O artigo 22 era um regulamento militar que dizia basicamente o seguinte:


  • Um militar só pode ter escusa de missões de bombardeamento aéreo alegando insanidade

  • A escusa por razões de insanidade tem de ser requerida pelo próprio

  • Quem requeira escusa de missões de bombardeamento aéreo demonstra receio pela própria vida. Este receio é tomado como prova de sanidade, logo o requerente é obrigado a continuar a voar

  • É de presumir que se alguém fosse realmente insano não faria tal pedido. Logo continuaria a participar nas missões ainda que como pessoa em estado de insanidade pudesse ser dispensado bastando para isso que o pedisse



Ora a situação em relação às ofertas de emprego na Austrália é muito semelhante:


  • para se obter um emprego é necessário visto de trabalho

  • a Austrália só concede visto a quem tenha oferta de emprego



Lá está...

terça-feira, 17 de maio de 2005

Estou cá com uma depressão

Ontem ao regressar a casa ouvia a rádio e a reedição do discurso da "tanga". Vêm aí medidas difíceis para enfrentar o défice exagerado. O quadro traçado pelos economistas é deveras assustador. Já oiço falar em aumentos dos impostos ao consumo, nomeadamente aos combustíveis e IVA. O ano passado mudei de casa e estou cá com um impressão de que vou ter de pagar impostos sobre mais-valias. Para além disso apanhei um engarrafamento enorme e o puto está outra vez doente.

Começo a pensar em emigrar para um país a sério.

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - Capa DN Terça-feira, 17 de Maio de 2005: "A redução do défice exige "medidas difíceis, diversas e abrangentes", que não poderão ser tomadas sem antes serem explicadas "Exigem pedagogia para que os portugueses possam comprender a situação", avisou ontem Vítor Constâncio, à saída da reunião de uma hora e meia com o Presidente da República."

quinta-feira, 12 de maio de 2005

Da Pré-História ao Futuro em menos de nada

A Internet só com texto, as páginas pessoais, os blogues, os flogs ou foto blogues, os blogues com som e agora finalmente os vlogs ou video blogues. A evolução na facilidade de comunicação e na liberdade de expressão do indivíduo tem sido estrondosa. Para quem percebe alguma coisa de tecnologia informática, pensar na capacidade de armazenamento necessária para guardar os textos, fotos, sons e agora vídeos e na largura de banda necessária para transmitir toda esta informação torna-se num exercício esmagador.

Wikipedia: Vlog

Figo com os olhos em bico?

DN Online: Jap?o Figo interessa ao Urawa Reds: "O clube japonês Urawa Reds pretende contratar Luís Figo para a próxima época. O diário desportivo nipónico Sports Hochi revela que o Real Madrid pede dois milhões de euros pelo passe do médio, quantia que o Urawa Reds pagaria sem problemas, para além de oferecer ao jogador mais de 3,6 milhões de euros por ano. De acordo com o jornal, a equipa apresentará uma proposta formal em Junho."

Que conceito estranho. Nunca me tinha ocorrido que o Japão teria clubes de futebol com vontade de pagar os valores milionários das transferências e salários de um jogador como o Figo. Não que pensasse que não havia esse tipo de dinheiro no Japãp, claro. Mas aplicado ao futebol é que é inesperado.

Mas mais estranho ainda é pensar em como funcionará uma equipa de futebol num país como o Japão em que tudo é rígido, as cidades, os costumes, as regras, enfim, tudo é repressivo e asfixiante. Será que um jogador como Figo habituado a ter tudo, se quer sujeitar à cultura nipónica?

Cento e Trinta e Cinco... está quase

A Faculdade de Economia da Universdidade Nova e o ActivoBank7 criaram o conceito de DLI, o Dia da Libertação dos Impostos. Este dia é um indicador do nº de dias por ano que uma pessoa tem de trabalhar para pagar os seus impostos. Os restantes dias são para pagar as suas próprias despesas. Em Portugal umj português médio trabalha 135 malfadados dias para pagar os seus impostos, o que por acaso até é o segundo valor mais baixo. Portnato o DLI chega no próximo dia 15 de Maio, não se esqueçam de o comemorar.

DN Online: Trabalhamos 135 dias só para pagar impostos: "Só a partir de 15 de Maio os portugueses começam a trabalhar para o seu consumo"

terça-feira, 10 de maio de 2005

DN Online: Bento XVI critica conceito europeu de liberdade

DN Online: Bento XVI critica conceito europeu de liberdade: "Joseph Ratzinger reconhece, contudo, que o cristianismo não partiu da Europa, não podendo ser considerado, por isso, uma religião europeia. Mas foi no Velho Continente que recebeu as suas bases culturais e intelectuais, permanecendo, assim, imbricado de maneira especial à região. Foi aqui, lembrou, "que se desenvolveu uma racionalidade científica que, de certo modo, é uniforme para todo o mundo". Mas, foi também na Europa, "que se desenvolveu uma cultura, até agora desconhecida para a humanidade, que exclui Deus da consciência pública, ou negando-O, ou julgando a sua existência não demonstrável, incerta e, portanto, pertencente ao âmbito das opções subjectivas, algo, em todo o caso, irrelevante para a vida pública"."

Ou seja, estamos no bom caminho.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Viagens no Tempo: falsos paradoxos

Existe um conceito errado associado às viagens no tempo e que é traduzido pelo seguinte paradoxo: um fulano viaja para o passado e assassina o pai antes de este ter engravidado a mãe. Mas se o pai morre antes de ele próprio ter sido concebido, isso quer dizer que ele deixaria de existir e não poderia viajar para trás no tempo, voltando tudo ao ponto de partida.

