terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

E agora, queimamos nós umas embaixadas?

Agora que alguns jornais muçulmanos decidiram começar a publicar caricaturas provocatórias e com insinuações de que o Holocausto nunca existiu, certamente para nos mostrarem que é muito chato quando gozam connosco, levanta-se-me uma dúvida. Será que devemos começar a queimar embaixadas de países muçulmanos? É que se não o fizermos parece-me um pouco injusto. Afinal eles atacaram embaixadas de países ocidentais como represália pelas caricaturas de Maomé. Agora que começaram eles próprios a fazer caricaturas parece-me equilibrado que o mundo ocidental responda da mesma forma. Ou melhor, parecer-me-ia se eu fosse um fanático religioso e se me falhassem os conceitos de democracia e liberdade de expressão.

É pena que todo este incidente sirva apenas para demonstrar que existe uma desconfortável fatia de muçulmanos que se deixa manipular e empurrar para um fanatismno inútil nos dias de hoje e prejudicial a um futuro civilizado. Quer-me parecer que a esses mesmos muçulmanos passará despercebido o facto de que por muitas caricaturas que façam e por mais ofensivas que sejam, dificilmente verão tristes cenas que protagonizaram repetir-se junto às embaixadas dos seus países.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Quantos?



Esta imagem fabulosa é a imagem de astronomia do dia da Nebulosa da Lagoa, também designada por M8. Segundo a explicação, a distância representada na fotografia é de cerca de 30 anos luz. Ou seja, a luz levaria 30 anos para percorrer a zona do espaço mostrada na fotografia. Se quisessemos percorrer essa distância à velocidade a que a Space Shuttle normalmente circula em órbita, 7.757 metros por segundo, ou seja, cerca de 0,00000259% da velocidade da luz, seriam precisos 1.159.439 de anos para percorrer a mesma distância. Ganda seca!!!

Jihad cetácica!!!

Ok, esta foi a gota de água. Os japoneses, que elegantemente contornam a Moratória que existe contra a caça da baleia alegando que as baleias são caçadas para fins científicos, estão a vender carne de baleia como comida para cães. E porque é que fazem isto? Aparentemente porque têm demasiada carne de baleia em relação à procura para consumo humano. Como esta matança desnessária ofende todas as minhas crenças, seguindo o exemplo dos "civilizados" muçulmanos (*), venho por este meio apelar à destruição de todas as embaixadas japonesas bem como ao boicote de todos os produtos japoneses. E é com grande prejuízo pessoal que faço este apelo, uma vez que já tinha planeado comprar o Sony Reader. E também gostava de aprender japonês, mas sendo assim já não aprendo. Pronto!

Mas já agora, que raio de merda de moratória mais inútil é esta que permite que se cacem quantas baleias se queira desde que se diga que é para fins científicos? Ao menos a Noruega não é hipócrita, recusa-se a seguir a moratória, registou uma objecção formal e tem a coragem de admitir que caça as baleias para fins comerciais. Já a Finlândia é tão hipócrita como o Japão e tem um programa científico ao abrigo do qual caça baleias. Bom, sendo assim aproveito para apelar também à destruição das embaixadas da Noruega e Finlândia. Melhor, deixo à vossa discrição, as embaixadas que queiram destruir, desde que sejam de países que cacem baleias têm a minha benção.

(*) - queria chamar a atenção para o facto de que me refiro apenas aos "civilizados" muçulmanos que têm feito as "demonstrações de civismo" que temos visto nas últimas semanas. Não me refiro de maneira nenhuma aos muçulmanos que são realmente civilizados e se abstiveram de atacar embaixadas apesar de poderem estar muito ofendidos. No entanto incluo todos aqueles muçulmanos que gostavam de ter participado nos ataques às embaixadas mas não participaram porque já tinham comprado bilhetes para o cinema. Isto nos dias de hoje é preciso justificar tudo muito bem justificadinho, caso contrário somos logo etiquetados de xenófobos e outras coisas horríveis.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Eurobiliões

Numa resposta ao texto anterior o Pedro perguntava retoricamente quando haveria um Eurobiliões. Eu diria que ainda falta um pouco. Especialmente se estivermos a falar de um verdadeiro Eurobiliões, com biliões à europeia. Vamos fazer umas contas para ficarmos com uma ideia do que é que estamos a falar.

