terça-feira, 10 de julho de 2012

Dois cromos de platina

Sou ouvinte assíduo da Caderneta de Cromos do Nuno Markl, da qual sou fã (na vida real, não no Facebook), mas fiquei em êxtase, quase a atingir o orgasmo, com dois fabulosos cromos: Chucky, o boneco diabólico e Já fumega. A qualidade do texto do primeiro é estrondosa. O Markl estaria particularmente inspirado, quem sabe depois de uma noite de sexo fantástico ou talvez após um período de jejum sexual ou simplesmente porque dormiu bem... ou ainda por outra razão qualquer. A verdade é que o ritmo imposto pelo texto é extremamente envolvente, de grande qualidade e divertido. Não é alheio ao factor envolvência a utilização da banda sonora do filme, num volume que me parece mais alto que o costume, mas que alcança um resultado muito bom. Digamos que o Markl conseguiu algo que os comentadores de futebol em Portugal nunca conseguiram: fazer o seu comentário utilizando o ruído de fundo do estádio para transmitir a atmosfera do jogo.


O segundo cromo, que na realidade é o primeiro do dia, tem o grande mérito de me ter feito ver a grande qualidade do grupo português Jafumega. Quando as músicas passavam pela rádio eu não ligava pevide à música... pensando bem, ainda não ligo. Seja como for, a verdade é que ouvindo este cromo com a música da banda em fundo se torna flagrante a sua qualidade. Algumas piadas fantásticas como a comparação do estilo da banda ao de uma associação de professores de trabalhos oficinais. O que é fantástico é que, não me recordando do aspecto dos Jafumega, mas perscrutando os confins da minha mui depauperada memória, ao reunir o único professor de Trabalhos Oficinais que tive com a prof e o prof de Educação Visual que tive em anos distintos, heis que se me forma uma imagem com grande precisão do aspecto que deveriam ter os Já Fumega. Bom, é claro que antes da piada já o Markl tinha feito uma descrição com grande detalhe da banda. E para confirmar a precisão da imagem reconstituída na minha mente, nada como uma pesquisa para confirmar o resultado:




Oh Diabo...! Parece que os professores de trabalhos oficinais do Markl seguiam um estilo de vestuário diferente dos meus... bom, enfim, talvez não ande muito longe da verdade.


Bom, não vamos deixar que um pequeno soluço estrague um dos melhores Cromos que ouvi nos últimos tempos. Como no anterior, a banda sonora deste Cromo cria uma um ambiente fantástico em que a qualidade das letras se combina com o excelente texto do Markl.


Para dizer a verdade, os Cromos sobre música e sobre bandas musicais são os de que gosto menos. Não é uma coisa de agora. Já nos tempos de antigamente, quando os programas do Herman José passavam pelo Serafim Saudade sentia um tédio de morte. Também nunca achei grande piada a concertos. O mês passado fui ver a Madonna a Coimbra e para dizer a verdade para mim não resultou.


Mas os Jafumega eram mesmo muito bons.



sábado, 19 de maio de 2012

A História não acaba. Ponto.

Capa do livro "A História não acaba assim" de Miguel Sousa Tavares


Miguel Sousa Tavares publicou recentemente o livro "A história não acaba assim", um conjunto de textos seus publicados no Expresso e no Público, expondo muitos dos desmandos, falcatruas e más decisões que paulatinamente têm vindo a afundar este país. Acho que se há algo que este livro demonstra é que não será por falta de liberdade de expressão que o país não avançará. Pelo que li e oiço de Miguel Sousa Tavares, os actos são identificados e os responsáveis apontados. Mas de que serve? Este misto tão português de falta de vergonha na cara, brandos costumes e fraca legislação ou falta de vontade de a aplicar, permitem que a incompetência e a corrupção lavrem sobre a pouca riqueza que este país ainda possa ter e produzir, como se de um fogo de Verão se tratasse. Que vantagens nos trouxe então a democracia? Podemos queixar-nos com relativa segurança, uns com tribuna, outros no café, mas sem abusar, porque em Portugal até os corruptos têm direito ao seu bom-nome. Pensei comprar o livro, mas de que me serve saber quem me rouba se nada posso fazer a esse respeito? Acho que só serviria para me irritar mais. Para além disso não tem versão para Kindle.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ser louco ou não ser louco, heis a questão

Quando alguém comete um acto de que a maior parte das pessoas mentalmente sãs nunca seria capaz, existe a normal tentação de pensar que o autor só pode ser louco. Mas a História, desde a mais distante à mais recente, demonstra que quase todas as barbaridades já foram cometidas e a questão da loucura não se colocou nem tão pouco poderia ser utilizada como argumento. Encontra-se em julgamento o cobarde Anders Behring Breivik, que assassinou 77 pessoas num só dia mas não enfrentou um único homem armado. Estando determinada a sua culpa, o tribunal tenta apurar o seu grau de sanidade. Foi sugerido que Breivik poderia estar num estado psicótico no dia em que cometeu o atentado à bomba e a chacina na ilha de Utoeya. Esse argumento parece insustentável se tivermos em conta que Anders começou a planear e montar os atentados no ano de 2002. Seria um muito longo estado psicótico, embora seja honesto da minha parte admitir que não faço a menor ideia se é comum ou possível um estado psicótico durar 10 anos. Mas sei que essa justificação não é obrigatória. Todos os dias são assassinadas pessoas em assaltos, umas vezes por grandes quantias, outras nem por isso. No México são assassinadas e mutiladas pessoas todos os dias na luta pelo controlo do narcotráfico junto à fronteira com os EUA. Em 1994, no Ruanda, os membros da etnia Hutu perseguiram e chacinaram 800 mil Tutsis ao longo de 5 meses. Os sérvios fuzilaram 8.000 bósnios num só dia. Os soviéticos executaram 22 mil polacos no Massacre de Katyn. Como é bem conhecido, os nazis conduziram uma política de extermínio dos judeus, tendo eliminado 6 milhões nos campos de concentração. E não faltam na História muitos e muitos e muitos mais exemplos de mortes por motivações políticas, religiosas, pela luxúria do poder, pela ganância ou simplesmente pela sobrevivência. Muito dificilmente se poderia argumentar que do lado confortável do gatilho ou da catana esteve sempre um psicótico temporário.

No caso de Breivik tratou-se de uma estranha mistura de narcisismo com xenofobia e um extremo desprezo pela vida humana.

São ou não, o maior castigo para Breivik seria o seu internamento psiquiátrico. Seria o maior golpe para o seu ego.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Atira, atira!


Marcelo Rebelo de Sousa é uma jóia de pessoa. Primeiro há que agradecer o serviço público que presta com regularidade e que consiste em explicar o que Cavaco pretende dizer sempre que coincide mexer a boca, com expirar e fazer vibrar as cordas vocais. É verdade que é um processo complicado, o que pode explicar a quantidade de vezes que é necessário explicar os conceitos que passavam na cabeça de Cavaco quando calhou tropeçar na língua. E talvez por ser tão frequente de certa forma compreendo a preocupação do Professor com a prática nacional do tiro ao Cavaco. Na minha perspectiva chega a ser cobardia criticar Cavaco. É como pregar partidas a um ceguinho ou ver um bêbado a dirigir-se para uma estrada movimentada e em vez de o tentar impedir, procurar o melhor local para colocar a cadeirinha para assistir ao espectáculo. Afinal, a culpa não é dele, ele simplesmente não é capaz de fazer melhor. Infelizmente, porque a sua profissão a isso obriga, não pode deixar de se pronunciar. É uma pena para ele a para o país.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Padrão Presidencial

O nosso actual Presidente da República (PR) segue um padrão muito interessante. Quando lhe fazem perguntas incómodas começa por responder tentando colocar-se acima dos restantes mortais e depois desvia a conversa. Quando lhe perguntaram sobre as acções do BPN, a resposta do PR foi que era tão honesto, mas tão honesto, que qualquer pessoa teria de nascer duas vezes para ser mais honesta do que ele. Quando lhe perguntaram qual a razão que o levou a dar meia-volta no percurso para a António Arroio, começou por responder que foi uma razão de força maior, que no passado, enquanto Primeiro-Ministro já tinha enfrentado muitas situações de vários tipos, passando depois a divagar sobre questões de economia. Quando a pergunta foi repetida por outra jornalista, perguntando-lhe qual teria sido a razão de força maior, teve o descaramento de dizer seguia a política de, uma vez respondida uma pergunta, não voltar a respondê-la. Ao que a jornalista retorquiu que ele não tinha respondido exactamente à pergunta que lhe tinha sido colocada. Mas esta já não teve direito a resposta por parte do PR.

Cavaco Silva sabe em que país vivemos. Sabe que não estamos em Inglaterra onde um ministro acusado de ter convencido a mulher a assumir uma multa de trânsito que era dele se demite quando o caso é conhecido. O ex-ministro demitiu-se para que as suas responsabilidades não fossem prejudicadas pela distracção decorrente do processo judicial que inevitavelmente se seguiria. Também sabe que Portugal não é a Alemanha onde o Presidente se demitiu por indícios de suborno. Na Alemanha o Ministério Público não se ensaia de pedir o levantamento da imunidade do próprio Presidente se houver indícios de prevaricação.