Este paradoxo foi reforçado por filmes como a trilogia "Back to the Future" e o "Terminator". No entanto esta é uma percepção potencialmente errada das coisas. As visões mais sofisticadas da questão dizem que tudo se processaria de uma forma um pouco diferente. Uma hipótese levantada é a de existirem múltiplos universos ou múltiplas dimensões. Ao viajar para trás no tempo e causar uma alteração, o viajante não estaria a alterar a sua linha temporal mas sim a criar uma outra onde as coisas se passariam de forma diferente. Quando o viajante avançasse no tempo para o seu ponto de partida, não estaria a voltar para o ponto de partida da sua linha temporal mas sim para o ponto no tempo equivalente da nova linha temporal. Logo o paradoxo nunca se daria. E o regresso do viajante seria bem triste porque provavelmente o que encontraria não teria nada que ver com o que tinha deixado. Um livro onde este conceito é magistralmente descrito é o The Time Ships, de Stephen Baxter. Este livro foi escrito para comemorar o centenário da obra The Time Machine de H. G. Wells que se crê (pelo menos é o que está escrito na Wikipedia) ter sido a primeira obra literária onde o conceito de viagem no tempo foi utilizado e é considerada uma obra prima.

Mas esta também é uma visão simplista da coisa porque existe um problema de muito difícil resolução, mesmo que a questão "mais simples" de viajar no tempo fosse resolvida. O problema é que nós vivemos numa nave espacial que está em constante movimento. Não existe nenhum referencial absoluto e fixo no espaço. A Terra move-se na sua órbita à volta do Sol, e o Sistema Solar move-se dentro da sua galáxia, e por aí fora. Isso quer dizer muito simplesmente, que há um ano atrás a Terra não estava no mesmo sítio onde está hoje. Portanto se um viajante no tempo se limitasse a deslocar no tempo um ano para o passado, não se iria materializar na Terra mas sim no ponto do espaço onde a Terra iria estar daí a um ano no futuro. Portanto o mais provável era materializar-se no escuro e frio espaço sideral.

É claro que nada disto é consensual e nenhuma prova de universos paralelos foi alguma vez encontrada.

Para ler mais sobre o assunto ver "Time Travel" na minha querida Wikipedia.

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Mensagem para os organizadores da Convenção de viajantes no tempo

Enviei a seguinte mensagem para os referidos organizadores:

Hi.

I am very angry with this initiative of yours. Do you have any idea of the danger your are exposing any time traveler that is naif enough to accept your invitation? Don't you think that government agents will be monitoring the convention in the hopes of catching a time traveler? How about terrorist organizations? Did you think about this!?

For crying out loud, act responsibly and warn time travelers about the dangers they're facing. What if some future kid decides to come to the convention? Did you think about this?

This convention should be held in the future when time travelling is already an established reality and not a day sooner.

Sincerely

A world citizen of today

Ainda a propósito da Convenção de viajantes no tempo

Estava capaz de apostar que pelo sim pelo não, a Convenção vai estar vigiada por agentes dos mais variados e obscuros serviços de informação. Na expectativa de que algum viajante no tempo seja suficientemente ingénuo para aceitar o convite, claro :-)

A ideia é gira mas...

Seguindo a indicação fornecida pelo blogue PeterBlood goes to Lisbon fui dar uma olhada ao Convenção de viajantes no tempo, uma ideia de um aluno do MIT.

A ideia é muito simples. Uma vez que um cidadão do futuro terá certamente acesso à informação disponível hoje na Internet e nas actuais bibliotecas, para promover uma convenção para viajantes no tempo bastaria disseminar o convite nos dias de hoje pelo maior número possível de fontes de informação, para que alguma dessa informação sobreva até aos dias do futuro em que seja possível viajar no tempo. Desta forma, algum dia alguém lerá o convite e virá à Convenção, certamente para conhecer colegas viajantes no tempo.

A ideia é engraçada mas tem uma falha. Como comentei no referido blogue, é do senso comum que nenhum viajante do tempo fará propaganda dessa sua condição. Se viajasse para a Idade Média, por exemplo, a se pusesse a dizer que vinha do futuro, era um instantinho enquanto não o queimavam na fogueira. Nos dias de hoje seria detido pela primeira agência governamental que lhe conseguisse pôr a mão e seria sujeito às mais imaginativas torturas até que deitasse cá para fora todos os pormenores necessários para se viajar no tempo. Qualquer pessoa sabe isto.

DN Online: A vitória do pragmatismo

Este parágrafo do Editorial de hoje do DN está excelente.

DN Online: A vitória do pragmatismo: "O sucesso de Blair na economia e o seu desprezo pela ideologia têm sido de tal ordem que o seu principal adversário ficou praticamente sem programa eleitoral, sendo obrigado a refugiar-se num populismo anti-imigrante com péssimos resultados "

Foi o cão... matou-o

- Matou-o? Mas como é que isso aconteceu?
- O cão gostava muito dele e queria pôr-se de pé com as patas no peito dele.
- Não estou a perceber
- É uma forma de demonstração de afecto dos cães.
- Isso sei eu, mas como é que ele o matou?!?!
- Bom, é que o cão nunca foi muito obediente e ele estava de camisa branca.
- Continuo sem perceber.
- É que ele não queria que o cão lhe sujasse a camisa mas o cão continuava a tentar pôr-lhe as patas na camisa.
- E ENTÃO?!?!?
- Ele tentou dizer ao cão para não fazer aquilo, mas o cão não ligava. Então começou a desviar-se e a tentar fugir.
- ....
- Estiveram naquilo três horas.
- E...?!?!
- Sabes muito bem que ele tinha problemas de coração. Ao fim das três horas não aguentou mais. O irónico é que quando ele caiu ao chão com um ataque cardíaco o cão pensava que ele estava a brincar e espezinhou-lhe a camisa toda. Ficou uma lástima.
- E era tão gira, aquela camisa.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

Os testículos e a idade

Nunca me deu jeito cruzar as pernas como as senhoras fazem. Fico com eles apertados. Mas já reparei que uma série de homens mais velhos cruzam as pernas com um joelho sobre o outro e a perna de cima pendurada a partir do joelho. Como é que conseguem fazer isto? Será que a partir de determinada idade os tomates encolhem?

quarta-feira, 4 de maio de 2005

As coisas nos EUA são bem diferentes

Encontrei um artigo interessante no NY Times sobre a disputa que existe actualmente entre organizações de trabalhadores e Wall-Mart devido aos baixos salários praticados por esta cadeia de hipermercados.