Ora vejamos, na semana passada foram feitas 26.933.597 apostas, resultando em € 139.503.881,00 para prémios. Isto dá cerca de € 5,17 por aposta. Para atingirmos um nível de biliões, vá lá, sendo conservadores, € 1.000.000.000.000 e utilizando o mesmo rácio que na semana passada, seria necessário atingir as 193.067.000.000 (193 mil milhões!!!) de apostas. Como actualmente a população humana está ligeiramente abaixo dos 6,5 mil milhões de pessoas, isso obrigaria a que cada pessoa à face da Terra fizesse pelo menos 30 apostas no tal Eurobiliões. Isto inclui os recém-nascidos e os que estão prestes a morrer. Toda a gente. Ora 30 apostas, a 2 € cada aposta dá € 60 por pessoa. Tendo em conta que em 2001 cerca de 21% da população mundial se encontrava em situação de extrema pobreza, ou seja, vivia com menos de 1 dólar americano por dia, parece-me pouco viável nas próximas décadas.


Para chegar ao número de pessoas que seriam necessárias para sustentar um Eurobiliões era preciso saber a população total de pessoas nos países que jogam no actual Euromilhões. Depois calculava-se o rácio entre essa população e o número de apostas e extrapolava-se o número de apostadores para uma situação de 1 aposta por pessoa.. Infelizmente agora não tenho tempo para procurar essa informação.

De qualquer maneira um Eurobiliões é muito à frente. Eu sou uma pessoa com necessidades frugais e quaisquer 20, vá lá, 25 milhões de euros chegavam-me perfeitamente.

Isto de trabalhar atrapalha muito

É algo que me incomoda verdadeiramente. Com as melhores oito horas do dia ocupadas com trabalho torna-se difícil fazer as milhares de coisas mais interessantes que precisava realmente de fazer. A sociedade tem de evoluir num sentido em que não seja preciso trabalhar. Até porque faz mal à saúde. Se eu pudesse utilizar, digamos, 2 ou 3 horas destas 8 para fazer desporto, certamente que seria muito mais saudável. E como seria também certamente muito mais feliz, novamente seria muito mais saudável. Era duplamente muito mais saudável. E por exemplo, seria muito mais fácil enriquecer o meu conhecimento e a minha cultura. Uma das coisas que preciso absolutamente de fazer é aprender japonês. E tendo de trabalhar não dá (preciso de aprender japonês porque é muito mais eficaz para ralhar com crianças. Ou japonês ou klingon. Acho que qualquer uma é dezenas de vezes mais eficaz para impor respeito do que o português).

Bom, vou jogar no Euromilhões para ver se resolvo este problema.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Que nem ginjas

Foto de iman maléfico condenado por incitamento ao ódio em Inglaterra
Este tipo parece um pirata, coitado

O julgamento de Abu Hazma em Inglaterra terminou tendo o juri decidido pela sua culpa relativamente aos crimes de incitamento ao ódio, à violência e ao homicídio. Isto cai que nem ginjas neste momento em que anda meio mundo a tentar queimar embaixadas da Dinamarca entre outras. Parece-me que este julgamento é capaz de ser um ponto de viragem em relação a uma postura talvez com uma excessiva correcção política em que havia alguma parcimónia em abordar os excessos de alguns líderes religiosos estabelecidos em países europeus, com receio de acusações de perseguição religiosa. Da mesma forma, a Noruega começou já a exigir restituição financeira à Síria pela destruição da sua embaixada e a própria Dinamarca responsabilizou já o Irão por quaisquer danos provocados à sua embaixada. Depois de tentar deitar água na fervura chegou a altura de dizer um sério bom-vamos-lá-a-ter-calma-que-já-estão-a-exagerar e começar a pedir responsabilidades pelos excessos que se têm passado por esse mundo islâmico fora. O bom e velho "direito à indignação" não passa por destruir uns quantos edifícios e matar uns quantos europeus para ventilar a raiva. Façam abaixo-assinados, interponham queixas-crime, sejam civilizados!

Existe obviamente um desaconselhável e aparentemente irremediável fosso entre dois conceitos do que é um mundo civilizado. Esta gente deixa-se enervar demais, não pode ser saudável.

P.S.: Quando falo "desta gente" que se deixa enervar demais, falo obviamente daquela gente que se deixa enervar demais. Quero com isto dizer que não me estou a referir aos que não se deixam enervar demais. O que eu considero democrática e civilizadamente saudável.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Biliões

Eu cá se fosse um bilião não o queria ser nos EUA ou em Inglaterra ou no Brasil. Lá os biliões são pequeninos. Quaisquer mil milhões (109) e um gajo é logo tratado por bilião. Já em Portugal e na maior parte dos países da Europa não. Para poder ser tratado por bilião num desses países é preciso tê-los grandes. É preciso um milhão de milhões (1012) para que as pessoas reconheçam a grandeza

- AAAAh, vês filho, olha um bilião. Aquilo sim é importante
- Papá, papá, quando for grande quero ser um bilião
- Mas à europeia, filho, não quero cá meninas, hã?

