domingo, 4 de dezembro de 2016

Tempo livre, livre de culpa

Hoje apercebi-me de que tenho o pacote de DVD dos filmes d'O Padrinho. Já nem me lembrava. Anseio por um tempo em que possa ver os três filmes mais o DVD extra ao ritmo que me apetecer sem sentir culpa. Por não ter ido às compras. Por não ter estudado com os miúdos. Por não ter lido qualquer coisa para o trabalho. Assisti há bocado ao "Alta Definição" com o Ricardo Araújo Pereira. Foi o melhor de sempre, acho. Bem conduzido pelo Daniel Oliveira, muito bem feito editado. Mas sobretudo, o entrevistado era o RAP. É verdade que ouvi muitas coisas que já tinha ouvido antes, mas a consistência e qualidade do discurso é, só por si, um valor impagável. Uma das coisas que o RAP disse foi que os proveitos da publicidade, que aparentemente há quem considere que tenha sido excessiva, lhe compraram tempo. Tempo precioso para fazer algumas coisas que ele nomeou como sendo importantes para si e que não poderia ter feito se, como muita gente, incluindo eu, tivesse um emprego. Faz-me confusão como é que alguém se pode arrogar ao direito de definir para terceiros se uma determinada actividade, legal até prova em contrário, estará abaixo ou acima da respectiva condição. Fazendo uns quantos anúncios, RAP conseguiu a liberdade para escolher como ocupar o seu tempo. Mas para alguns esse tempo que lhe foi pago teria de ter sido aplicado de outra maneira. Mais, deveria ter sido aplicado de outra maneira. Não há paciência. Quem me dera poder trabalhar muito por períodos limitados de tempo para depois poder fazer o que me apetecesse por igual período de tempo. 

sábado, 21 de maio de 2016

Queimem Brian May e Roger Taylor na pira funerária

Fui ontem ao Rock in Rio ver os Queen. Achei a interpretação do Adam Lambert espectacular. Canta muito, é irreverente e tem uma presença em palco extraordinária. Tem espaço para melhorar? Possivelmente. Aquela mania dele dos saltos altos é irritante? Seguramente. Não vou estar aqui a mandar postas de pescada sobre os dotes vocais e musicais do rapaz porque não sou nenhum perito em música. Mas que ele canta comó caraças e rebenta com tudo, ah lá isso ninguém lhe pode tirar.

Acho piada àquele pessoal que o melhor que consegue dizer é que os Queen sem Freddie não são a mesma coisa. A partir daí é sempre a descer. Claro que não são a mesma coisa, e depois? Parece que preferiam ver um espectáculo dos Queen com o corpo embalsamado do Freddie Mercury e alguém a mexer-lhe a boca como se de um ventríloquo se tratasse. Ou, se calhar, Brian May e Roger Taylor deviam ter sido queimados numa pira funerária juntamente com Freddie Mercury, quais viúvas indianas do antigamente.

Adam Lambert é um digno sucessor de Freddie Mercury que ficaria certamente orgulhoso se o pudesse ouvir cantar. The Show Must Go On.

sábado, 14 de maio de 2016

Só pode ser parvo

Sobre as afirmações de Passos Coelho sobre a sua política de "nunca" participar de inaugurações, coisa que, segundo a sua opinião, os Primeiros Ministros não deviam fazer e logo, por maioria de razão, António Costa também não devia fazer, a única coisa que me ocorre dizer é que só pode ser parvo. Custa-me a crer que a intenção dele tivesse sido mentir. Provavelmente não tinha preparado uma resposta e, quando os jornalistas lhe perguntaram porque não ia participar na inauguração, a boca começou a mexer-se mais depressa que o cérebro permitia e foi por aí fora tentando minimizar os estragos através da melhor articulação que conseguia das palavras que lhe saltavam da boca para fora, tal como alguém que escorrega por uma ribanceira abaixo e não consegue parar, a pouco mais pode aspirar do que desviar-se dos obstáculos que se lhe vão apresentando. É claro que se Passos Coelho vivesse na Idade Média, a coisa teria passado, mas hoje em dia há jornais, telejornais, Internet e outras coisas do género e a aldrabice não durou mais que uns milésimos de segundo até centenas de pessoas começarem a fazer um apanhado de todas as inaugurações a que Passos foi, não só quando era Primeiro-Ministro como quando já o tinha deixado de ser.

Esta história lembra-me uma outra na minha família. O meu pai vive num monte alentejano e na altura tinha cavalos. Acontecia que os cavalos andavam à solta e por vezes gostavam de estacionar em frente à porta do anexo onde eu dormia quando lá ia de visita. Na altura comentei que era um bocado chato ter pilhas de poia de cavalo mesmo em frente à porta da rua. E foi então que o meu pai inventou no momento um pedaço de sabedoria popular que ainda hoje uso como piada: "isso não vai acontecer porque os cavalos só cagam onde comem". É claro que na altura foi hilariante e ainda hoje é mentira, mas está visto que quando é preciso arranjar uma desculpa, a boca dispara primeiro e as preocupações com a verdade vêm depois.