Ocorreram-me duas coisas distintas ao ler o artigo. A primeira é que, se interpretei bem o que é dito num dos parágrafos, o modelo normal expectável de organização familiar é que o papá trabalha e a mamã fica em casa. O parágrafo é o seguinte:

"Wal-Mart says its full-time workers average $9.68 an hour, and with many of them working 35 hours a week, their annual pay comes to around $17,600. That is below the $19,157 poverty line for a family of four, but above the $15,219 line for a family of three."

De acordo com estes números, é esperado que o agregado familiar apenas tenha uma fonte de rendimento. Neste caso a fonte de rendimento seria empregada na Wall-Mart. É claro que nos filmes vemos isto muitas vezes, mas os filmes muitas vezes retratam apenas uma certa aproximação da realidade. Torna-se mais fácil interiorizar quando o lemos no NYT.

Em consequência disto parece que as finanças de muitas famílias podiam ser melhor se ambos os pais trabalhassem. É claro que o mercado de trabalho pode não comportar o crescimento da procura de emprego se muitas destas mães decidissem procurar emprego. Mas é fácil de ver que para uma família de quatro em que o pai ganhe 17.600 $ anuais, logo abaixo do limiar de pobreza para uma família dessa dimensão, poderia ultrapassar facilmente esse limiar se a mãe levasse metade do rendimento do pai para casa. O rendimento passaria a ser de $26.400, ou seja, $7.243 acima do limiar de pobreza para um agregado de quatro pessoas.

A segunda coisa que me ocorreu é que este modelo em que a mulher fica em casa sozinha o dia todo deve ser um excelente incentivo ao adultério. Toda a gente precisa de um pouco de aventura na vida e ficar em casa a tratar da roupa e dos filhos é capaz de não ser suficiente.

The New York Times > Business > Can't Wal-Mart, a Retail Behemoth, Pay More?

terça-feira, 3 de maio de 2005

Santana passa para a oposição

Isto parece-se claramente como uma vingança contra o PSD e em particular contra Marques Mendes. Depois das facadas nas costas e do tapete da Câmara de Lisboa lhe ter sido tirado de debaixo dos pés, nada como uma facadazita em Mendes para dar ânimo no abandono da política.

DN Online: Santana Lopes confessa admiração por Sócrates : Autarca contraria Mendes e diz que primeiro-ministro está "a ir bem"

segunda-feira, 2 de maio de 2005

Bom, isso resolvia um dos problemas

Já estão em prática soluções para limitar a emissão de CO2 para a atmosfera. Estas soluções consistem em capturar o CO2 em zonas apropriadas no subsolo. Segundo os estudos efectuados, a capacidade de fixação do CO2 disponível é amplamente superior às projecções de emissões para este século. Se esta solução fosse posta em prática em larga escala e provasse ser viável economicamente, ficava resolvido o problema dos gases de estufa e a situação do aquecimento global podia regredir lentamente para uma situação mais aceitável. Isso daria mais tempo para desmamar a humanidade da sua actual dependência dos combustíveis fósseis. Mas esse problema não se irá embora, pelo que convém não relaxar.

New Scientist Breaking News - Squeaky clean fossil fuels: "CAN we continue to burn fossil fuels and still hope to halt global
warming? It seems unlikely - and with the cost of generating wind and
solar electricity falling, perhaps unnecessary. Despite this, big money
and big politics are lining up behind the development of
'zero-emission' power plants that burn coal or gas but release no
carbon dioxide."

Então e o contraditório?

Encontrei esta carta de um leitor italiano do DN que parece ter ficado profundamente magoado por na edição do dia da morte do Papa, o DN ter publicado a opinião de um homossexual que "ama Deus mas que detesta a Igreja Católica". A resposta do Provedor do DN é cabal, mas o que eu acho interessante é que as pessoas achem que têm o direito de exigir que apenas os pontos de vista que lhes interessam sejam expressos na comunicação social. Depois da quantidade absurda de horas e linhas de texto dedicadas à vida e obra de João Paulo II ainda exigir que todas as opiniões expressas deviam ter sido favoráveis com o Papa e a Igreja Católica demonstra um claro desconhecimento ou desprezo pelo papel da imprensa.

DN Online: Celebração e informação:"Foi por isto (e não só) que li com muito desgosto o artigo da vossa correspondente de Roma entrevistando o representante gay do sindicato dos comunistas italianos CGIL. O indivíduo disse-nos que ama Deus mas que detesta a Igreja Católica. Tenho umas perguntas a primeira é saber qual dos leitores do DN conhece este indivíduo se até eu, que sou italiano, nunca ouvi falar dele. A segunda é : era efectivamente pertinente e necessário dar conta destes "profundos" pensamentos no dia do maior funeral da história moderna? Era imprescindível pelo DN que, no dia 9 de Abril, informando os leitores do facto de que 200 delegações de chefes de Estado de todo o mundo, e chefes de todas as religiões (islâmicos, judeus, ortodoxos de várias confissões, protestantes, etc.), estavam na Praça de São Pedro e que na Via della Conciliazione e em toda a Roma estavam presentes, todas juntas, milhões de pessoas (heterossexuais ou homossexuais, pouco importa), e que centenas de milhões de fiéis em directo na televisão estavam a ver o funeral deste grande velho, era imprescindível para o DN informar inutilmente os leitores do pensamento dum "ilustre desconhecido" que aparentemente tem a única qualidade de ser amigo da jornalista?

(...) Na minha opinião o não perceber a medida das coisas que se fazem representa um erro imperdoável, e também penso que isto significa estar fora da História."