Wikipedia: Billions
Wikipedia: Long and short scales

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Empurra! Isto custa mas vai lá

Bush fez um discurso à nação em que entre outras coisas falou na dependência dos EUA em relação ao petróleo importado. Para fazer face a isso vão investir mais 22% na investigação de energias alternativas, incluindo energias renováveis e nuclear. Segundo Bush, o objectivo é reduzir as importações de petróleo em 75% até 2025.

Por um lado são boas notícias, mas espero que não seja uma desculpa para forçar a opção nuclear. Se os EUA conseguissem de facto esta redução em 75% seria uma excelente notícia porque em princípio isso significaria que tinha sido encontrada uma solução aplicável gobalmente e uma redução massiva da emissão de gases de estufa.

É claro que ninguém fala na redução do consumo porque isso acarreta o velho problema dos impactos na economia.

BBC NEWS | Americas | Bush urges end to oil 'addiction'

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Moss usou cocaína?

E depois?

Alguém me explica isto? Alguém conhece a lei inglesa relativa a este assunto? Por que carga de água é que a mulher tem de ir prestar declarações à polícia?

Enviei uma mensagem à polícia metropolitana de Londres a perguntar isto, pode ser que tenham um tempinho para responder

BBC NEWS | UK | Police quiz Moss over 'drug use'

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

O futuro em quatro cenários

Encontrei uma notícia na BBC sobre um estudo em que é afirmado que os grandes construtores de automóveis estão a arrastar os pés no que diz respeito à aplicação de combustíveis alternativos aos automóveis. O que eu achei interessante no estudo foi a identificação de 4 cenários possíveis do que poderá vir a ser a vida daqui a 50 anos:

  • Movimento Perpétuo - a procura por meios de transporte continua elevada graças continuação da globalização. Os carros serão mais rápidos mas também mais ecológicos, o transporte aéreo continuará a ter alguma popularidade mas será caro

  • Colónias urbanas - o ambiente é uma das maiores prioridades do Governo. A utilização de automóveis é cara e limitada. Os transportes públicos são muito utilizados mas as áreas rurais são penalizadas.

  • Comércio tribal - a crise energética deu origem a desemprego em massa. As viagens de longa distância são um luxo que poucos podem pagar. Para a maioria das pessoas o Mundo reduziu-se a pequenas comunidades.

  • Boas intenções - Duras medidas governamentais restrigem as emissões de carbono. O número de viagens desce mas o mercado não foi capaz de oferecer alternativas energéticas.


O primeiro cenário parece ainda ser o melhorzinho, mas mesmo assim dá a ideia de uma certa claustrofobia no futuro. É melhor fazerem as vossas viagens agora, que daqui a uns anos pode já não ser possível.

BBC NEWS | UK | UK Politics | Car firms 'blocking green fuel'

O Código de Da Vinci vai a julgamento

Vai ser feito um julgamento simulado em Vinci, Itália, para rebater os "factos" descritos no famoso livro de Dan Brown. Acho impressionante o poder da escrita deste homem, que para além de 10 outros livros escritos para rebater o seu, ainda consegue levar a um julgamento com peritos de arte e historiadores. E à revolta da Igreja. Benzó Deus.

BBC NEWS | Entertainment | The Da Vinci Code put 'on trial': "Art experts and historians are staging what has been described as a mock trial to examine the claims made in hit novel The Da Vinci Code."

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Concorrência à Sony (livro electrónico)

leitor de livros electrónicos Iliad
Clique para ver mais


A iRex Technologies está a trabalhar num leitor de livros electrónicos semelhante ao Sony Reader, mas com algumas melhorias. A tecnologia do ecrã é a mesma, baseia-se no ecrã de tinta electrónica da eInk, mas o aparelho permite ainda escrever notas e sublinhar texto. Tal como num PDA, o ecrã é sensível ao toque, mas com o preciosismo de ter 256 níveis de pressão, sendo possível de uma maneira intuitiva escrever mais ou menos carregado. Para além disso terá a capacidade para obter conteúdo através de internet sem fios. Será ainda possível ligar uma daquelas chaves USB com conteúdo digital. Actualmente permite ler documentos nos formatos PDF, XHTML, texto, MP3, mas prometem que virá a suportar mais formatos. O único senão, que dá para prever pelas características, é que deve ser muuuuito caro.