A este propósito deixo aqui o apontador para o Não é Mau dedicado a esta afirmação de Passos Coelho que ilustra bem a imbecilidade da mentira.

domingo, 3 de abril de 2016

Carta aberta a Henrique Sá Pessoa

Caro Henrique Sá Pessoa,

Gostava de começar esta carta aberta dizendo que sou fã do seu trabalho na televisão e do seu estilo educativo e pouco espalhafatoso. Não tenho dúvida de que será um dos melhores chefs de Portugal, mas espero que não se considere acima de uma crítica e que reconheça esta como construtiva.

Hoje fui ao Mercado da Ribeira, um espaço excelente, animado e com uma variada e vibrante oferta culinária, onde o meu amigo tem um dos seus espaços de restauração. Como sou grande fã de leitão, que é um animal fofinho antes de cozinhado e extremamente saboroso depois de deixado a repousar num bom e bem quentinho forno a lenha, decidi experimentar a sua Bifana de Leitão Crocante. Tive de esperar 25 minutos pela iguaria, mas não posso assacar culpas à casa dado que o número de utilizadores do espaço comercial em questão era, à hora do pedido, manifestamente grande. O meu primeiro contacto com a sua interpretação de uma bifana de leitão foi bom. 



Como se pode ver pela imagem, não se trata de uma bifana no sentido clássico, ou seja, um bife dentro de uma carcaça, mas sim de cubinhos de leitão em pão de brioche (se calhar é outro tipo de pão, confesso a minha ignorância), pickles (?) e molho agridoce.

Como é expectável, uma vez que os cubinhos de leitão não formam uma unidade coesa, alguns deles caem facilmente para o prato. E foram exactamente algumas destas unidades paralepipédicas que eu primeiro experimentei. Não há como negar, eram extremamente saborosas. Na minha opinião, deve ser difícil falhar com leitão, mas mais uma vez, vou admitir a hipótese de estar errado uma vez que nunca cozinhei nenhum. Mas pronto, pontos a favor. Ao leitão propriamente dito não tenho nada a apontar. Aliás, seria ser mal agradecido, uma vez que o pobre leitão abdicou de uma vida longa e cheia de diversão para que eu e outras pessoas o pudéssemos saborear. O problema foi o que veio a seguir. Não vou dizer que a receita no seu conjunto saiba mal, mas acho que é claramente um caso em que a soma das partes vale menos do que cada uma delas individualmente. A sensação com que fiquei ao saborear todos os ingredientes juntos foi que estava a comer comida chinesa. E que não me interpretem mal, eu sou grande fã de comida chinesa. Mas acho que o pobre leitão merecia melhor sorte do que ver o seu subtil e rico sabor desaparecer debaixo de uma catefrada de outros sabores. Aquela bifana não sabe a leitão! Tem um ligeiro sabor a porco que mal se consegue discernir no meio dos pickles (acho que eram pickles) e do molho agridoce que dominavam completamente o prato. Imagino que a receita se enquadre no conceito de comida de fusão, mas na minha humilde análise, não passa de uma confusão. Para os bifes e outros estrangeiros que não conhecem o Leitão à Bairrada, até pode servir, mas aqui para o je, que já comeu muitas e boas sandes de leitão, menos é mais.

Caro Henrique... Henrique? Está a ouvir-me...? Olha que isto, um gajo a tentar ser construtivo...

sábado, 26 de março de 2016

Da nacionalidade das bancas

Muito se fala actualmente da espanholização da banca. As opiniões parecem dividir-se entre aqueles que acham que o capital não tem nacionalidade e que o mais importante é que seja privado e bem gerido, e os que acham que para manter os centros de decisão no país se justifica nacionalizar de novo a banca com dinheiro que o país não tem. Não sendo eu a favor da nacionalização há alguns aspectos a ter em conta, nomeadamente:
1. Pensar que os bancos são instituições imunes à politica e unicamente orientadas ao lucro não passa de uma ingénua ilusão. Os bancos, como qualquer outro tipo de organização de grande dimensão, são instituições extremamente permeáveis à política, quer interna, quer externa, onde as equipas são geridas de acordo com critérios subjectivos, com directores bafientos e que estagnaram no tempo, muitas vezes coordenadas por pessoas sem a mínima vocação e/ou formação para o fazer, onde o trabalho das pessoas não é reconhecido e as decisões são muitas vezes tomadas por questões de ego. Inclusivamente, pedidos de crédito que qualquer pessoa com um mínimo de consciência relativamente ao que é a capacidade de endividamento rejeitaria, conseguem chegar às cúpulas mais elevadas do poder e ser aprovados única e exclusivamente porque quem os pede tem um cartão partidário da cor certa. 