É fresco, este novo Papa

Segundo este artigo do The Observer, o Papa em exercício terá sido responsável por obstrução à justiça, tendo dado instruções para que as investigações a acusações de abuso sexual de menores fossem mantidas em segredo durante um período que iria até dez anos após os menores atingirem os 18. Segundo Ratzinger, a Igreja tem jurisdição sobre estes casos. É um pouco assustador que a Igreja Católica e o Papa achem que têm legítimidade para ocultar da Lei e da opinião pública, os crimes perpretados por membros da sua hierarquia, protegendo assim criminosos que praticam actos dos mais desprezíveis.

The Observer | International | Pope 'obstructed' sex abuse inquiry: "Pope Benedict XVI faced claims last night he had 'obstructed justice' after it emerged he issued an order ensuring the church's investigations into child sex abuse claims be carried out in secret."

Só se forem os que vocês usam

Não percebo se os sectores da Igreja Católica que defendem que o preservativo não é uma barreira segura contra o HIV, o fazem por ignorancia ou se mentem mesmo deliberadamente.

AidsPortugal - Comentários De Cardeal Sobre a SIDA E Preservativos Suscitam Críticas da Organização de Saúde das Nações Unidas: "Lopez Trujillo disse à BBC: 'Há vários médicos no nosso conselho pontifical, e estas pessoas têm estudado esta matéria, e também já lançaram as suas conclusões em diversos artigos publicados, e nós ainda não vimos nenhum desmentido deste facto ao nível da medicina'. Quando confrontado com estudos científicos que demonstravam que os preservativos intactos são uma barreira eficaz contra as DSTs, Lopez Trujillo disse, 'Eles estão errados acerca disso, este é um facto facilmente reconhecível', de acordo com a BBC.

O perito em HIV, Dr. Thomas Quinn, falando em nome da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, disse que vários estudos científicos mostram que o HIV não passa através dos preservativos. 'O mecanismo de barreira é 100% eficaz excepto quando há rasgos ou rompimentos, por isso estão completamente incorrectos', disse ele. 'Eles vão precisar de mostrar provas científicas para provarem que esta afirmação está errada porque existe uma multiplicidade de publicações que mostram que o vírus não consegue passar através do látex do preservativo'."

Apelo ao desrespeito pelo celibato do clero da Igreja Católica

Tendo em conta que o celibato é desumano e contra-natura, eu apelo aos membros do clero que o quebrem, mesmo com o risco de perderem o emprego. Ah, é claro que a ideia não é quebrarem o celibato com menores de idade, como certos e determinados membros da hierarquia católica têm feito ao longo dos tempos. Só com homens e/ou mulheres crescidinhos, ok?

PUBLICO.PT: "Também o cardeal colombiano Alfonso Lopez Trujillo, que durante o Pontificado de João Paulo II foi presidente do Conselho Pontifício para a Família, consideou a nova lei "uma estranha ideia de modernidade" e apelou aos funcionários do registo civil para alegarem objecção de consciência, mesmo com o risco de perderem o emprego."

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Three Misconceptions about the Laws of War

Encontrei este texto interessantíssimo sobre as interpretações erradas que têm sido feitas das leis internacionais da guerra.

Este texto está enquadrado no sítio Crimes of War Project

Three Misconceptions about the Laws of War

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Emails ameaçadores

Enviaram-me este artigo e reconheço alguma verdade no que é afirmado. Segundo um estudo feito em Londres, as mensagens constantes de correio electónico, SMSs e chamadas telefónicas têm como efeito secundário reduzir efectivamente o QI dos seus utilizadores. Isto resulta de uma diminuição na capacidade de concentração das pessoas que interrompem o que estão a fazer para ler e responder às mensagens que vão recebendo ao longo do dia. Os investigadores vão ao ponto de afirmar que este efeito sobre o QI é superior ao da cannabis e que o correio electrónico tem um efeito viciante.

Pela minha parte tenho sentido nos últimos anos uma diminuição na minha capacidade de concentração e de memória. É claro, que também pode ser Alzheimer. Por acaso este blogue também não ajuda muito à minha capacidade de concentração uma vez que estou sempre a pensar em coisas sobre as quais escrever.

A propósito, deixa cá ver se recebi alguma coisa no endereço de casa...

Guardian Unlimited | The Guardian | Emails 'pose threat to IQ': "Respondents' minds were all over the place as they faced new questions and challenges every time an email dropped into their inbox.
Productivity at work was damaged and the effect on staff who could not resist trying to juggle new messages with existing work was the equivalent, over a day, to the loss of a night's sleep."

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Típico dos amaricanos

Os Norte-Americanos querem por força e à pressa introduzir dados biométricos nos passaportes. Isto seria interessante se não houvesse uma série de problemas associados à questão. Para começar exigem que os passaportes emitidos pela União Europeia a partir de 2005 contenham também esses dados biométricos, sem os quais passam a exigir visto aos cidadãos europeus e sendo que actualmente não é necessário. A União Europeia pediu uma prorrogação deste prazo porque existem uma série de questões éticas, técnicas e de segurança envolvidas e que ainda precisam de ser debatidas, resolvidas e aprofundadas.

A meu ver acho que os americanos deviam fazer o que bem entendem, se bem que possam estar a colocar os seus próprios cidadãos em risco ao tomarem medidas precipitadas. Se quiserem coltar a exigir visto aos cidadãos europeus, pois que o façam. O que é importante é que a UE aplique as mesmas medidas aos cidadãos norte-americanos. Assim passamos todos a ter mais chatice e o governo americano fica satisfeito e com uma falsa percepção de segurança.

New Scientist Technology - ID row bad news for transatlantic travellers: "Though the International Civil Aviation Organization (ICAO) has introduced global standards governing biometric passport chips, there
are fears that the machines designed to read them are not yet reliable. But the main issue in dispute is how biometric passports should work."

terça-feira, 26 de abril de 2005

Morreu DeLorean



Morreu John Delorean, criador do DMC-12, carro que foi imortalizado na trilogia "Back to the Future". Achei a notícia curiosa, primeiro porque embora a imagem do DMC-12 me tenha ficado gravado para sempre, a verdade é que o DeLorean é como que um protótipo que tivesse sido criado de encomenda para os filmes. Nunca antes do primeiro filme tinha visto tal carro e nunca fora dos filmes alguma vez o voltei a ver. A outra curiosidade é a história por trás da empresa falhada, que construiu apenas 8.900 unidades do DMC-12 e que envolve acusações de fraude e de tráfico de droga. Podem ler um pouquinho sobre o assunto aqui.