Sobre Cavaco muitas dúvidas se abatem, mas Cavaco nunca se sente abatido. Cavaco, o homem que nunca tem dúvidas e raramente se engana, seguramente por influencia divina, está acima de explicações. O que acaba por ter as suas vantagens porque já se percebeu que quando Cavaco se alonga no discurso facilmente mete os pés pelas mãos. Cavaco é o homem que se pode dar ao luxo de se queixar das dificuldades que tem em fazer face às suas despesas mensais, esquecendo-se de referir € 11.800,00 dos  rendimentos mensais do seu agregado familiar. Não fosse pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa e nunca ninguém saberia o que o PR pretendia dizer em vez do que na realidade disse.

Num país onde muitos parecem imunes à responsabilidade criminal, não é de estranhar que as responsabilidades moral e política sejam conceitos alienígenas.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Morrer todos morremos

Tanta gente a rejubilar pela morte de um homicida triplo e não se apercebem que o homem matou duas mulheres e uma menina e ainda escolheu quando e como morrer. O homem furtou-se à Justiça, a 25 anos entre quatro paredes com o desprezo e violência dos restantes reclusos e com o remorso diário pela barbaridade que cometeu. Trata-se de um homem que tinha sido diagnosticado com depressão crónica e para quem a morte foi seguramente uma libertação. Mas não falta quem pense que o verdadeiro castigo foi a antecipação de algo que a todos está reservado. Exercitem esse cérebro, faz-vos falta.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

E agora, algo completamente diferente


Uma das grandes pedras de toque da Apple é que a Microsoft se limitou a copiar as suas ideias na criação do Windows. O processo evolutivo do Windows foi marcado por inúmeros processos da Apple por infracção de diversas patentes, sendo assumido que no início a Microsoft utilizou mesmo determinados componentes e conceitos patenteados pela Apple, uns através de licenciamento, outros nem por isso. Mas parece que finalmente a Microsoft criou uma interface realmente diferente. A nova interface do Windows Phone 7 tem um paradigma completamente diferente relativamente às interfaces do iPhone (iOS) e do Android, sendo que o Android se colou muito ao iPhone em termos gráficos. No fundo, as interfaces do iPhone e do Android passam muito por uma adaptação do conceito de área de trabalho (desktop) com a interacção pelo toque. Já a Microsoft optou por um conceito completamente inovador que se centra no conteúdo em detrimento do impacto gráfico. Esta interface segue uma linguagem de desenho a que a Microsoft chamou Metro e que a própria Microsoft descreve da seguinte forma:

"Metro is the name of the new design language created for the Windows Phone 7 interface. When given the chance for a fresh start, the Windows Phone design team drew from many sources of inspiration to determine the guiding principles for the next generation phone interface. Sources included Swiss influenced print and packaging with its emphasis on simplicity, way-finding graphics found in transportation hubs and other Microsoft software such as Zune, Office Labs and games with a strong focus on motion and content over chrome.

Not only has the new design language enabled a unique and immersive experience for users of Windows Phone 7; it has also revitalized third party applications. The standards that have been developed for Metro provide a great baseline, for designers and developers alike. Those standards help them to create successful gesture-driven Windows Phone 7 experiences built for small devices."

A PC Word faz uma análise comparativa dos 3 sistemas operativos que é muito interessante. Resta saber se   a opção da Microsoft vai convencer os utilizadores de telemóveis, que têm tendência a optar mais em função do brilho que da facilidade de utilização.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Lonesone Dove


Há uns anos atrás passou Lonesone Dove, uma mini-série fabulosa transmitida em quatro episódios e somando 6 horas. Tratava-se de um Western, filmado em  baseado numa novela com o mesmo nome e que ganhou o Prémio Pulitzer. A série propriamente dita teve 18 nomeações para os Emmys, das quais conquistou sete, tendo ainda ganho dois Golden Globes. É uma das melhores séries que já vi, magistralmente interpretada por Tommy Lee Jones (Capitão Woodrow F. Call) e Robert Duval (Capitão Augustus "Gus" Mc Crae) no papel de dois rangers reformados que decidem levar gado de Lonesone Dove, Texas, para o Montana, acompanhados por um grupo de vaqueiros. Uma das melhores cenas da série, passa-se numa pequena cidade onde a comitiva pára para comprar abastecimentos e o Capitão Call se apercebe de que um batedor da Cavalaria está a espancar o seu filho. Esta cena é o primeiro resultado que se obtém quando se pesquisa "Lonesone Dove" no YouTube:


"I can't tolerate rude behaviour in a man"

Não atingindo os níveis de quase hiper-realismo cru de Deadwood, uma série de HBO de 2004, o argumento de Lonesone Dove é cativante, a realização é eficaz, a fotografia tem excelente qualidade e as personagens são bem construídas e excepcionalmente bem representadas. Trata-se de uma série imune à passagem do tempo e que será sempre agradável revisitar.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Economista que não sabia gerir as suas despesas



Cavaco Silva, economista, professor de Economia, ex-Primeiro Ministro e actual Presidente da República levantou a hipótese de vir a ter dificuldades em fazer face às suas despesas. Aparentemente, as duas pensões a que Cavaco tem direito enquanto professor reformado e reformado do Banco de Portugal e que totalizam 10.000 € por mês, poderão não ser suficientes para dar resposta às necessidades do casal Silva. Para completar as contas convém não esquecer a pensão da esposa de Cavaco de cerca de 600 € mensais. As pessoas poderão perguntar-se como pode ser possível que um casal daquela idade possa ter dificuldades financeiras quando aufere 10.600 € por mês. Bom, na realidade é um fenómeno muito comum. A minha mulher é analista de crédito e conta-me imensos casos deste género que lhe passam pelas mãos todos os dias. Há várias situações que levam a que pessoas com rendimentos muito elevados possam não ter dinheiro suficiente para as suas necessidades. Na realidade é irrelevante quanto é que uma pessoa ganha. Seja muito ou pouco, é sempre possível assumir responsabilidades acima da respectiva capacidade financeira. Existem inúmeras situações que podem levar a este desiquilíbrio financeiro na vida de um casal. Por exemplo, um ou ambos os membros do casal poderão ser susceptíveis ao vício do jogo. Muitas vezes trata-se de créditos acumulados em inúmeras empresas financeiras de concessão de crédito (CETELEM, Cofidis e outras do género). Utilização abusiva do cartão de crédito. Recurso sistemático ao saldo negativo da conta ordenado. Por vezes trata-se de pessoas que se constituíram fiadores para o empréstimo de um familiar ou amigo, sendo que esse familiar ou amigo deixa de honrar as suas responsabilidades e o fiador tem de assumir a o pagamento do empréstimo. Noutros casos as pessoas até tinham capacidade financeira para as responsabilidades que tinham assumido mas um dos membros do casal é despedido e as entradas descem para um nível abaixo das saídas (este caso sabemos que não se aplica porque são ambos reformados e o Cavaco tem emprego). Se calhar o casal Silva comprometeu-se a pagar o ballet, a equitação, as aulas de inglês, francês e mandarim, bem como o ténis e o golfe de todos os netos e sobrinhos. Ou a esposa de Cavaco estoura o cartão de crédito todo em chapéus e vestidos. A questão é que não é difícil gastar mais de 10.600 € por mês... mas também é verdade que para se chegar lá é preciso parar de controlar as próprias contas. E esperava-se mais de um economista que já geriu o país enquanto Primeiro-Ministro e que é actualmente Presidente da República.

Público: Cavaco diz que as reformas dele não chegarão para pagar despesas

P.S.: A estas contas falta ainda acrescentar os € 2.500,00 mensais a que Cavaco tem direito a título de despesas de representação. Somando tudo o casal Silva tem direito a uma renda mensal de € 13.100,00. Coitados.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E quem fala assim...

Gostei da entrevista da Luís Figo no Público. Claro e sem meias tintas. E estou como ele. Gerações sucessivas de políticos têm afundado este país, porventura até ao ponto do não-retorno.

Típica é a reacção dos necrófagos que povoam a caixa de comentários daquele jornal. A maioria apresenta-se muito escandalizada pelas palavras do ex-jogador, mas penso que isso não espelha mais que a corriqueira inveja do portuguesinho. No caso do Figo parece-me que a equação é bastante simples: tornou-se um jogador de excepção, o que o colocou nos maiores clubes mundiais e lhe deu contratos milionários com esses clubes e com grandes empresas que queriam associar a sua imagem à de Figo e estavam dispostas a pagar por isso. E pagaram. E ele recebeu, investiu e fez mais dinheiro. Nalguns casos ganhou, noutros seguramente terá perdido. Qual é o problema? Ninguém se preocupa com o dinheiro que ele perdeu mas todos se sentem muito ofendidos com o que ele ganhou. A inveja é uma coisa muito feia.

http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1525463


domingo, 18 de dezembro de 2011

Um sorriso absurdamente longo

Faz-me pena a pobre rapariga que faz aquele anúncio da SIC. Deve ter sido muito duro estar ali aquele tempo todo a forçar toda a variedade possível de sorrisos. Em abono da moça, ninguém conseguiria fazer tal absurdo melhor do que aquilo.