Em face a isto, pensar que o capital não tem nacionalidade é ter os olhos tapados. Uma coisa é os accionistas poderem ser espanhóis, angolanos ou marcianos, outra bastante diferente é um banco nacional ser absorvido por outro do país ao lado. Quando há fusões, há racionalização das estruturas. Isto significa que existindo duas estruturas semelhantes para os mesmos fins, uma delas será absorvida pela outra e há pessoas que são mandadas embora. E quando chega a hora de mandar pessoas embora, havendo uma posição de força de uma das partes, adivinhem qual é o lado que tem de mandar pessoas para a rua? Outro aspecto que só quem nunca trabalhou em multinacionais é que não percebe é que, quando existem departamentos em que as chefias estão num país e uma parte da equipa está no outro país, quando toca a dividir prémios anuais, há sempre um lado que fica a olhar para a mão enquanto os prémios ficam todos do outro lado. E quando se decide investir, a divisão dos fundos também não costuma ser justa. Para todas as decisões é necessário o ámen de Espanha e por aí adiante.

2. Dizer que os bancos de Espanha são maiores que os portugueses porque são mais bem geridos é hilariante. No mínimo carece de demonstração. Os bancos espanhóis são maiores que os portugueses porque Espanha tem só quase 5 vezes a população de Portugal. É natural que bancos que se formaram e consolidaram num país grande sejam maiores que bancos que passaram por processos idênticos em países mais pequenos. Para além disso há uma série de equívocos nessa afirmação. Primeiro, quem o afirma parece esquecer, ou desconhecer o pânico por que passou a banca espanhola em 2009 quando a bolha do imobiliário rebentou. Por exemplo, o Jornal de Notícias noticiava em ano passado que a banca espanhola tinha 197 mil milhões de crédito mal parado. A banca espanhola também precisou de um resgate, o que é estranho para uma banca que se pretende tão bem gerida.

3. A razão pela qual estamos a discutir a compra do BPI pelo Caixa Bank não é a falta de solidez do primeiro. A União Europeia alterou as regras relativamente ao nível de exposição que os bancos europeus podem ter a determinados países e, azar dos Távoras, o BPI tem uma exposição a Angola superior ao permitido por via do BFA, do qual detém 50,5%. É essa situação que tem de ser resolvida antes de não sei quantos de Abril, data após a qual a UE com o objectivo de consolidar a banca europeia se propõe a cobrar multas ao BPI até este ir à falência ou resolver a questão do rácio de exposição a Angola. O que chegar primeiro. Seria interessante perceber a lógica de colocar um banco europeu nesta posição em que as variáveis para resolução do problema não estão nas suas mãos, mas temo que não seja a lógica o principal delineador das decisões europeias.

sexta-feira, 25 de março de 2016

O violador em série

Era mais forte do que ele. Elas chamavam por ele como um íman atrai um pedaço de ferro. Era a vertigem do perigo e a sua incapacidade para se defenderem que o impeliam para a frente. Aquela inocência, aquela beleza que prometia o paraíso, o risco de poder ser apanhado... tudo contribuía para estimular de tal maneira os seus instintos mais primitivos que tinha dificuldade em controlar-se. Quando se encontrava junto a uma delas sentia tonturas de tal maneira fortes que via a sala a girar à sua volta e temia perder o equilíbrio. Mas disfarçava, tinha de ser forte. Os seus colegas podiam aparecer a qualquer momento e se fosse apanhado seria o fim. Mas ninguém conhecia o seu segredo. Já tinha violado dezenas, centenas e nunca ninguém sequer desconfiara dele. Tinha chegado a altura. Era como se na divisão só estivessem ele e ela e nada mais houvesse em seu redor. Aproximou-se lentamente como se de um leopardo se tratasse. O segredo é atacar quando menos se espera. Apanhou-a por trás e quase chegou ao êxtase quando o seu bafo quente e húmido a fez perder a compostura. Sem qualquer protecção ficou completamente exposta. Nada o podia impedir de concretizar os seus desejos mais obscuros. Ela era sua para fazer o que bem entendesse e ele não se pouparia a nenhum capricho...
- Alto! - apanhado em pleno acto. Virou-se de repente tentando disfarçar o indisfarçável. À sua frente o chefe da repartição dos correios estava acompanhado por uma colega sua que tinha levado como testemunha.
- O que é que tem atrás das costas? - amarrotada, parcialmente escondida na sua mão esquerda estava a carta de um emigrante no Panamá para a sua mãe que vivia numa aldeia da Guarda. Pensou que se deixasse cair a carta poderia argumentar nada saber sobre o assunto, mas a chaleira que tinha utilizado para descolar o envelope não podia ser explicada. Não havia argumentos nem histórias que o safassem. Estava acabado. Limitou-se a olhar para o chão com o rosto coberto de vergonha e a pousar o carta em cima da mesa de trabalho.
- Dª. Maria, é testemunha desta devassidão - os olhos do responsável destilavam ódio, traído que se sentia por um empregado em quem depositara a sua mais completa confiança durante quinze anos. - Manel, está suspenso até nova ordem. Vou-lhe pôr um processo disciplinar e garanto-lhe que tudo farei para que nunca mais possa trabalhar numa repartição dos correios até ao fim dos seus dias. Nunca lhe perdoarei a sua traição! Enquando Manel se dirigia ao seu posto de trabalho para recolher as suas coisas os seus colegas voltavam-lhe as costas. E foi assim que após quinze anos a violar correspondência, Manuel de Vila Verde Romão, filho da terra e outrora respeitado habitante da sua aldeia, atravessou pela última vez a porta de uma repartição dos correios