BBC NEWS | UK | Northern Ireland | Failed car maker DeLorean dies: "The former American car maker John DeLorean has died aged 80."

DN Online: Igreja rompe com Governo de Díli

Após uma luta para libertar Timor Leste do regime genocída Indonésio e implantar um sistema democrático, com custos incalculáveis em termos de sofrimento humano, eis que chegamos a um ponto perfeitamente absurdo, onde a Igreja Católica timorense tenta não só influenciar o Governo de forma inaceitável num estado democrático, como ainda vai mais longe, exigindo a remoção do Primeiro-Ministro e do seu Executivo. Parece óbvio que os bispos timorenses não apreenderam completamente o princípio da separação entre o Estado e a Igreja.

A crise começou quando o Governo decidiu tornar opcional o ensino da religião nas escolas timorenses. A meu ver esta medida peca por defeito, uma vez que o ensino da religião não deve caber de forma alguma nas escolas públicas, devendo as diversas religiões garantir uma forma de os seus fiéis terem acesso a esse tipo de ensino.

Os representantes da Igreja Timorense parecem não perceber ainda que esta desestabilização só pode servir outros interesses que não os do próprio país e da sua população.

Esta situação é verdadeitamente vergonhosa.

DN Online: Igreja rompe com Governo de D?li

P.S.: Isto sim, é algo verdadeiramente importante.

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Jornal do Mundo (Blogue)

Acabei de conhecer um blogue divertidíssimo chamado "Jornal do Mundo". É um jornal de pseudo-notícias absurdas onde se podem encontrar algumas pérolas como "Noruega inicia processo de adesão à União Africana", " Bento XVI" e " Luís Nobre Guedes apoia Paulo Portas".

Jornal do Mundo

Como é que se quer chamar?

"A partir de hoje chamem-me Margarida XXXIV"

Não era muito mais giro que Bento XVI?

DN Online: O ideólogo que chegou a Papa

sexta-feira, 15 de abril de 2005

Beleza esmagadora



Já tinha mostrado este apontador, mas de vez em quando dá vontade de partilhar estas fotografias maravilhosas. Esta imagem mostra uma bolha cósmica de gases e poeiras com 70 anos-luz de diâmetro e designada por RCW 79. A fotografia mostra uma colorização artificial da luz infra-vermelha, luz essa que foi emitida há 17 mil anos, ou seja, esta bolha cósmica encontra-se a 17 mil anos-luz da Terra, na constelação Centauro.

Astronomy Picture of the Day: " RCW 79: Stars in a Bubble"

terça-feira, 12 de abril de 2005

Petit... deixa-te estar caladinho, ok?



Face à polémica que as minhas declarações geraram, decidi tomar posição em nome da minha honra e do meu brio profissional. Essas declarações foram proferidas a quente, após um jogo no qual a minha equipa tudo fez para vencer, acabando por perder mesmo no final."

Petit num comunicado de imprensa

Confesso que tenho mau perder. E que sou benfiquista, embora esta última não seja defeito... digo eu. Mas quando arranjo desculpas para as derrotas tento arranjar umas inteligentes. Normalmente o árbitro faz um mau juízo, muitas vezes até bastante suspeito, que pode ser utilizado para justificar as derrotas. Agora o problema do Petit não sei se é ser parvo se é tentar ser original. Não se pode pôr as culpas de uma derrota no facto de a outra equipa ter jogado bem e com garra. Se ao menos ele os acusasse de se terem dopado. Mas não, acusou alguém de ter oferecido incentivos ao jogadores do Rio Ave. Petit, acorda! Isso só é crime quando eles são pagos para perder!!! Duh...

Nota 1: Este texto foi originalmente escrito como comentário no blogue Ai o Camandro, entrada "Dicionário do Camandro")

Nota 2: Às vezes até tento ser honesto e reconheço que a outra equipa até jogou melhor. Mas mesmo quando tento ser honesto tenho tendência a considerar que os outros até nem jogaram nada de especial, a minha equipa é que jogou extraordinariamente mal. Mas atenção, não sou como o Miguel Sousa Tavares que acha sempre que os jogadores do FêCêPê são uns meninos de coro, que nunca cometem faltas nem agressões. Quando é falta, é falta!

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Mudanças no Bloguinho

Resolvi alterar o máximo de entradas visíveis para 30 dias. A razão desta alteração é que o blogue estava a ficar muito lento quer a carregar quer a gravar novos textos. Custou-me um pouco fazer isto porque para mim os arquivos são mesmo arquivos mortos. Ninguém vai ao arquivo. Isso quer dizer que os meus textos, de que eu tanto gosto, passam a ter 30 dias para ser lidos e depois circulam para o arquivo onde nunca mais serão lidos por ninguém. O que na realidade não é muito diferente do que acontece actualmente em que quase ninguém os lê independentemente do tempo que estão disponíveis.

Browserus Fantasticus



O programa de navegação que uso, o Firefox, é de facto fantástico. Para além de de raiz ser já muito bom, tem uma capacidade de expansão das suas funcionalidades que é excelente. Uma das últimas alterações que fiz e que é extremamente simples foi acrescentar dois novos motores de busca. O Firefox tem uma funcionalidade extremamente útil e que é a de ser possível fazer uma pesquisa num dos vários motores de pesquisa existentes logo a partir da barra de ferramentas. A vantagem óbvia é que não é preciso ir primeiro à página do motor de pesquisa para depois se escrever os parâmetros da pesquisa e executá-la. Mas esta funcionalidade é tão versátil que é possível acrescentar novos motores de pesquisa. Assim acrescentei a Wikipedia e o IMDB, duas fontes de informação que utilizo regularmente.

E ainda há pessoas que utilizam o M$ Internet Explorer...