A morte de um ateu

 
Christopher Hitchens ateu indefectível, escritor e jornalista morreu no dia 15 de Dezembro de 2011. Morreu cedo, aos 62 anos, mas teve uma vida preenchida e muito produtiva. Autor de uma extensa bibliografia e colunista, abordava temas políticos, sociais, religiosos e culturais. Mais do que ateu, Christopher autoentitulava-se antiteísta, considerando que a religião era uma força destrutiva e que devias ser combatida. Pouco conheço de Christopher Hitchens. Tenho um livro dele de 2007, "deus não é grande" mas ainda estou no início, é um pouco cedo para ter uma opinião. Mas felizmente nos tempos que correm existe um manancial enorme de intervenções, entrevistas e debates acessíveis no YouTube e que permitem de uma forma fácil conhecer o estilo e argumentos deste pensador. É verdade que esta é apenas uma face da pessoa, porque a capacidade de exposição não é igual na forma verbal e na forma escrita. Mas as intervenções que vi deixam claro que se trata de um homem cheio de humor, de uma grande riqueza cultural e com grande capacidade de argumentação e de sustentação dos seus argumentos. Deixou uma obra de grande dimensão e riqueza que seguramente me enriquecerá muito daqui para a frente.

É claro que a morte de um conhecido ateu deu origem a manifestações de satisfação de muitos energúmenos religiosos que nas suas opiniões boçais e vingativas demonstram à saciedade que Hitchens tem razão quando aponta a religião como um perigo contra a própria civilização. Mas fui agradavelmente surpreendido com um artigo curto mas objectivo do Christian Post sobre a morte do ateu, mostrando que nem todos os crentes carecem de desportivismo e de valores Humanistas como o reconhecimento do direito ao livre pensamento, à opinião e à sua livre expressão.

A minha opinião sobre as religiões é que estas de facto têm um potencial de perigo extremamente elevado, tendo este potencial sido concretizado inúmeras vezes como a História cabalmente demonstra, mas também penso que é justo reconhecer que muitas pessoas são intrinsecamente boas e que é através da sua associação à religião que encontram forma de transformar a sua bondade em resultados práticos, ajudando outros.

Quanto à dimensão de deus, o que eu estranho é que muitos crentes não se apercebam quão pequenino e mesquinho é o deus em que acreditam. Ou seja, quando se regozijam com a morte de um ateu porque finalmente vai ser confrontado com deus e, seguramente, castigado, estão na realidade a passar um atestado de menoridade ao deus em que acreditam. Acreditam num deus vingativo, que toma nota do que as pessoas, no seu livre arbítrio, pensam e fazem, para depois as castigar quando estas acabarem o seu percurso na "vida terrena". Acreditam num deus que castiga a honestidade intelectual de quem não baseia o seu raciocínio num conjunto de dogmas datados e desajustados do actual estado civilizacional, mas antes na observação dos factos tal como se lhe apresentam, no estudo do comportamento humano, da História ou da Ciência. Acreditam num deus que castiga quem tem o desejo de conhecer mais da realidade que o rodeia, das regras que regem o funcionamento de todas as coisas e que não aceitam pretensas "verdades definitivas" escritas em livros recheados de histórias da carochinha.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Não há p'rái uma ilha deserta?



Às vezes ponho-me a pensar se ainda existirão pequenas ilhas desertas capazes de sustentar uma pessoa até ao fim dos seus dias. Teria de ter água limpa, animais, peixes e frutos. Não esquecendo uma boa ligação à net, claro... Não, agora a sério. Por vezes sonho com uma estadia forçada numa ilha deserta. Um dia a dia dedicado à sobrevivência, à criação de um abrigo, à exploração do ambiente circundante, à construção de ferramentas, armas de caça, ao fabrico de roupas e utensílios para cozinhar, etc. Quanto mais exótica for a ilha, maiores os riscos. Animais perigosos, doenças, frutos venenosos e tempestades são riscos associados a uma situação de sobrevivência numa ilha que podem tornar a vida muito complicada. E pequenas coisas ainda mais simples podem significar o fim. Por exemplo, um corte infectado, uma reacção alérgica. O filme "O Náufrago" (Cast Away de Robert Zemeckis) ilustra bem a situação quando Chuck Noland (Tom Hanks) se vê obrigado a arrancar um dente com ferramentas cirúrgicas de precisão (um patim de patinar no gelo e um calhau da praia). Mas de todos os riscos não sei se a solidão não será o maior. Será que a ausência de contacto humano levaria qualquer pessoa à loucura? Será que numa situação destas uma depressão pode sobrepor-se ao instinto de sobrevivência? Será que um náufrago pode pura e simplesmente desistir de viver, parando de se alimentar até a morte chegar?



Chuck Noland minimizou a solidão imaginando Wilson, um companheiro fictício materializado com a ajuda de uma bola de voleibol que um dia acabaria por se furar. Chuck chegou mesmo a discutir violentamente com Wilson e a cortar relações com ele. Algo de que rapidamente se arrependeu.



Voltando aos pormenores práticos, o fogo não é essencial, mas ajuda muito. A comida cozinhada é mais segura, permite ferver água e aumenta a segurança contra animais selvagens. Mas fazer fogo nem sempre é tarefa fácil.

Um náufrago estaria perante muitos desafios, mas será que conseguiria chegar a velho?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Menos um ditador

42 anos de ditadura acabam da pior maneira para Muhamar Kadhafi. Os rebeldes aplicaram ao ditador o mesmo tipo de tolerância e justiça com que este governou a Líbia. Não foi bonito, mas Kadhafi não esperaria com certeza que o fim pudesse ter sido outro. Disse que lutaria até ao fim e quase cumpriu a sua promessa. Morreu sem glória, numa poça de sangue, um espectáculo deplorável que se espera não seja um indício da futura Líbia democrática.

domingo, 16 de outubro de 2011

Conversa fictícia

Há uns tempos atrás decidi passar a andar nu em casa. O meu emprego obriga-me a andar todos os dias de fato e gravata e senti que podia extravasar um pouco libertando o meu corpo de qualquer constrangimento. E seria uma maneira de juntar o útil ao agradável. Ultimamente tenho sentido os testículos demasiado quentes e a exposição ao ar seguramente me faria sentir melhor. De maneira que um dia cheguei a casa, como de costume depois da minha mulher e dos miúdos:
- Vou mudar de roupa - disse eu.
- Ok.

Em vez de despir a roupa do trabalho e vestir a usual t-shirt rota com os costumeiros calções manchados, despi tudo. Voltei à cozinha para fazer o jantar.
- Vais tomar banho?
- Aaaah... não, por que é que perguntas?
- Não estás a pensar fazer o jantar todo nu?!
- Não estou?
- Mas a que propósito?!
- Oh mor, preciso de liberdade. Passo o dia todo com aquela gravata sufocante ao pescoço. Assim nu sinto-me um como um enforcado que conseguiu fugir no último instante. Sinto-me liberto!

Olhou para mim, saiu da cozinha e voltou com uma toalha da cara.

- Toma.

Fiquei a olhar para ela com um olhar expectante.

- Sim?
- Tens de andar sempre com esta toalha.
- Para quê?
- Sempre que te sentares tens de te sentar em cima da toalha.
- Oh mor, então eu livro-me de uma grilheta e tu queres pôr-me outra?!
- É uma solução de compromisso! Achas que eu gosto que andes para aí com tudo a abanar pela casa toda?! Não viste aquele episódio do Seinfeld? (1) Há nu bonito e nu feio. Um homem a cozinhar todo nu com a pila encostada à bancada da cozinha cai na segunda categoria!!!
- Não percebo essa súbita preocupação com a possibilidade de o meu rabo assentar no sofá da sala. Já mocámos éne vezes no sofá e não me lembro de te ter ouvido "Espera mor, deixa pôr esta toalha por baixo, por uma questão de higiene."
- Mas o que é isso, mocar?
- Oh! Sexo, foder!
- FAZER AMOR!!!!
- Pronto, tá bem. Já "fizémos amor" éne vezes no sofá e não me lembro de te ter ouvido "Espera mor, deixa pôr esta toalha por baixo, por uma questão de higiene."
- Não me interessa! Queres andar nu, sentas-te em cima da toalha!

Ao princípio andava com a toalha na mão. Mas não era prático. Depois atei um cordel à volta da cintura onde pendurava a toalha. Mas era ridículo. Tentei então usar só os boxers. Mas embora os meus testículos se sentissem livres que nem um presidiário em precária, não gostava de os ver espreitar quando me sentava com as pernas um bocadinho mais abertas. De maneira que voltei ao velho conjunto t-shirt rota com calções manchados.

É por causa de coisas destas que volta e meia há um tipo nos EUA que se passa e mata os colegas todos no trabalho.

(1)É verdade, nos dias de hoje os diálogos entre mim e a minha mulher até já têm apontadores integrados. (Voltar)

Este texto foi inspirado pela peça "É como diz o outro" encenada por Tiago Guedes com Miguel Guilherme e Bruno Nogueira.

sábado, 15 de outubro de 2011

All work and no play makes Jack a dull boy


Esta ideia de que aumentar o horário de trabalho vai aumentar a produtividade seria muito interessante se não fosse completamente absurda. Aumentar o horário só pode ter uma consequência: o aumento da desmotivação e do sentido de injustiça. Não é que fosse ainda necessária essa medida para os portugueses se sentirem desmotivados e injustiçados. Passos Coelho já tinha conseguido isso com as suas medidas de ataque à classe média, aumentando o IVA e cortando os subsídios de férias e de Natal. Suponho que nesse campo este Governo seja particularmente meticuloso.