segunda-feira, 7 de março de 2016

Medo de quê?

Li agora o artigo da Fernanda Câncio e achei que foi um tiro ao lado. Alegar que alguém tem medo de alguma coisa é uma parvoíce. Alegar que não há liberdade de escolha é uma falsidade. Na discussão que se seguiu li pessoas histéricas a contar que lhes tinham perguntado se queriam brinquedo para menino ou para menina como se lhes tivessem perguntado se eram judeus ao mesmo tempo que preparavam a agulha e a linha para lhes coser a cruz de seis pontas na roupa. Vamos lá a ter calma, não há razões para histerias.

Se um pai, sabendo dos gostos do seu filho, perguntar quais são as opções e escolher o My Little Poney para o seu rapaz, acho que ninguém vai chamar a polícia do sexo dos brinquedos e impedir a entrega do pónei piroso ao rapaz. Nem o empregado da McDonalds se vai recusar a dar a caixa do Happy Meal sem pedir para confirmar que a criança tem pipi.

Estou de acordo que não faz sentido que na caixa diga se é para menino ou para menina, mas o problema não é a McDonalds. O problema são as outras crianças. No outro dia a minha mulher contava-me uma conversa que ouviu na piscina onde vão os nossos filhos. Um menino de oito ou nove anos queixava-se à mãe de que na escola os outros meninos gozavam com ele quando ele falava da Elsa e do Frozen. O Frozen é um filme da Disney mais direccionado para o público feminino, daí gozarem com o rapaz. Eu já vi o filme e até achei giro, mas os meus filhos demonstram alguma aversão por ser um filme para meninas. Também é verdade que se estivermos em viagem e não houver alternativa acabam por ver, mas pronto, a rejeição inicial ninguém lhes tira. E garanto que não andei a fazer a cabeça aos putos para não verem o filme, tenho mais que fazer. Enfim, a moral da história é que se um menino tiver na mesa uma caixa da Happy Meal a dizer que é para menina, corre o risco de ser gozado e isso deve ser evitado. Resumindo, espero que continuem a haver carrinhos e bonecas e que as crianças possam escolher o brinquedo que querem. Espero também que, na sanha de fingir que rapazes e raparigas não têm gostos diferentes, não venham a eliminar a liberdade de escolha. Disso sim, tenho medo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Bigodes

Não gosto do Carnaval. Nunca achei piada a mascarar-me. Mas este ano, depois de um almoço em que levaram bigodes postiços que eu experimentei, achei interessante deixar crescer o bigode durante o Carnaval. Posso dizer que foi uma experiência enriquecedora que me permitiu tirar várias conclusões:
1. "É Carnaval, ninguém leva a mal" é uma grandessíssima mentira. A minha mulher ficou piursa por eu não ter rapado o bigode. Ameaçou que não saía comigo à rua e, como íamos ter colegas de um dos meus filhos cá em casa, exigiu que eu não aparecesse às mães dos miúdos.
2. As mulheres olham mais para um homem de bigode. Notei uma diferença clara entre o a.B. (antes do Bigode) e o d.B. Isto coloca-me um dilema. Ou um trilema. Ou até mesmo um polilema. Por um lado a atenção é interessante. Por outro fico horrivelmente mal de bigode. Houve quem me jurasse a pés juntos que eu ficava muito bem, mas acho que a ideia era gozar o prato por mais algum tempo. Mas eu tenho espelhos cá em casa e não restam dúvidas em relação a isso. Outro lado ainda é que fiquei com a ideia clara de que enquanto tivesse bigode não havería sexo. E eu gosto de sexo com alguma regularidade.
3. Os homens olham mais para um homem de bigode. Não sei o que dizer em relação a isto, vamos fingir que não se passou nada.