Turismo sexual

Na entrada da Wikipedia sobre a Islândia fazem referência a uma característica curiosa da demografia deste país. Devido ao facto de este país ser muito longínquo, isolado e certamente por ser um país com condições duras, a imigração é extremamente reduzida. Como consequência, a diversidade genética dos cidadãos deste país é muito pequena. Ora como é sabido, a longo prazo isto leva a problemas de origem genética. Não sei até que ponto esses problemas se manifestam numa população de 293.291 habitantes, mas mais tarde ou mais cedo este problema vai ter de ser atacado. Por isso já estou a imaginar um novo tipo de turismo sexual, promovido pelo governo da Islândia. Eles oferecem a viagem e a estadia a cidadãos do sexo masculino e estes concordam em serem sujeitos a testes a doenças sexualmente transmissíveis e a doenças de transmissão genética. Se passarem os testes têm de fecundar uma mulher islandesa por dia. É um trabalho duro, mas que muitos homens fariam com o coração aberto, um espírito solidário, uma postura caridosa e a satisfação de ajudarem um país a evitar sérios problemas de saúde a longo prazo.

Iceland - Wikipedia, the free encyclopedia: "The isolated location of Iceland has resulted in limited immigration and limited genetic inflow in its human population over hundreds of years. The resulting genetic similarity is being exploited today for genetic studies."

Ai que tenho as costas tão quentinhas

Não há dúvida que ter os amigos certos dá muito jeito. Veja-se o caso de Fátima Felgueiras. Conhecer o juiz conselheiro Joaquim Almeida Lopes parece ter-lhe dado um jeitaço.

DN Online: Juiz prometeu ajudar Felgueiras

sexta-feira, 8 de abril de 2005

Olha mãe, sem hastes



Este maluco resolveu fazer uns óculos que ficam presos a um piercing na cana do nariz. A ideia parece-me extraordinariamente arriscada, especialmente tendo em conta que até dorme com eles. E toma banho.

Pierced Eyeglasses

Mourinho e as tácticas de guerrilha

Mourinho soma e segue.

Embora não lhe tenham sido retirados os dois jogos de suspensão impostos pela UEFA, ficou provado que as acusações que fez a Rijkaard de ter pressionado o árbitro sueco durante o Barcelona - Chelsea eram verdadeiras. E apesar da suspensão ainda conseguiu orientar a sua equipa no jogo contra o Bayern Munique, utilizando um telemóvel e um dos membros da equipa técnica e levando o Chelsea a mais uma vitória.

O homem é aquela máquina.

DN Online: Rijkaard pressionou mesmo Anders Frisk

RollingStone.com: The Long Emergency

Através de um outro blogue encontrei este artigo de um tal James Howard Kunstler que constrói um retrato muito assustador do futuro com base no argumento de que a economia do petróleo chegou a um pico. Ou seja, segundo Kunstler, 2005 será o ano em que se extrairá o máximo de petróleo que alguma vez se extraiu e daí para a frente a quantidade de petróleo disponível diminuirá de acordo com uma curva elíptica. A acrescentar a esse facto há ainda a característica do petróleo que estará disponível no futuro. Até agora a indústria de extracção de petróleo têm estado a extrair o petróleo mais barato, mais fácil de extrair. Mas com o passar do tempo e com a exploração das reservas conhecidas de petróleo, o petróleo disponível vai sendo cada vez mais difícil de obter, ou porque é preciso perfurar mais fundo, ou porque é de menor qualidade ou porque se encontra misturado com areias. Tudo isto encarece o processo de extracção e como consequência encarece o petróleo e os seus derivados.

Ora Isto é bastante aborrecido porque toda a nossa economia se baseia no petróleo. O nosso modo de vida depende da facilidade de acesso à energia e a esmagadora maioria da energia consumida é sobre a forma de derivados de petróleo. Isto será tanto mais grave quanto se tem verificado um crescimento constante nas necessidades de energia. Ou seja, não só não vai ser possível extrair tanto petróleo como no passado, como a procura de petróleo vai aumentar. Somando 2 + 2 vamos chegar a um resultado que não é 4 mas sim um número muito maior e do qual não vamos gostar nada.

Talvez fosse então boa ideia começar a fazer uma transição para outras formas de energia. O problema é que ainda não existe nenhuma forma de produção de energia que possa dar uma resposta às quantidades de energia exigidas pelo nosso modo de vida. A energia hidroeléctrica já está bastante explorada, a solar não parece ser solução para grandes centros de consumo e a eólica ainda não está suficientemente disseminada e também tem os seus problemas. Estas três fontes de energia juntas representam actualmente uma fatia muito pequena do total das necessidades. Para além disso, pelo menos em Portugal, os Governos têm-se mostrado bastante míopes no que diz respeito ao incentivo à adopção destes tipos de energia. Restam a energia nuclear (fissão) e as células de combustível. A fusão nuclear nunca conseguiu provar ser mais que uma miragem.

As células de combustível funcionam a hidrogénio, mas o hidrogénio representa um conjunto de problemas por si só. E pelo que dizem os entendidos, estaremos ainda a pelo menos 25 anos de os resolver. Esses problemas prendem-se com a produção, distribuição e armazenamento do hidrogénio. Como o hidrogénio não está disponível na natureza de forma livre, é necessário produzi-lo. A sua produção pode ser através de hidrólise, ou seja, a separação da água em hidrogénio e oxigénio utilizando a electricidade. Mas para isso é preciso produzir a electricidade primeiro. É possível ainda extrair o hidrogénio através do gás natural, mas este sofre de problemas idênticos aos do petróleo. Os problemas de distribuição do hidrogénio prendem-se com o facto de o hidrogénio ocupar um volume muito superior ao equivalente em petróleo para a mesma quantidade de energia. O que quer dizer que em vez de um camião de gasolina seriam precisos muitos mais camiões de hidrogénio para transportar a mesma quantidade de energia. Finalmente o próprio armazenamento de hidrogénio é problemático uma vez que este tem tendência a escapar dos depósitos. Isto é especialmente grave se tivermos em conta que o hidrogénio é altamente explosivo. Quanto à energia nuclear, para além dos problemas conhecidos com o armazenamento do urânio depois de utilizado e do potencial para este ser utilizado em armas nucleares, ainda existe o problema de o próprio urânio não ser infinito. Para além destes problemas ainda temos de considerar que a quantidade de centrais nucleares necessárias para produzir a quantidade de energia que nos é fornecida actualmente pelo petróleo, levaria um tempo e investimento considerável.