O aumento da produtividade consegue-se de várias formas. Não sendo eu um especialista na matéria, acho que ninguém me desmentirá se disser que os aumentos de produtividade se conseguem com medidas de optimização dos processos e com a motivação dos trabalhadores. Nenhum desses caminhos é fácil ou oferece resultados rápidos. Mas se queremos aumentar a produtividade essa é a única forma. O aumento do horário de trabalho vai ter como único efeito que as pessoas em vez de passarem 1 hora a pensar na hora de saída, vão adquirir o dúbio direito a estender por mais meia-hora esse anseio.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Um projecto essencial



Ouvi hoje na TSF, na rubrica "Mundo Novo", a descrição de uma nova tecnologia com potencial para revolucionar a pesca industrial e com ganhos vitais para o meio ambiente. É uma técnica designada por "Bubble Net"e que consiste em, nada mais, nada menos, que adoptar uma técnica de pesca utilizada pelas baleias corcundas. Estas baleias criam uma parede de bolhas em espiral em torno de cardumes de peixes, impedindo-os de se dispersar. No fim do processo, a baleia apanha o cardume. A técnica "Bubble Net" consiste em criar uma parede de bolhas através de um conjunto de mangueiras e apanhar os peixes através de uma bomba de sucção. Os ganhos podem ser descritos a três níveis:
  • Redução do impacto de outras espécies que ficam muitas vezes presas nas redes e são devolvidas ao mar já mortas;
  • Melhoria na qualidade do peixe pescado através da redução da manipulação e dos danos causados pelas próprias redes;
  • Maior facilidade no cumprimento das quotas para cada espécie, uma vez que passa a ser possível terminar a captura quando uma vez que a quota tenha sido atingida;
Este projecto de investigação e desenvolvimento pertence ao IPL - Instituto Politécnico de Leiria e encontra-se no processo de patenteamento.

http://www.wix.com/bubblenet/promar#!projecto

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Suspender o Magalhães para avaliar os resultados?

Ora aí está algo de que eu não estava à espera vindo deste Ministro da Educação. Tenho uma excelente opinião sobre Nuno Crato, em especial pelo seu trabalho de divulgação científica a que tenho assistido ao longo do tempo. Nunca fui um espectador assíduo do programa Plano Inclinado, mas dos poucos que vi em que o Nuno Crato participou, tenho a ideia de que sempre apresentou as suas ideias de uma forma equilibrada e ponderada. Estou de acordo que o caminho de facilitismo seguido nos últimos anos vai ter sérias consequências a curto e médio prazo e que o uso de máquinas de calcular até pode ser parte desse problema. Dá-me a volta ao estômago (calculo que a ele também) o trabalho que tem sido feito ao nível da avaliação dos estudantes que basicamente consiste um proibir os professores de os chumbar com o objectivo de fazer os meninos passar o mais depressa pelo ensino obrigatório para finalmente podermos melhorar as estatísticas e mostrar à União Europeia. Estou de acordo que as estatísticas podem parecer bonitas no papel mas que a consequência disso serão gerações inteiras (ou quase) de analfabetos funcionais. Compreendo tudo isso e espero que os próximos governos não insistam no erro, a começar por este XIX Governo Constitucional de Portugal. Mas o que não consigo compreender é que se suspenda o programa de distribuição de computadores Magalhães, uma das boas apostas do Governo Sócrates, com o argumento de que pretendem avaliar os resultados. Gostava que me explicassem que raio de resultados estão à espera que um programa que consiste em entregar computadores portáteis a crianças de 5 anos pode apresentar ao fim de apenas 2 anos!!! Vão ver se os meninos já sabem usar criar pivot tables no Excel? Terão a expectativa que se tenham todos tornado génios da informática de um ano para o outro? Ou será que estão à espera que as crianças já tenham fundado muitas dotComs? Este é um programa, tal como as más opções dos Ministérios da Educação da última década (décadas?), precisa de pelo menos 10 anos para mostrar resultados. Um programa desta natureza iria contribuir em muito para reduzir a info-exclusão. O que se pretende é que esta geração tenha um tal à-vontade com os computadores que estes venham a ser uma ferramenta sem segredos. Tanto quanto eu sei, salvo alguma calamidade que nos leve a todos de volta para a Idade da Pedra, a informática continuará a ser um factor incontornável no futuro. A distribuição dos Magalhães é tão importante para o futuro de Portugal como aumentar o nível de exigência do ensino. Espero que Nuno Crato o compreenda a tempo e que não confunda os computadores com as máquinas de calcular.

sábado, 3 de setembro de 2011

Ad nauseam

Há pelo menos dois romances que já foram explorados ad nauseam e que demonstram uma séria incapacidade da indústria cinematográfica para se renovar. Sim, como provavelmente já devem ter adivinhado, estou a falar do Robin dos Bosques e dos Três Mosqueteiros. O Robin dos Bosques é uma personagem lendária que tem sido explorada em diversas séries e filmes, mas em relação à qual existem referências desde 1420. Foi passada ao formato audiovisual pela primeira vez num filme mudo de 1908, realizado por Percy Stow e com o título de Robin Hood and His Merry Men. Parece o título de um filme de porno gay, mas na altura a produção de filmes devia ser tão cara que provavelmente não existia essa especialidade de pornografia cinematográfica. A Wikipedia tem o registo de nada menos que 47 filmes e 12 séries de televisão, produzidos entre os anos de 1908 e 2011, em que o Robin dos Bosques é a figura central. Os filmes abrangem pelo menos 3 tipos: aventuras, comédia e pornográfico.

O romance Os Três Mosqueteiros foi escrito por Alexandre Dumas "apenas" em 1844. No entanto a dimensão do abuso audiovisual desta obra é só um pouco menor que a da personagem anterior: de 1912 a 2011 existem nada mais, nada menos que 34 adaptações sob a forma de filmes, séries e filmes animados.

Isto para não falar das adaptações ao teatro, à banda desenhada e ainda ao ballet.

Existem ainda outras obras que são muito exploradas, nomeadamente as das personagens Sherlock Holmes, as obras de Jules Verne, entre outras. Mas quer-me parecer que as duas que referi são do mais abusado que se pode encontrar.

Se calhar já chega, não?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Perdidos - O Fim da Série


Terminei de ver esta série fantástica. Embora considere o final à altura do resto da série, não esperava que o fim da série trouxesse um sentimento de paz, de encerramento. Toda o resto da série foi um sufoco de perguntas por responder, cada resposta a gerar mais cinco perguntas, cada episódio acabando sempre com uma injecção de adrenalina, uma sensação de negação, de rejeição por a história só avançar mais na semana seguinte. Habituado a esta sensação contínua, penso que no meu íntimo já me tinha habituado à ideia de que o fim da série seria uma coisa muito mal enjorcada que me deixaria uma sensação de que os argumentistas teriam construído um final à pressa que deixaria muitas pontas soltas e outras mal resolvidas.

É um síndrome típico destas séries. Lembro-me de ver grandes discussões em fóruns sobre os Ficheiros Secretos (X-Files) em que os fãs discutiam que o que verdadeiramente se tinha passado neste ou naquele episódio tinha sido isto ou aquilo. A nítida sensação que eu tinha era que os argumentistas da série não pensavam das perguntas que a série deixava por responder. Ou seja, o subtítulo da série "The Truth is Out There", nunca passou de falsa publicidade. Não há verdade nenhuma porque os argumentistas nunca pensaram nas causas dos mistérios, preocupando-se apenas em criar emoções nos espectadores. O que no fundo também é legítimo: deixavam aos espectadores a opção de imaginar o que entendessem. Mas em Perdidos, os produtores conseguiram concretizar o objectivo de fazer uma série com princípio, meio e fim antes de lhes fecharem a torneira, obrigando-os a deixar a história a meio ou a fazer um fim à pressa, como já vi acontecer em tantas séries. A guerra das audiências é cruel.