Reflecti um pouco sobre esta recém-adquirida atenção adicional e sobre quais poderíam ser as causas. Ocorrem-me duas hipóteses:
1. O bigode é tão ridículo que funciona como um acidente de viação. As pessoas simplesmente não conseguem desviar os olhos.
2. Embora não existam dúvidas de que o bigode me fica muito mal (a minha mãe confirmou-o), não posso deixar de reconhecer que me parece que este bigode em particular dá ao seu utilizador uma aura de determinação e de quem sabe o que quer. Alguém a quem o ridículo não assusta e que enfrenta as adversidades da vida com um sorriso nos lábios. Um homem que usa um bigode destes é capaz de enfrentar um leão. Ou até mesmo um exército. Provavelmente essa percepção, que pode até ser só minha, vem de uma imagem do passado. Pensei que fosse dos heróis dos filmes de acção dos anos oitenta mas fiz umas pesquisas e parece que na altura só o Chuck Norris é que usava bigode. É preciso andar um pouco mais para trás, até aos anos setenta para o bigode ser uma moda de alguma dimensão.

De amanhã não passa.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Um abraço para o Cláudio Ramos

Vi a entrevista do Cláudio Ramos e fiquei impressionado com a vida do rapaz que não foi fácil até chegar onde chegou. Não há dúvida de que a idade lhe fez bem e que já não é irritante como era. Também aposto que assumir a homossexualidade o deve ter aliviado bastante. Não me parece que algo que era um dado assumido por toda a gente, sobretudo no situação de considerável abertura face à homossexuaidade que se vive actualmente, o venha a prejudicar profissionalmente. Se há uns anos escrevi sobre quão insuportável o Cláudio era, possivelmente uma estratégia para se afirmar, desta vez escrevo para lhe desejar boa sorte, também merece.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cocktail Engenho


Inventei um novo cocktail. Chama-se Engenho porque a necessidade é mãe do engenho e fiz com o que havia cá em casa.


Ingredientes
- Sumo de meia lima
- Vidrado de lima
- 3 cubos de gelo
- 1,5 medidas de jeropiga 
- 1,5 medidas de vinho do Porto
- A
gua tónica a gosto

Método

- Esfregar o bordo do copo com vidrado de lima

- Juntar num shaker a lima, a jeropiga e o Porto

- Agitar à bruta e coar para um copo

- Juntar o vidrado e água tónica a gosto


Bem bom!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O João Quadros é uma besta

Ontem aconteceu uma coisa engraçada no Twitter. Há uns tempos encontrei a conta do João Quadros no Twitter e decidi seguí-lo. Sou fã do Tubo de Ensaio e achei que a conta do Twitter podia ter potencial. Havia algumas coisas com piada, outras neutras e outras completamente boçais e gratuitas. Por exemplo, o pessoal da Assembleia da República é todo varrido a vaca e cabrão. Já tinha tido algumas interacções com ele, mas tudo muito curto. Ontem mandei uma piada completamente inofensiva e o gajo começa a espingardar. A cada resposta ia subindo o tom e às tantas estava a oferecer-me porrada e a fazer comentários sobre a minha mãe. Ou seja, é um gajo completamente hipócrita que por um lado defende que não existem limites para o humor, coisa em que concordamos, mas que por outro lado quando lhe dizem alguma coisa de que não gosta quer logo partir para a porrada.

Também me parece que existe alguma confusão nesta conversa dos limites do humor. O gajo comporta-se como se o facto de escrever textos humorísticos lhe permitisse tudo. Ou seja, como se a liberdade humorística se estendesse a tudo o que ele faz, mesmo que não tenha qualquer relação com o humor. O João Quadros dá um pontapé na bengala de uma velhinha e esta estatela-se no chão, mas o João Quadros é humorista e o humor não tem limites, logo não existem limites para o João Quadros. Assim como que por hosmose.

Mas o gajo disse uma coisa engraçada. Disse que me dava um soco, esta parte sub-entendida, que eu morria de fome antes de chegar ao chão. Mais ou menos como os que o Obélix dava aos romanos. Só que mesmo quando o Obélix batia nos romanos eles aterravam no quadradinho seguinte. Mesmo com Krav Magas e wall-balls custa-me a crer que João "cara-de-agarrado" Quadros consiga fazer melhor que o Obélix. Com aquela cara tem de ter sido agarrado, certo?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Palhaçada

Nota prévia: considero perfeitamente legítima a criação de um governo formado por um partido minoritário, desde que tenha o necessário apoio na Assembleia da República que garanta a legislatura. Como já escrevi, as interpretações das intenções do "eleitorado" são abusivas e, na minha opinião, qualquer resultado que não seja uma maioria absoluta pode ser interpretado de múltiplas maneiras, tipicamente de acordo com as preferências partidárias. As regras da nossa democracia permitem-no e não é uma solução inédita na União Europeia. Para além disso tinha alguma curiosidade em saber como seria um governo com partidos verdadeiramente de esquerda, embora também seja verdade que não é isso que está neste momento em cima da mesa. Dito isto...