Curiosamente, esta situação em que nos encontramos é o resultado de termos tido à nossa disposição uma forma de energia de tão fácil acesso. Se não tivéssemos tido acesso ao petróleo teríamos tido de investir mais nas energias renováveis para produzir electricidade ou energia mecânica. Isto implicaria certamente que a curva de evolução tecnológica teria sido consideravelmente mais modesta e a sociedade de hoje não seria nem de perto nem de longe tão tecnologicamente avançada como é. Mas por outro lado este crescimento tecnológico teria sido sustentável. E mais tarde ou mais cedo chegaríamos a uma fonte de energia barata e pouco poluente, ponto a partir do qual seria possível chegar a uma curva de evolução tecnológica idêntica à que tivemos no século XX, mas desta vez sustentável.

A ver vamos.

RollingStone.com: The Long Emergency : Politics"Most immediately we face the end of the cheap-fossil-fuel era. It is no exaggeration to state that reliable supplies of cheap oil and natural gas underlie everything we identify as the necessities of modern life -- not to mention all of its comforts and luxuries: central heating, air conditioning, cars, airplanes, electric lights, inexpensive clothing, recorded music, movies, hip-replacement surgery, national defense -- you name it."

Yahoo! News - Border Militia Divides Arizona Residents

Um amigo enviou-me esta notícia. Aparentemente gerou-se um movimento miliciano para proteger as fronteiras dos EUA contra as violações diárias por parte de mexicanos que entram ilegalmente nos EUA para arranjar trabalho. Vêm homens armados de outros estados dos EUA para se juntarem a estas milícias que patrulham as fronteiras.

É preciso pôr esta notícia em perspectiva. Para quem passou a infância toda a ver filmes de índios e cobóis, com aquele sentimento de orgulho patriótico, de defesa da nação, de conquista da última fronteira, a hipótese de vir a ser ele próprio um cobói a sério, com chapéu à cobói e arma à cintura, para manter as fronteiras protegidas dos maus que vêm do México, temos de commpreender que deve ser um apelo irresistível. Eu próprio, se tivesse férias agora, era capaz de me ir juntar a estes simpáticos Minutemen, para brincar um pouco aos cobóis... ai não, espera lá, eram capazes de me meter na equipa dos maus...

Yahoo! News - Border Militia Divides Arizona Residents: "The sight of volunteers from across the United States
treading the sidewalks with pistols riding on their hip, raises no eyebrows in the one-time silver mining town."

quinta-feira, 7 de abril de 2005

Sangue!!!!

Isto ainda promete ser divertido. O Carmona já tinha adaptado a cadeira ao rabo dele e volta agora este desterrado do Governo estragar-lhe o arranjo. Não pode ser nada. E pimba, dá uma entrevista em que se coloca como em melhores condições para se candidatar à câmara de Lisboa e ainda acusa Santana de passar o tempo a dar show off.

Do outro lado está Santana que vive da política e se deve sentir extremamente ofendido por lhe tentarem tirar o único ganha-pão que ainda tem. Especialmente agora que se arredou da corrida para as presidenciais (irra!) para dar lugar a Cavaco. Aparentemente, a entrevista que Carmona deu caiu muito mal entre os santanistas e, imagina-se, ao próprio Santana. Santana Lopes, que depois de ter passado 4 meses a trabalhar contra Portugal e a levar facadas, sempre nas costas mas vindas de todas as direcções, pensava em voltar para o conforto da Câmara de Lisboa para lamber as feridas. Mas ao que parece ainda não é altura de guardar o mercurio-cromo.

DN Online: Santana irritado com Carmona

País da tanga

Não está certo. A Espanha tem um conjunto absurdo de estâncias de Ski. Tem os Pirinéus Catalães, os Pirinéus Aragoneses, a cordilheira do Cantábrico, o Sistema Central, o Sistema Ibérico e o Sistema Penibético. Isto tudo somado dá 37 estâncias de neve.

Nós temos a trampa de Serra da Estrela :-(


mundoski.com

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Afinal o homem era um querido

Afinal e apesar de ter passado uma vida inteira a abusar sexualmente dos miúdos da Casa Pia, toda a gente gostava muito dele. Talvez o vissem como um modelo a seguir...?

Catalina Pestana diz que Carlos Silvino era muito estimado por técnicos e alunos (PUBLICO.PT)

O homem a quem parece que aconteceu não sei o quê

Eu sei que este suquete não é novidade nenhuma e que está reproduzido por todo o lado, mas a verdade é que eu considero este texto absolutamente genial e que tive uma grande dificuldade em encontrá-lo na net. Por isso, para lhe prestar homenagem e para não ter de voltar a procurá-lo decidi colocá-lo no meu blogue. Assim sei sempre onde está. Obrigado, Gatos.