Mas voltando aos Perdidos, as respostas chegaram mesmo e o encerramento da série foi extremamente elegante. Achei fabulosa a forma como as personagens se encontram todas na espécie de sala de espera depois da morte que era a realidade alternativa que nos confundiu ao longo da 6ª temporada. A ideia de que cada um morreu na sua hora, mas que todos se encontraram numa vida depois da morte para seguirem juntos para a próxima etapa é muito interessante, dando uma interpretação diferente e mais fácil de compreender da relatividade do Tempo, que já tinha sido explorada noutras temporadas da série. A forma como a morte de algumas das personagens foi representada é também muito comovente. Quando Jin e Sun morrem juntos dentro do submarino, o espectador sente que uma pessoa pode escolher o momento da sua morte. E quando Jack morre olhando para o céu enquanto os seus companheiros sobrevoam a ilha, sentimos que a morte pode ser recebida em paz, com a certeza de que fizemos a diferença. O facto de Vincent, o cão de Walt, encontrar Jack pouco antes da sua morte, permite-lhe ultrapassar o medo de morrer sozinho e torna a experiência libertadora para a personagem e para o espectador. É claro que a série não é perfeita. Com tempo seria muito fácil apresentar incongruências. Mas foi um marco na História da Televisão.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Estrumpfes estalinistas

Segundo Antoine Buéno, as histórias de Peyo sobre os minúsculos seres azuis que nomeou de Estrumpfes (Schtroumpfs no original) são a descrição de uma sociedade estalinista. Esta leitura política dos estrumfes é uma delícia. Valeu uma boa gargalhada. Vou já recuperar os meus livros dos estrumpfes e não me posso esquecer de fazer este enquadramento quando contar as histórias aos meus filhos. Quem diria que esta série podia ser utilizada como introdução à política. Só há uma coisa que me faz confusão. Se o Papá Estrumpfe é a representação de Estaline, quem será a personagem histórica correspondente ao Gargamel, o mau da fita? Torna-se particularmente confuso porque Estaline foi uma besta abominável, mas nas histórias de Peyo, era o Gargamel quem ocupava o seu tempo a tentar destruir a povoação de seres azuis, recorrendo aos mais mirabolantes esquemas. Para o retrato histórico ser mais preciso seria necessário que, volta e meia, o Papá Estrumpfe levasse a cabo umas quantas purgas no aparelho político, deportações para locais remotos e gelados, eliminação física dos seus opositores e invasão de regiões vizinhas. E não me parece que a estrumpfina lhe escapasse...

in Público

domingo, 15 de maio de 2011

Biutiful

Este filme é bom, mas é deprimente comó caralho (caro leitor [ah ah ah], poderá querer pôr um piii por cima do caralho. Dessa forma não se sentirá ofendido pelo termo utilizado). No meio daquela desgraça não conseguia deixar de pensar obsessivamente no que iria acontecer àquelas crianças. Felizmente que à hora a que acabei de ver o filme estava a dar o "O Último a Sair". Deu para descontrair um bocadinho. É difícil criar diálogos tão estúpidos, há que reconhecer o valor aos autores. Aquela do Gonçalo a dizer que estava a comer a não sei quantas que estava cheia de creme e que lhe escapava das mãos como se fosse uma sardinha é genial. E o diálogo todo sobre comer a gorda. Impagável.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Boa música


Costumava ouvir a Rádio Europa Lisboa (90.4 MHz) que, se não estou enganado, era a única rádio em Portugal com programação musical quase exclusivamente dedicada ao Jazz. Também têm alguns programas interessantes de debate, entrevistas e informação cultural. Infelizmente a emissão na net não tem estado a funcionar. Espero que não seja mais uma rádio a preparar-se para fechar. Bom, enfim, mas como essa não tem estado disponível tenho ouvido a Radio Swiss Jazz. Tem uma fantástica selecção musical e, que eu tenha percebido, passa música quase sem parar. Não tem outro tipo de programação que não sejam faixas atrás de faixas de excelente jazz. O único senão desta rádio é o separador com uma voz num americano um bocado forçado. Mas nada neste mundo é perfeito.

Podem ouvir em transmissão contínua aqui.

Deixa lá, Jesus...



... ao menos assim não levamos 4 ou 5 do Porto na final. Mas agora a sério. Dois jogos seguidos em que partimos com vantagem e não a conseguimos conservar? Temos de rever a estratégia? Alterar a táctica de jogo? Não estamos a conseguir motivar os jogadores? Alguma coisa está a falhar. Só uma época não devia ser suficiente para esgotar a capacidade de um treinador.

A propósito disto acho que temos de iniciar um novo ciclo de estabilidade no que diz respeito aos treinadores dos clubes portugueses. Em Inglaterra os treinadores ficam anos à frente das equipas. O Fergusson está no Manchester há 25(!) anos. O Arsène Wenger é treinador do Arsenal desde 1996. São 15 anos à frente do clube. Ganhou todos os campeonatos? Não, mas tem um bom palmarés que nunca teria conseguido se a política seguida em Portugal de despedir os treinadores no primeiro ano em que não conseguem ganhar o campeonato tivesse sido seguida pelo Arsenal.

Agora uma aparte. O CV do Arsène Wenger é impressionante, não fazia ideia: Licenciatura em Eng. Electrotécnica, Mestrado em Economia, fluente em francês (língua materna), alemão e inglês, línguas a que junta o italiano, espanhol e japonês. O historial desportivo também é altamente convincente.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ainda o caso Névoa vs Sá Fernandes vs sentido mínimo de Justiça

Ocorreu-me ao ler a minha primeira entrada relativa ao Caso Névoa o que aconteceria se José Sá Fernandes tem aceite os 200 K que Névoa lhe ofereceu. Ocorrem-me pelo menos duas hipóteses:
1. A tentativa de corrupção era descoberta.

Neste cenário será que José Sá Fernandes podia ser acusado de corrupção passiva? Afinal, seguindo a mesma argumentação que ilibou Névoa, se o Zé não podia beneficiar o Névoa e o primeiro não pode ser condenado por tentativa de corrupção, seguramente que o segundo não podia ser condenado por aceitar ser corrompido. A lógica assim o obrigaria. Se a lógica mandasse alguma coisa, está bom de ver.

2. Sá Fernandes nada fazia porque nada podia fazer

Será que o Névoa iria acusar o Sá Fernandes de fraude? Será que os tribunais lhe dariam razão? Afinal Sá Fernandes teria aceite dinheiro para prestar um serviço para o qual não teria competência. Será que neste cenário Sá Fernandes podia alegar que pensava honestamente que podia ajudar o corruptor incompetente e, como tal era ele próprio um corrompido incompetente? Enfim, que não seria fraude uma vez que não sabia originalmente que não podia ser corrompido naquela instância específica? Será que o tribunal o condenaria apenas a devolver o dinheiro ou nem isso e o Zé podia ficar com o dinheiro para montar a próxima campanha autárquica?

Bandas sonoras no YouTube


Eh pá, é fantástico. Com a funcionalidade de criar listas para reprodução e a variedade de bandas sonoras que existe no YouTube é possível passar um dia inteiro a ouvir músicas de bandas sonoras. Particularmente boa para criar aquele ambiente de isolamento necessário para trabalhar é a da série Battlestar Galactica (BSG). Não a original mas o remake. Esta nova versão fica a anos luz da primeira, o que é evidente a todos os níveis: qualidade dos actores, qualidade da banda sonora, construção das personagens, qualidade do enredo de fundo e, sobretudo, a qualidade dos argumentos. Já nem falo na qualidade dos efeitos especiais e da qualidade da fotografia porque essa comparação não é justa tendo em conta que a produção da primeira série foi iniciada em 1978 (incrível, ainda nem aos anos 80 tínhamos chegado) e a segunda série é de 2004.

Será que daqui a 20 anos vou olhar para a BSG de 2004 como um exercício simplório de ficção científica? A verdade é que já li livros deste género dos anos 60 que ainda hoje mantêm a actualidade. Também é verdade que esse exercício de datação é muito mais fácil num filme do que num livro.

sábado, 9 de abril de 2011

O filtro rosa



Gosto de um homem que insiste na sua versão até ao último fôlego. Sócrates é assim. Afinal a coisa estava a correr tão bem, até íamos ter o "nosso" PEC 4 de que tanto gostávamos e que pensámos com tanto cuidado, quando vêm os maus da Oposição e deitam abaixo o nosso menino. Porque o PEC 4 seguramente que ia conseguir aquilo que os outros 3 não haviam conseguido: acalmar os mercados.

Não há ninguém que tire o filtro rosa dos olhos do homem?

sábado, 26 de março de 2011

Rima, mas também dói

Dizia a minha mulher para o meu filho mais velho - "Se não paras com esse barulhão levas um estaladão". Ao que ele responde: "Olha! E até rima!"

domingo, 20 de março de 2011

Os putos não se deixam enganar


Passavam imagens do Portas a falar no XXIV Congresso do CDS que exibia os seus dotes de oratória, quando reparei no meu filho de dois anos e meio. Olhava para a televisão com o sobrolho franzido, visivelmente desconfiado. O diálogo que se seguiu foi curto mas esclarecedor:
- "Filho, este senhor é bom ou é mau?"
- "Mau!"

E pronto, heis como através de um olhar puro e livre de influências podemos conhecer o íntimo dos nossos políticos. Estou a pensar consultá-lo antes das legislativas. Estou desconfiado que seguindo este processo vou ser obrigado a votar em branco.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sai o KDE, entra o XFCE

O meu portátil já tem mais de 4 anos e começa a dar mostras de algum cansaço. Há pouco mais de um ano tinha descartado o Windows XP como ferramenta de trabalho uma vez que se estava a mostrar demasiado pesado. O computador arrastava-se e a ventoinha estava sempre a ligar. Por vezes chegava a desejar temer que o portátil levantasse voo e fugisse pela janela. A verdade é que o Windows XP não é o único culpado da falta de desempenho. O meu portátil é um Dell Latitude D531, comprado em tempos de vacas magras. Foi uma pechincha e eu recebi aquilo que foi pago. A placa gráfica é uma desgraça, o que é evidente sempre que tento ver um filme no YouTube que seja um pouco mais longo. O resultado é invariavelmente o disparar da ventoinha e ao fim de alguns minutos o filme começa a ser mostrado imagem a imagem. Deveras enervante. A compatibilidade da placa de WiFi não é propriamente famosa, o que se tornou claro quando tentei instalar o Kubuntu em dual boot. Primeiro que conseguisse ter rede sem fios foi o cabo dos trabalhos.