Em primeiro lugar há que reconhecer que me enganei redondamente. Ao contrário do que eu tinha escrito, Costa não estava a utilizar a oferta do BE e da CDU para forçar a PaF a negociar. É evidente que Costa nunca teve qualquer intenção de negociar com Passos Coelho. Em vez disso preferiu colocar-se na situação em que podia ter colocado a PaF ao não ser capaz de garantir um acordo de legislatura com as três forças à sua esquerda. Confesso que não li os acordos, o meu interesse por esta matéria é limitado. Mas parece ser opinião generalizada que os três acordos assinados garantem pouco mais que um ano de legislatura, A partir daí vai ser como BE e PCP quiserem. Se quiserem mandar o Governo abaixo é quase garantido que o conseguem e os acordos não o proíbem. O PS vai andar a toque de caixa, dançando ao ritmo dos seus dois viabilizantes, sendo que cada um vai tocar a sua música o que levará Costa a uma coreografia esquizofrénica para manter o Governo de pé ao longo da legislatura. É verdade que a dança moderna permite movimentos no chão e até bastante acrobáticos. Porventura Costa brindará o Povo Português com alguns movimentos coreográficos mais ousados. Para mim tenho por certo que o futuro Governo PS respaldado por BE, PCP e Verdes, não durará mais do que ano e meio. E daqui a ano e meio teremos maioria absoluta do PSD com CDS, esperemos que com uma sigla conjunta menos idiota do que PaF, porque esta jogada de Costa, sendo legítima do ponto de vista das regras da nossa democracia, é, sem margem para dúvida, uma irresponsabilidade que levanta sérias dúvidas sobre as intenções do Secretário Geral do PS que parece estar mais preocupado em salvar o seu traseiro político do que com a estabilidade governativa  e como futuro do país.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Burguer de Caranguejo do Prego da Peixaria

A semana passada fui ao Prego da Peixaria do Príncipe Real à hora do almoço com a minha mulher e experimentei um prato espectacular que deve ser bastante recente no menu desta casa: o Burguer de Caranguejo. Fiquei extasiado! É uma cena do outro mundo. É demasiado bom para descrever, mas vou fazer um esforço. Vem em pão de hambúrguer com camarinha, que conforme explica a New in Town, é "um camarão pequeno que é desidratado e colocado por cima do pão antes de ir ao forno", vem com um molho não sei de quê e com um tipo de caranguejo que eu desconhecia que existia: caranguejo de casca mole. A verdade é que é excepcionalmente bom. O nosso erro foi ter comido a meias e ter começado pelo Burguer de Caranguejo em vez de começar pelo de Bacalhau. Nada de confusões, o Burguer de Bacalhau é uma oferta divinal mas tem um sabor consideravelmente menos efusivo que o do de Caranguejo. Digamos que o Burguer de Bacalhau é sublime mas subtil. Já o de Caranguejo é sublime, o oposto de subtil e estimulante. Não se consegue parar de mastigar. Se quiser ter uma refeição variada e em crescendo, assim à laia de preliminares seguidos de violento orgasmo, aconselho a começar pela metade do Burguer de Bacalhau e continuar com a metade do Burguer de Caranguejo. Divinal!

Nota: ao que parece este hambúrguer do mar só existe na loja do Príncipe Real.

domingo, 18 de outubro de 2015

O Eleitorado - Uma visão imbecil do sistema democrático

Às 3:03 da manhã do dia 4 de Outubro, todos os portugueses maiores de idade falam em uníssono, como que controlados por uma força superior que os usasse para projectar os seus pensamentosSão o mítico e muito debatido Eleitorado. Apesar de constituído por milhões de indivíduos, o eleitorado comporta-se como uma amálgama controlada por telepatia como se de marionetas se tratassem. Existe um propósito superior no voto do eleitorado que deve ser interpretado de forma correcta para que o Governo tenha a forma pretendida por… pela referida força superiorChamemos-lhe a Mística Força Eleitoral (MFE)Tal como controla o eleitorado, a MFE controla também os não eleitores. Enquanto decorre o processo de alinhamento do eleitorado, os não eleitores encontram-se completamente alheios ao que se passa, estando também eles sujeitos a um estado de transe que os impede de se aperceberem do que se passa. Enquanto os eleitores falam, os não-eleitores não falam nem escutam. Eleitores e não eleitores ficam todos como que repentinamente congelados. Quem se encontrava deitado, deitado ficou. Quem se encontrava em movimento, ficou repentinamente estático, apoiado ou em pleno ar, porque quando o eleitorado se alinha, até as Leis da Física são suspensas. Heis o que diz o Eleitorado num coro de tal maneira sincronizado que se as Leis da Física não tivessem sido suspensas seria possível caminhar pelas ruas de Portugal ouvindo o discurso de forma contínua sem que o volume do som variasse sequer.