O homem a quem parece que aconteceu não sei o quê

Meu amigo, isto o que aconteceu foi muito simples, meu amigo. O que aconteceu é que eu chego aqui e sou logo confrontado com certas e determinadas situações! Hã?... E eu digo: "Então mas como é que é?" e os gajos: "Ah, e tal...!" E eu: "Ah e tal não!, Ah e tal não!" Então venho lá de baixo e dizem-me que "não sei quê", chego cá acima e afinal parece que não! Em que é que ficamos? E os gajos: "Ah, não sei que mais, e o camandro..." E eu: "Mau, queres ver que a gente tem de se chatear?"
Isto não pode ser! Eu sou um gajo que tá aqui a trabalhar, eu quero trabalhar, hã?, e sou... e dizem-me, como eu aqui ouvi, dizem-me: "Ah, não sei quê..." Mas que é isto? Que é isto?
Isto não se faz! Porque eu sou um gajo que se... dou-me bem com toda a gente, sim senhor, dou-me bem, por mim tá tudo bem, e fazem-me isto! E há gajos que andam para aí e fazem trinta por uma linha e depois... passa tudo... incólume, que é coisa que eu não percebo!
É que eu assim não venho... deixo de vir aqui, vou fazer a minha vida para outros sítios, sítios onde inclusivamente malta me diz "Eh pá, e tal, sim senhor!" É para lá que eu vou, deixo de vir aqui, pá, hã?
Porque quando eu vejo que há aí palhaços, pá, que falam falam, falam falam, falam falam, pá, e eu não os vejo a fazer nada, pá, fico chateado, concerteza que fico chateado, pá!
'Tá a perceber?

Ah...

RAP in "Gato Fedorento", Sic Radical

DN - Última Hora - EUA admitem a morte de 24 prisioneiros

Não é bem deste tema que quero falar. Quando li esta notícia reparei que faziam referência a uma coronel do exército Norte-Americano chamada Pamela Hart. Já nem consegui ler o resto da notícia como deve ser. Veio-me à memória umas fotografias que vi na Playboy quando era miúdo, da actriz Victoria Principal, que fazia de Pamela Ewing na série Dallas. Tinha umas mamas lindíssimas com uma auréolas e uns bicos descomunais. Ah, Victoria, Victoria...

DN - Última Hora - EUA admitem a morte de 24 prisioneiros

Rezem por ele

Palavra que não percebo esta coisa de se rezar por alguém. Rezar por alguém penso que significa interceder por essa pessoa junto de Deus. Mas isso não me parece que faça sentido porque Deus é omnisciente. Isto quer dizer que tem conhecimento de tudo, pelo que não faz sentido chamar-lhe a atenção para seja o que for. Nomeadamente para as necessidades ou estado de uma determinada pessoa. Portanto, se Deus tudo sabe, então a reza apenas poderia servir para Lhe mudar a opinião sobre o que fazer em relação à pessoa. Mas isso também não faz sentido porque, sendo Deus ominisciente, certamente que levou em linha de conta todos os pontos de vista possíveis, logo a sua decisão, a haver lugar a uma, estaria tomada desde sempre. Finalmente a reza poderia servir para demonstrar a Deus a devoção de quem reza. Mas isso, não só seria já do conhecimento de Deus, como não faz sentido que Deus faça depender as suas acções em relação a uma pessoa, da devoção de outra. Isso não seria justo. O que é que aconteceria a quem vive sozinho e não tem quem reze por si? Tenho a certeza de que Deus não implementou um sistema injusto.

É claro que todo este raciocínio só é válido se Deus existir.

Portanto a função da reza não é ajudar alguém, porque essa ajuda, assumindo que de vez em quando é prestada, já estava decidida. A função da reza é outra. É que o facto de uma pessoa rezar dá-lhe o conforto de fazer algo por alguém que ama quando na realidade não há nada que possa fazer. Estas práticas religiosas têm sempre uma razão de ser. Mas essas razões nunca são as apresentadas.

terça-feira, 5 de abril de 2005

Pena de morte em 2004



Este artigo do Público fala do relatório da Amnistia Internacional sobre a Pena de Morte no ano de 2004. O relatório é a habitual listagem do número de execuções em cada país, a que já estamos mais ou menos habituados. Realce para o número de execuções na China, nada menos que 3.400 executados num universo de 3.797, ou seja, 9 em cada dez pessoas executadas oficialmemte no ano passado foram-no na China. Outro facto de realce mas que não é novidade é a execução por práticas sexuais no Irão. O caso referido é de uma rapariga de 16 anos. Estas coisas revoltam, mas o que me chamou de facto a atenção foi a notícia de que 5 países aboliram o ano passado a Pena de Morte. Isso não teria nada de extraordinário se um dos países não fosse...

...a Grécia!!!

PUBLICO.PT: "Cinco países - Butão, Grécia, Samoa, Senegal e Turquia - aboliram a pena de morte ao londo do ano de 2004, aumentando o número total dos Estados abolicionistas para 120. (O documento da AI não refere ainda a eliminação da pena capital no México, aprovada pelo Senado há cerca de duas semanas)."

Não percebo...



Acabei de ver um filme que me deixou muito mal disposto sobre a indústria de peles e o modo como as peles são tiradas aos bichos, no caso uma raposa branca. O bicho ainda estava vivo! Acho isto perfeitamente inadmissível. Não consigo acreditar que não exista um processo rápido e indolor de matar o animal antes de o esfolar. É claro que matar os animais de uma forma mais humana não resolve os problemas todos. Para além da forma desumana como esses animais são esfolados há a questão de serem mantidos toda a sua vida em cativeiro e sem espaço para se mexerem. Ou seja, os animais são sujeitos a várias formas de crueldade desde o dia em que nascem até finalmente morrerem.

E ainda há a questão moral do desperdício que é estar a criar um animal para lhe tirar a pele e deixar o resto a apodrecer.

O vídeo faz parte de uma campanha contra a essa prática e contra a Fátima Lopes que segundo afirmam defende a indústria das peles. Não percebo se ela não tem conhecimento das práticas envolvidas nesta indústria e se acha que as acusações de crueldade são falsas ou se está ao corrente e mesmo assim acha muito bem.

ANIMAL - Associação Nortenha de Intervenção no Mundo Animal

sexta-feira, 1 de abril de 2005

Oh não, estou nú!!!

Já toda a gente teve aquele sonho em que fica todo nú no meio da rua. Os psicólogos ou os psiquiatras sabem os porquês disto, está relacionado com sentimentos de insegurança, ou coisa assim. Mas de repente lembrei-me de uma coisa. Será que aquelas pessoas que praticam nudismo com regularidade, incluindo campos de nudismo (acho que cá não há), têm pesadelos em que aparecem vestidos no meio da rua?

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