Como medida profiláctica (no que diz respeito à minha sanidade mental) acabei por adoptar o Kubuntu como sistema operativo primário. É claro que continuo a precisar do Windows XP para algumas tarefas. Para isso tenho-o instalado como sistema operativo secundário em arranque autónomo e ainda como máquina virtual dentro do Kubuntu. Escolhi o Kubuntu e não o Ubuntu porque gosto do KDE mas do Gnome nem por isso. E durante pouco mais de um ano utilizei esta configuração com algum alívio. Mais recentemente as coisas começaram a piorar em termos de desempenho e consegui um aumento da RAM para 4 GB. Melhorou mas não resolveu a coisa.

O passo que acabei por tomar, em desespero de causa enquanto não me substituem o portátil, foi instalar o XFCE, um gestor do ambiente de trabalho alternativo ao KDE e ao Gnome. É certo que não é tão bonitinho como o KDE. Não tem transparências, nem efeitos especiais quando se muda de área de trabalho. Mas a verdade é que vi uma verdadeira melhoria no desempenho. Verifiquei uma aceleração claramente perceptível em todas as aplicações que normalmente utilizo. Vai requerer alguma habituação, mas parece-me que vai valer a pena.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quando os presidentes e os candidatos batem no fundo

As campanhas eleitorais não costumam agraciar-nos com momentos de elevação dignos de nota. Muito pelo contrário, o que não falta são exemplos que nos envergonham. Mas quer-me parecer que hoje dois dos candidatos, um deles o próprio Presidente da República (PR), deram exemplos do que é bater no fundo. Penso que estes exemplos são dignos de referência numa cadeira de marketing político como algo a evitar. Cavaco utilizou-se da actual situação de crise para apelar ao espírito de poupança dos portugueses. Segundo Cavaco, uma segunda volta na presidenciais representaria um custo a que o país não se pode dar ao luxo. Ou seja, votar em Cavaco é um dever patriótico em prol das Finanças deste Portugal endividado. Será que Manuela Ferreira Leite faz parte da eq1uipa de conselheiros de Cavaco? É bonito ver um direito basilar da democracia como um exercício de poupança financeira. Só demonstra a falta de cultura democrática do actual PR. Demonstra também, como se de mais demonstrações necessitássemos, que Cavaco não serve para Presidente. Pegando no argumentário de Cavaco eu proponho uma forma de tornarmos as eleições ainda mais baratas: vamos eliminar o direito de voto e realizar as eleições através do sorteio do Totoloto. Cada candidato à Presidência apresenta uma selecção de 12 números. Aquele que acertar em mais números no Totoloto ganha. Se houver empates repete-se o processo no fim de semana seguinte só com os empatados. A Comissão Nacional de Eleições só teria de consultar os resultados no sítio da Santa Casa. Penso que é evidente a poupança que este processo traria para o Estado.

(Ler mais neste artigo do Público)

O segundo exemplo de um candidato a bater no fundo foi dado por Fernando Nobre. Num momento de clarividência duvidosa, Fernando Nobre referiu que "as suas fontes" lhe garantiam que nos próximos dias as coisas iam levar uma grande volta. Referia-se aos resultados das sondagens que indicam a vitória de Cavaco à primeira volta. Mas segundo as "fontes" de Nobre, este conseguiria ultrapassar Alegre e disputar a segunda volta com Cavaco. Que fontes serão estas? Alguém próximo de Deus? Ou será alguém que conhece os autores das sondagens e que sabe que estas foram manipuladas para esconder a verdadeira pujança da campanha de Fernando Nobre? [nota: teoria da conspiração descarada] Será que Fernando Nobre se apercebe do ar desesperado (e ligeiramente tresloucado) que transmite quando se refere sucessivamente às suas "fontes" como se conhecesse alguém que conhece as verdadeiras intenções dos eleitores portugueses?

(Ler mais neste artigo do Público)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um novo super-herói

O meu filho está a demonstrar um jeito especial para inventar super-heróis. Não sei se o mundo estará preparado para...

DIOGO NEGRO
O Martelão da Força da Justiça


Tan-taram!!!

domingo, 17 de outubro de 2010

Continuamos à espera do D. Sebastião


Perante o fim do mundo (enfim, de Portugal) tal como o conhecemos, não falta quem defenda alterações ao regime político do país. Uns falam num regime presidencial, outros em nada mais, nada menos, que transformar o país numa monarquia. Imagino que defendam uma monarquia constitucional, mas não vou jurar. Mas passa tudo pelo mesmo. O regresso de D. Sebastião numa manhã de nevoeiro que virá ajudar a Nação na sua hora mais negra. Mas o problema do país não é o modelo do regime mas sim a falta de qualidade dos governantes. Ninguém vislumbra um rumo que leve o país a produzir mais e simultaneamente reduza o peso do Estado libertando os portugueses de tanto imposto. O grande problema deste país é que os seus timoneiros se esqueceram das lições e inovações da época em que fomos grandes. Os Descobrimentos nunca teriam acontecido se nos tivéssemos limitado a navegar à vista. E este país não tem feito outra coisa senão navegar à vista.

Este país não tem futuro?

Perante este cilindro compressor que é o orçamento de Estado em vias de ser aprovado, sinto-me como se estivesse à beira de um precipício. Olho para a minha esquerda e para a minha direita e vejo todos os portugueses com os pés a escorregar para o abismo. Bom, não exactamente todos. Há alguns que vão calcando os outros, desta forma ganhando uma distância considerável da beira do precipício.

Este país é como que um passageiro de um comboio em que entrou a meio do percurso. Mas como tantos outros comboios, mais passageiros vão entrando. Estranhamente os novos passageiros vão avançando nas carruagens, empurrando Portugal para vagões sucessivamente mais atrás. Se tudo correr bem, a viagem deste comboio não tem fim. Tem uma direcção mas não um destino. No entanto, para alguns dos seus passageiros a viagem pode terminar. Será que Portugal avançará tanto na direcção contrária que acabará por cair da última carruagem para o meio da linha?

domingo, 26 de setembro de 2010

Quem mente?

Ganda azar, ó Sócrates. Ou tu ou o Passos Coelho mentiram. Não há ninguém para corroborar as respectivas versões. Um diz: "Mentiu. Não volto a falar com ele sem testemunhas". O outro diz "Trata-se de um ataque pessoal inadmissível, intolerável" ou vá, alguma coisa desse género, é irrelevante. Pede-se a Portugal que decida: "em quem é que acreditam, no gajo que vos tem vindo a chular através dos impostos porque não tem tomates ou competência para reduzir a despesa do Estado. No gajo que foi envolvido em vários casos de contornos duvidosos e que foram encerrados sem seguirem um processo defitivo? Ou no no outro tipo que está agora à frente do PSD?" Eh pá, hmmm, deixa-me cá pensar um bocadinho... (1 segundo) No Passos? Sócrates, até podias falar a verdade o resto da tua vida, já esgotaste o teu crédito de credibilidade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Abananado

Porque é que as pessoas por vezes ficam abananadas mas nunca ficam aperadas ou amaçanadas? Será falta de versatilidade frutícola?

domingo, 29 de agosto de 2010

O nosso subconsciente

O nosso subconsciente faz coisas divertidíssimas. Há um amigo meu em relação ao qual mantenho uma suspeita de anos de que será homossexual. Apenas conversei sobre o assunto com a minha mulher que partilha a minha opinião. Mas não é uma coisa sobre a qual tenha alguma vez conversado com amigos comuns. Para ser mais preciso ele parece-me ser assexuado com uma tendência homossexual. Hoje à noite sonhei com ele. Eu e a minha mulher tínhamos um evento qualquer marcado e fomos ter a casa dele. Enquanto esperávamos que ele se despachasse passaram três vultos a correr num corredor de uma das portas. Poucos segundos depois aparece o meu amigo, todo nu. Sem dizer nada foi buscar umas cuecas à divisão onde estávamos e correu novamente para fora. Depois apareceu um segundo indivíduo, também nu. Fiz um ar simpático e cumprimentei-o, ignorando o facto de estar nu. Ele, com aquele ar de quem pede desculpa, foi buscar uma peça de roupa e também fugiu. Nessa altura pensei para mim que seria essa a causa do estranho comportamento que esse meu amigo tem vindo a demonstrar. Ou seja, teria arranjado um namorado o que lhe roubaria o tempo para outras actividades. Apesar de estar desempregado tem recusado convites para almoçar, meus e de uma amiga comum, apresentando desculpas esfarrapadas. Primeiro disse que tinha a agenda completa e na semana seguinte sugeriu que, estando eu a preparar-me para entrar em férias deveria seguramente ter muitas coisas para fazer e provavelmente não me dava jeito ir almoçar com ele. É uma desculpa fantástica. Bom, mas voltando ao sonho depois de os namorados (?) se terem vestidos fomos para a sala onde nos aguardava uma outra surpresa. Jô Soares, outro homossexual assumido (acho), fazia parte do jantar. Que sonho estranho.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O fim de uma certa treta



Acho que o maior elogio que posso fazer ao António Feio é que ele me proporcionou muitas horas de gargalhadas. E isso não tem preço. Obrigado, António.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Protestos dos agricultores

Após 2 semanas de protestos contra a política agrícola do Governo, os agricultores desistiram dos protestos mais convencionais como manifestações em frente ao Ministério. Em alternativa, numa operação digna de um comando de elite, foi formado um cordão de segurança, montada uma bateria de catapultas artesanais, catapultas essas que foram carregadas com estrume. Devido à amena temperatura que se fazia sentir, muitas das janelas do Ministério encontravam-se abertas...

domingo, 13 de junho de 2010

Great minds...