“Somos o Eleitorado. Como acontece antes de todas as eleições estamos reunidos para acordar o resultado das eleições. Nas Legislativas de 2015 vamos dar uma maioria relativa à coligação PSD/CDS mas daremos uma maioria absoluta aos partidos de esquerda.”


Seria de esperar que, com poderes absolutos ainda que temporários, (a MFE apenas se manifesta às 3:03 dos dias de eleições), a MFE tomasse posições eleitorais completa e absolutamente isentas de ambiguidade. Afinal, na sua temporária omnisciência, a MFE conhece todos os mecanismos que levam ao desenho da composição do Governo da República Portuguesa. Mas os desígnios da MFE são insondáveis. Apenas os analistas políticos têm uma remota possibilidade de entrever o objectivo final da MFE.


Ora vamos lá a ver! O “Eleitorado” não quer coisa nenhuma porque o Eleitorado enquanto organismo singular com uma vontade única não existe. O Manel há-de querer um Governo PaF e que o PS amoche, o Jaquim há-de querer que o PS governe com a bênção e pouca conversa do BE e da CDU, a Ariana gostava imenso que o PaN governasse apenas com o apoio de todos os animaizinhos e plantinhas de Portugal e outros existirão que, tendo votado em branco, num partido ou apenas desenhado um Zé Bastos no boletim de voto, querem mesmo é que não os chateiem. O sistema eleitoral português não está feito para interpretar a vontade de nenhuma entidade mítica. Sem entrar em grandes detalhes que também não conheço a fundo, é composto por seis fases distintas:


1. Os eleitores votam, elegendo os deputados dos diferentes partidos;
2. Os líderes partidários conversam e, como mais ou menos apoio do Presidente da República (PR), chegam a um acordo;
3. O PR propõe uma constituição de Governo à Assembleia da República;
4. Os deputados votam a proposta e esta ou passa ou não passa;
5. Repetir os passos 2 a 4 até se chegar a uma proposta  que seja aceite por uma maioria simples;
6. Constituir o Governo.

As regras são estas. Andar para aí a dizer que é preciso saber interpretar a vontade dos eleitores é uma completa idiotice. O sistema não funciona assim e existem tantas interpretações como opiniões. O que é certo é que existem regras. Dizem que estão na Constituição ou o camandro. Desde que estas sejam cumpridas, qualquer resultado final é válido. O resto são balelas! E uma coisa é certa, no fim haverá sempre alguém insatisfeito e poderá até acontecer que ninguém fique satisfeito. Mas é o sistema e só temos que o seguir. Quem não gostar deste, que proponha outro, reúna 2/3 dos votos dos deputados e altere a Constituição.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Condições de governabilidade

Com os resultados das Legislativas de 2015 e com um Governo ainda por empossar, os olhos viram-se todos para o PS que é de facto que tem o poder de decidir qual será a constituição do próximo Governo da República Portuguesa. As opções são claras:
1. Viabilizar um Governo minoritário do PaF, ou
2. Recusar essa opção e propor um Governo minoritário do PS, que seria viabilizado por BE e CDU.

É evidente que o PS prefere viabilizar a opção PaF, uma vez que isso lhe dá o poder para obrigar a coligação a negociar e para assumir o papel de decisor relativamente ao que passa ou deixa de passar na Assembleia da República. Curiosamente, a solução alternativa, a de não viabilizar um Governo da Coligação e assumir o Governo com o assentimento dos dois países de esquerda, colocaria o PS numa situação muito mais confortável que a da PaF. É expectável que o BE e a CDU votem contra todas as iniciativas do Governo que tenham algum significado. Portanto estas só passarão com o voto favorável ou a abstenção do PS. Já se o PS fosse constituído Governo, teria sempre a opção de negociar à esquerda ou à direita, conforme a conveniência do momento. Mas não me parece que o PS se queira pôr nas mãos do BE e da CDU e ser obrigado a governar mais à esquerda do que gostaria.

sábado, 26 de setembro de 2015

Uns pipis do c...

Fiz umas moelas com corações que ficaram do camandro. A sério, ficaram mesmo muito bons, senti-me orgulhoso e deliciado. A receita de base pode ser encontrada neste filme no YouTube. Já dei o meu "gosto", a senhora merece, explica tudo muito bem. As únicas alterações que fiz foram as seguintes:
- Em vez de cozer as moelas só em água acrescentei um caldo de galinha. Depois usei o caldo resultante da cozedura ao refugado;
- Usei tomate pelado em lata em vez de tomates frescos;
- Juntei os corações crus ao refugado ao mesmo tempo que as moelas cozidas;
- Em vez de piri-piri pus pimenta cayene e tabasco verde;
- Não tinha cominhos em pó, por isso esmaguei sementes de cominhos no almofariz;
- Não juntei maizena, que de qualquer maneira era opcional. Não me pareceu que acrescentasse alguma coisa.