Uau... acabo de ler a crónica do Ricardo Araújo Pereira (RAP) da Visão de 24 de Abril e constatei que é sobre o "Caso Névoa" e que segue um raciocínio exactamente igual ao do meu texto de 1 de Maio. Névoa não é corrupto tão só porque foi incompetente. Apesar de o meu texto ser posterior ao do RAP, juro que não o li o dele antes de escrever o meu.

Este país não é para corruptos

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Plágio...

"Ainda sou do tempo em que eram as crianças que comiam papa e não o contrário"

...do Lado B de 9 de Maio de 2010, do Bruno Nogueira.

BUAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAH :-)

sábado, 1 de maio de 2010

A corrupção tem pré-requisitos

Este caso da absolvição em segunda instância de Domingos Névoa da acusação de tentativa de corrupção de um vereador da Câmara de Lisboa adapta-se que nem uma luva ao país que temos. Penso que em vez de andar meio Portugal escandalizado com a anulação da sentença devíamos todos respirar fundo por a nossa Justiça reflectir tão perfeitamente este rectângulo ibérico. Disseram os juízes da Relação que "os actos que o arguido (Névoa) queria que o assistente (Sá Fernandes) praticasse, oferecendo 200 mil euros, não integravam a esfera de competências legais nem poderes de facto do cargo do assistente". De certa forma até percebo esta leitura da Lei. Afinal, Névoa poderia até ter tido a intenção de corromper alguém para atingir um determinado fim. Mas ao tentar corromper alguém que não lhe permitiria atingir o fim pretendido, a tentativa de corrupção não passou, afinal, de uma intenção. Ora toda a gente sabe que em Portugal não se movem processos de intenção. Não contou, portanto. Quando Domingos Névoa saiu do tribunal após a segunda sentença deveria ter afirmado "Sim, é verdade que tentei pagar ao Sá Fernandes para ele agir em meu benefício no exercício das suas funções. Felizmente enganei-me no funcionário da Câmara. A única coisa de que me podem acusar é de ter tentado estoirar 200 mil euros do meu dinheiro para nada". Penso que no fundo o que o safou terá sido a incompetência ou a ignorância. Se os tribunais desatassem a condenar os incompetentes, este país estava em maus (piores) lençóis.

domingo, 11 de outubro de 2009

Autárquicas: o Yin e o Yang compostos pela corrupção e pela Justiça

Sinto-me triste com a re-vitória do Isaltino em Oeiras. Palavra, Portugal é um país de gente curiosa. Tenho a certeza de que a maior parte das pessoas que votou no Isaltino deve ter participado em conversas de café em que se terão referido ao autarca como corrupto, que se anda a encher às custas da Câmara e dos negócios com os construtores. Durante anos e anos isto não passava de conversa de café apimentada pelos "casos verídicos" que uns iam contando aos outros por via do tio da sobrinha do cunhado de um amigo da senhora do talho que é conhecida do senhor das castanhas cujo primo é homem de confiança de um construtor e que sabe muito bem que o Isaltino terá recebido um apartamento pela licença de construção de um bloco de 4 edifícios. Durante anos e anos isto não passou de conversa de café e Isaltino lá foi ganhando e trabalhando e ficando mais rico. E fez de Oeiras um dos melhores concelhos para se viver em Portugal, é bem verdade. Durante anos e anos os eleitores de Isaltino vociferaram contra os corruptos que nunca vão a julgamento e os que vão mas que obviamente nunca são condenados. Porque em Portugal só os pobres vão presos. Mas em 2009 há um grande que finalmente é condenado. E é condenado a pena de prisão efectiva, de nada mais nada menos que 7 anos, suspensa apenas por interposição de recurso. Agora que podemos todos dizer que Isaltino é corrupto sem o risco de sermos processados por difamação, o que faz o eleitorado Oeirense? Volta a eleger o corrupto. Porquê? Porque o Isaltino pode ser corrupto, mas é o nosso corrupto. Nós, os de Oeiras, graças a esta condenação temos um luxo que muitos outros não têm. Temos a certeza de quem temos à frente do nosso Município. Temos um corrupto que tem feito obra.

Curiosamente, a Fátima perdeu a Câmara de Felgueiras. E isto é tanto mais curioso quanto, ao contrário do que aconteceu com Isaltino, a Fatinha conseguiu uma clara absolvição no processo do saco azul. Não faço ideia da competência da Dª Fátima como autarca, será que não é grande? Será que após todo o folclore do julgamento, da fuga à prisão preventiva, do regresso, recandidatura, reeleição e absolvição, a Fátima perdeu a inspiração autárquica e o amor dos felgueirenses? Ou será que depois de absolvida deixou de ser elegível? Afinal, quem é que quer um autarca que não é corrupto? Sobretudo um que não foi condenado a pena de prisão efectiva?

P.S.: Faço questão de esclarecer que não votei no Isaltino. Caso ainda não fosse evidente.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Just waterboard them all!



Following Techsassy's twit on a Playboy video where a reporter let's himself be waterboarded, a thing or two came to mind. First, by reading the comments made by most of the readers of that post, I get the distinct impression that the possibility that at least some of the waterboarded guys are not necessarily terrorists (as in "innocent of the accusations"), never even crosses their minds. The reason why there is a judicial system is because civilized societies have developed this expensive and (in the case of Portugal, at least) time consuming process to determine the guilt of people accused of crimes. In the Middle Ages, which some people for some reason call the "Dark Ages" (imagine ominous music playing while you read those two words), they had a much more expedite process to determine the guilt of people. The suspects' arms and legs would be tied and they would be thrown into a lake. The guilt or innocence would be determined by capacity of the accused to float. Their investigation methods must have been very good at that time because that process usually confirmed the suspicions.

Another thing which came to mind is that what the video demonstrates is, and I can only imagine, a very soft version of the waterboarding technique. For one thing, the reporter had the control of the situation. He could stop whenever he wanted to, which, in that case, was something like after 6 seconds. For some reason I don't think that the nice interrogators in the US Armed Forces would stop after just 6 seconds. Another thing that comes to mind is that only a bit of the process is shown. Terrorism suspects are waterboarded for the acquisition of intel. So I'm going out on a limb here and risk saying that the technique (torture) will be restarted as many times as needed until the subject babbles something that might be of interest to the tort... I mean, "intel acquisition specialists". So, for this demonstration to be closer to reality what should have been done was to try to get him to confess something. And I'm particularly curious to know how many times they would have to waterboard the reporter before getting his confession that he was the guy on the grassy knoll. Not so curious that I'm willing to let myself be waterboarded, mind due. I'm also left wondering how do the interrogators decide that they have the wrong guy. Because both the terrorist and the innocent will surely start by saying they don't know the answers to the questions. Maybe the trick is to see who keeps saying he doesn't know the answers after, let's say, twenty plunges.

Many people argument that waterboarding is not a form of torture because it doesn't inflict physical pain. Without even going into that, I would point out that United Nations Convention Against Torture's definition of torture includes severe mental suffering. I'm only guessing here, but I'd say that if the process is repeated over and over, severe mental suffering is more or less guaranteed. Again I'm guessing, but I'm pretty convinced that the subjects of real waterboarding will almost certainly suffer from post-traumatic stress disorder.

Now, I don't want to be unfair to the reporter. His aim was not to replicate the conditions under which terrorism suspects, or any other, are subject to waterboarding. He just wanted to be able to explain as best as possible what does a person who is waterboarded feel. So my own aim with these words is only to debunk the arguments of those who would use this video to argument that waterboarding is not torture.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Note to self on GMail

I recently added some very simple filters to GMail that will help me use it as a memory enhancer in a much better way then just simply sending mails to myself. GMail's filters allow you to automatically execute a number of tasks. So what I did was to create a filter which will add a "Book" tag to any mails received with "Book:" on the subject, mark the message as read and archive it. Mails that I send to myself with mentions of books are not for immediate action. I just want to register somewhere that I found an interesting book that I may want to buy someday. So it's ok just to archive those mails with a tag. For notes to self or tasks I have a simpler filter. It just adds the corresponding tag but the mail stays in the Inbox.

Now that I'm thinking about this simple hack it starts to make sense to create an Ubiquity command to extract the relevant information from an Amazon page and send the message to myself. Have to relearn how to program Ubiquity commands since there were changes to the parser engine.

Gotta stop multitasking. You should too.