A acompanhar fiz uma salada de cogumelos castanhos temperada com sal, azeite, vinagre, vinagre balsâmico, alho em pó e tabasco verde. Ficou espectacular!

domingo, 16 de agosto de 2015

So the guy is stupid, do we have to fire him?

I'm getting the impression that BBC may be overreacting to DJ David Dyke's comments on public breastfeeding. The guy is obviously stupid. You really don't have to go much further then his statement that "breastfeeding is unnatural". How stupid can anyone be? Last time I heard humans were still mammals. Sure, it would be wonderful if we could start growing out of eggs and feed on raw grain instead of sucking milk from female breasts in our early infancies... Actually, scratch that, I kind of like the idea that we can benefit from mamma's nutrient and antibody rich milk. Seems like a very clever way of improving little humans' survivability. So unnatural it definitely is not. Now, granted the guy is a stupid ignorant slob, probably either excessively prudish or shamelessly hypocrite, but does he really have to be sacked? I don't know the guy, maybe his other programs have the same level of content and, if that is the case, I would say he is not the 'BBC material' and he should be sacked because it is an embarrassment for a media company with the history 92 years old BBC has, a beacon of quality, to have such a low quality, ignorant professional hosting one of their programs. But if the guy usually produces at a higher standard and he slipped this once, maybe he could get away with a slap in the wrist. Maybe he just made a poor choice of topic and he will do better next time. After all, he did apologize.

sábado, 1 de agosto de 2015

Não sei o que foi mas arrependo-me

43 anos, o joelho direito já foi operado e o esquerdo está como o direito nunca esteve. Não sei o que foi que fiz até agora para ter rebentado com os joelhos em pouco mais de quarenta anos, mas estou clara e inequivocamente arrependido. Nunca a expressão "gigante com pés de barro" fez tanto sentido como faz agora. Em termos desportivos ainda podia fazer muita coisa mas não faço porque os joelhos não deixam. Que merda de cena mais mal enjorcada. E ainda querem os católicos convencer o resto do pagode de que deus fez o homem à sua imagem. Se fez tenho pena dele. Ainda por cima com aquela cena de ser omnipresente deve ser o cabo dos trabalhos ter de estar em todo o lado com o menisco sempre a ficar entalado de cada vez que estica a perna com o ângulo errado. Em setembro vou fazer no esquerdo o que fiz no direito. Mas já não vou cair na asneira de voltar a correr. A partir de agora é só BTT que não faz mal aos joelhos. Que merda!


domingo, 7 de junho de 2015

Tópico interessante mas não infinito

´All About My Vagina

Ao ler entradas minhas antigas neste blogue encontrei uma que falava do blogue All About my Pachacha... perdão, Vagina. Como já não ia lá há que anos resolvi dar uma saltada para ver como iam as modas. Fiquei surpreendido ao verificar que a escritora tinha esgotado o tema. Aparentemente a imaginação faleceu em Fevereiro de 2008, o que é uma pena para quem gosta do tema, mas por outro lado também traz alguma esperança porque fica claro que o esforço necessário para dominar o tema é finito.

Ai Jasus...!

jorge jesus wikipedia

Sim, o JJ saiu do Benfica para o Sporting. E depois? Alguma vez alguém pensou que ele era um Benfiquista ferrenho? E que fosse? Devia ter aceitado as propostas que o Luís Filipe Vieira lhe tentou fazer engolir pela garganta abaixo propostas para ir para a Rússia ou para a Turquia? Devia ter aceitado ficar no Benfica a ganhar menos quando o Sporting lhe ofereceu mais? Por que é que o Benfica não renovou contrato a tempo e horas? E cabe na cabeça de alguém propor uma pioria das condições a um treinador que trouxe o primeiro bi-campeonato dos últimos 15 anos?

O que é uma vergonha não é o Jorge Jesus ter aceitado uma proposta do Sporting em que vai ganhar mais. O que é uma vergonha é a mesquinhez estalinista de apagar da fotografia o treinador português que mais fez pelo Benfica em toda a sua história! A saber (de acordo com o sítio oficial do Sport Lisboa e Benfica):
  • 3 Campeonatos Nacionais
  • 1 Taça de Portugal
  • 1 Supertaça "Cândido de Oliveira"
  • 5 Taças da Liga
  • 2 Finais da Liga Europa
Deixem-se de merdas e reconheçam o valor do homem. Não queriam que ele fosse para o Sporting tivessem conduzido as coisas de outra maneira.

Seguidores