Yesterday I was listening to the excellent BBC Science in Action podcast and on of the pieces was with an investigator who is writing a paper about multitasking. If I remember it correctly, the study started because of his perception as a teacher that many people, including his under-graduate students, are pressed into multitasking. Either on their jobs or on their leisure times, people increasingly multi-task through their lives. This was puzzling because every psychology study written on the subject to this day seems to clearly state that the human brain can't multi-task. It's not physiologically prepared for that kind of processing. So he (and a team, I think) started comparatively studying high and low multitasking individuals. He identified three characteristics needed for multitasking and compared the test subjects on them. The characteristics are:
  1. Ability to filter irrelevant information - this should be one of the main characteristics for a multi-tasker. When provided with different sources of information the perfect multi-tasker should be able to discard irrelevant information and concentrate on the most important data.
  2. High capacity to change between tasks - changing from one task to the other should be a fast and effortless process.
  3. Using good mental sorting, storage and accessing strategies and capacities - since information is gathered from different sources, the perfect multi-tasker should be able to mentally sort and store that information in "brain cabinets" and should also be able to find and access that information in a fast and efficient way.
Now, funny enough, when comparing the heavy multi-taskers to the serial-taskers, the second group evidenced better ratings at all the three multitasking required characteristics. This means that heavy multi-taskers are terrible at multitasking. And this raises some interesting questions. If people are so bad at multitasking, why do they do it? Since they can't really do things faster by multitasking, do they get some other rewards instead? Do they get pleasure from the constant flow of information without even a reasonable processing of that information? And many more interesting questions he must have thought about, I'm sure.

After listening to that podcast I thought about how it applies to me. It's true I've been adopting a more multitasking posture. I'm reading mails, twits, looking for articles, following links. Looking back a bit, I think I need to change my stance towards Twitter. Many times I end up reading a number of articles for which I don't really care about. It's like since I've been made aware of a certain article I feel a certain obligation to read it. Which is silly, of course. Another thing that is worrying me is that I've been feeling a certain degradation on my mental capacities. For instance, last Monday something funny happened to me. I had this DVD to return to the rental club. I should also get the groceries that my wife had left in the car. I take these opportunities without the wife and children to get up-to-date with my podcasts so, before leaving, I set up the headphones on my HTC and started a podcast. Half the way driving to the DVD rental I look down to the passenger seat. Hmm... so where's the DVD I should be returning? I turn back, get the DVD, walk to the rental only to find out that it closes at 2300 hours. Great, not only did I spend the diesel for nothing, now I'll have to pay double for the rental. I drive home, park the car in the garage, take the elevator, open the door.

- Didn't you return home a while ago? - asks my wife.
- Yeah (grumble).
- Don't tell me you forgot the DVD?
- Yeah (grumble).
- Oh. I thought you had gone back to get the groceries...
- OH FOR CRYIN' OUT LOUD!!!

So, I had two tasks to perform and ended up forgetting about them both. I didn't forget about my podcasts, though. I got the impression from the BBC podcast I mentioned, that, not only does multitasking not help in accomplishing more tasks done in less time, it might even hurt our brains. In face of this I think I'll adopt the following measures:
  • Change my current policy on mail checking. This means lowering mail priority;
  • Really rethink my usage of Twitter. I don't really need a social network and I definitely can get the good articles I get through Twitter by using other, less attention intensive means;
  • Try to concentrate more on single tasks.
Hopefully I'll be able to increase my short term memory performance, which has been scary for some time now.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

5 year olds know something about economy too



The other day I arrived at home and my wife says to my 5 year old: "so, tell your father what you have done". And the boy goes "I traded a Hot Wheels car for this card". I could not believe it! It's the second time he has traded something on his own initiative and both times he was ripped off. By another 5 year old. The first time he traded a Gormitti figure for another one of these awful looking Magic cards which was an equaly bad deal. And then I was explaining him why that was bad business: the car costs € 2.50 but a card comes in a 5 card package for 1 € or something. He got a bit upset because I think the chip finally fell so he was saying he was going to trash the card and was going to get the car back and so on. We calmed him down and I didn't give it another thought. But apparently he did. So, later on in the day he explains his mum why it was a good deal after all. His reasoning was that he didn't have many of those Magic cards, cause we never bought him any, but he had loads of Hot Wheels. So it made sense to trade something of which he had many for something he had almost nothing. And that actually makes economic sense... I think.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ray Bradbury to Yahoo: "To hell with the Internet!"

Sci Fi Wire tells us about Ray Bradbury's reaction to Yahoo's proposal to put a book of his in the net. Apparently his answer wasn't as polite as one could expect, and I quote "To hell with you. To hell with you and to hell with the Internet." Apparently Mr. Bradbury has very strong feelings about the Internet. It took me some minutes to digest his reaction. Mr. Bradbury sees the Internet as a very real threat to the public libraries system. And perhaps with some reason. But the vehemence of his reaction led me to think a bit more about the subject. Mr. Bradbury is not like some old people who don't really know what the Internet is about. He actually does. I think that, in his mind, the Internet is an incarnation of the fire-fighters in "Fahrenheit 451". The Internet will ultimately be the match which will set fire to all the books. He seems to be afraid that books in their paper form will be consumed by it. That would explain why he feels so strongly about the subject. Although, and since psychiatry wasn't part of my academic life, I could be completely wrong. There's a very high probability of that.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Immediacy: addendum

Something very important I neglected to mention on yesterday's post. One of the insidious aspects of Twitter's immediacy is it's luring aspect. The engine that Twitter so cleverly assembled bombards it's users with a continuous stream of news, thoughts and feelings. It's so easy to just sit there under the pouring letters. Sure, you can retweet (RT) some, tweet back some others. It's like a magnet, like the call of the sirens that led sailors to death by drowning. You're always waiting for the next interesting thing. A new article, a new joke, instant news, whatever. And while you look at this continuous stream of letters you're actually not producing. And I'm not even talking about the work you get payed to do (yes, sure, that's what makes the world go round, but this text is about something else). I'm talking about taking those thoughts out of your head and say your piece, build knowledge, add a new, even if only slightly, point of view of things. I'm talking about releasing your creativity and provide it with a solid bridge to cross over to an humanity-accessible medium. 140 characters is kind of flimsy.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Immediacy

This is my first text in English in this blog. My previous policy regarding this blog was to write in Portuguese (PT-PT). When I created my Twitter account I decided to follow an language-flexible policy. Portugal related entries I write in Portuguese, otherwise in English. This may not work that well for international readers, but I think it works fine for Portuguese Internet dwellers. And anyway, I'm not exactly trying to captivate a network of followers so I'll do as it damn well pleases me. One thing that has always amused/surprised me was how one so easily falls into a set of self defined boundaries in terms of the published contents. One of the reasons this blog is anonimous is because when I created it I decided that I would write about anything I wished. So I would write about social issues, politics, movies, whatever, as pretty much everyone does, but I would also write the most pornographic stories that came to mind. Well, if you (an eventual reader of this blog entry) cares to take the effort of googling this blog you'll find exactly zero entries with such content. Why? Was it because no pornographic issues crossed my mind in more than 2 years of blogging? Well, nothing couldn't be further from the truth. I think that the main reason is that as time passes and you start getting regular visits from other bloggers you sort of don't feel comfortable showing them that side of your mind. So you unconsciously define a set of rules and just follow them. It seems to me that the best approach if one wants to have a serious blog and still write about such stuff is to build another persona and another blog and with it a newly created freedom will be available. This is just an opinion, of course. People should do whatever feels right for them.

Well, look at that. I wanted to write about the immediacy of twitter versus the more thought out stage of blogging and I ended up all that as an introduction. Anyway, better late then never. When I started a Twitter account I was pleased by the freedom it offered. I mean, there's a limited ammount of ignorance you can insert in 140 characters. And that sort of protects you a lot. After all, when I used to blog it took me a lot of time to research stuff so that commentators couldn't simply point out a non-fact or a lie. In twitter you don't really commit that much. There is no space for very elaborated thoughts and it's hard to discuss matters with other people. So the 140 characters are pretty much ok for a "what are you doing?" but not very good for "what do you think about the state of the world?". OTOH, Twitter is very good for "what is happening as we speak" while blogging is better for "what is the background of what just happened?". So, all in all, these two tools of the Web 2.0 are complementary. And Twitter is also a very good as a blog promotion tool, so one ends up working as a percursor of the other.

O despertar de um longo sono

Ora aí está. Aproveitando as férias decidi também reactivar o meu blogue que ficou parado no tempo qual Capitão América, suspenso num bloco de gelo. Está tal e qual como quando o deixei, mas sem os efeitos da passagem de 2 anos, 9 meses e 16 dias. Olhando para o blogue quase que esperaria ver os artigos cheios de pó, com espessas teias de aranha unindo os cantos. Mas não. Brilha como se nem um dia se tivesse passado. No entanto o longo sono a que foi forçado trouxe algumas vantagens. As pessoas que o conheciam e me conheciam a mim já se esqueceram que este blogue alguma vez existiu, pelo que posso retomar a minha escrita sem o desconforto de ter, por exemplo, o meu chefe a lê-lo nas minhas costas. Temo no entanto que este despertar seja temporário. A verdade é que, com muita pena minha, fora de férias pouco tempo tenho para escrever.

Decidi ligar esta minha personalidade webiana à minha personalidade twittiana. Vou usar a mesma lógica que uso no Twitter. Artigos relativos a Portugal escrevê-los-hei em português. Artigos de carácter internacional, escrevê-los-hei em inglês. Gostaria que o meu próximo artigo neste blogue fosse sobre Israel, mas é um artigo que quero fundamentar muito bem, o que levará algum tempo. Por isso desconfio que não será esse o meu próximo artigo... aliás, enquanto escrevo isto heis que me surge uma ideia alternativa.

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