Características (PDF)

Sony Reader já tem preço


Clique para ver maior

Pelo que li neste artigo, o novo livro electrónico da Sony vai custar cerca de 359 USD, o que ao câmbio de hoje da cerca de 287 €. É caro, mas é o preço da novidade.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Dias perfeitos

Recebi uma mensagem, obviamente escrita por uma mulher, comparando o dia ideal de um homem com o de uma mulher. A ideia é sempre mais ou menos a mesma, ou seja, demonstrar que as mulheres são uns seres delicados e sensíveis, enquanto que os homens são uns alarves. Ora leiam com atenção:

Um dia perfeito para uma mulher:




08:15Desperta com abraços e beijinhos.
08:30Na balança, pesa 1 Kg menos do que ontem.
08:45Pequeno-almoço na cama, sumo de laranja e croissants.
09:15Banho de imersão com uma fragrância exótica.
10:00Ligeira sessão no clube com o seu simpático, treinador pessoal musculado e gay
10:30Tratamento facial, manicure, shampoo, cabelo.
12:00Almoço com a melhor amiga numa esplanada.
12:45Repara, de longe, que a mulher do ex-namorado engordou 20Kgs.
13:00Compras com amigas, arranja algo especial para si mesma.
15:00Sesta.
16:00Recebe em casa uma dúzia de rosas, mandadas por um admirador secreto.
16:15Ligeira sessão no clube, seguida de massagem.
17:30Escolha da roupa para jantar.
19:00Jantar romântico à luz das velas, com dança.
20:00Surpreendida por uma jóia à sobremesa, como prova de amor.
21:30Duche quente, sozinha.
22:00Faz amor prolongadamente, com uma suave música de fundo.
23:00Carícias, segredos e beijinhos de "foi tão bom".
23:15Adormece nos braços dele, fortes e gentis.


Um dia perfeito para um macho :


06:00Despertador.
06:15Br...ch....
06:30Cagada massiva enquanto lê as páginas de desporto do jornal.
07:00Pequeno-almoço. Bife, ovos, torradas, café.
07:30Chega a limousine.
07:452 Gin tónicos no caminho para o aeroporto.
08:15Jacto privado para Faro, Algarve.
09:30Limousine para o golfe da Quinta do Lago.
09:45Joga os primeiros 9 buracos, acaba com 2 abaixo do par.
11:45Almoço. 2 dúzias de ostras ao natural. 3 CINTRAS.
12:30Joga os 9 buracos finais, acaba com 4 abaixo do par.
14:15Limousine de volta ao aeroporto. 2 Jack Daniels.
14:30Jacto privado para o Funchal. Sesta.
15:15Pescaria de fim de tarde, num iate com tripulação feminina em top-less.
16:30Apanha um espadarte com 350 Kg, novo record do mundo.
17:00Jacto privado de volta a casa. Massagem por hospedeira asiática.
19:00Vê as notícias na TV. Sócrates é preso por fraude. Sampaio parte para o exílio.
19:30Jantar. Lagosta, Dom Perignon, Bife do Lombo, Caves Velhas tinto de 67.
21:00Relax depois do jantar com um Cognac Augler 1789 e um charuto Cohiba.
22:00Sexo selvagem com duas ninfomaníacas de 18 anos.
23:30Massagem e jacuzzi.
23:45Sozinho na cama.
23:50Solta um peido de 12 segundos e 4 oitavas. Vê o cão fugir do quarto.
23:55Ri-se até adormecer.


Eh pá, isso não faz sentido nenhum. Então depois de um jantar às 20h00 ela vai tomar um duche quente às 21h30? E tá-se mesmo a ver que em 1h30 ela tem um jantar romântico à luz das velas e ainda dança por cima. E ficamos na dúvida se num dia ideal de uma mulher ela deve estar com prisão de ventre, se guarda o "serviço" para o dia seguinte ou se a cagada é tão ligeirinha que nem vale a pena mencioná-la. E não acham curioso como o PT (personal trainer) é convenientemente gay?

O dia ideal do homem está porreiro excepto talvez pelo facto de eu preferir a cagada depois do pequeno-almoço. Não sei, para mim funciona melhor. E a secçao desportiva também não faz o meu género. E é claro, o homem deste dia é seguramente de direita.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Ai se eu me vejo ali...


Sierra Nevada


Esta é uma foto da Serra Nevada, lá para os lados de Granada, Espanha... como toda a gente sabe, aliás. A Serra Nevada está algures no meu futuro próximo. Ainda este Inverno devo quebrar um jejum de mais de 2 anos imposto por um certo e determinado rapazinho, que curiosamente tem ele próprio 2 anos. A criança não vai uma vez que ainda é um pouco instável em termos de constipações e especturações e coisas do género. E a minha mulher também não vai porque infelizmente não temos com quem deixar o miúdo. Ela também gosta muito de snowboard, mas faz o sacrifício de não ir e ficar com o nosso filho porque aparentemente a perspectiva de me ouvir chorar pelo snowboard mais um ano inteiro é muito mais assustadora e deprimente do que ficar uns dias sozinha com o miúdo. Ao que parece eu falo de snowboard um número absurdo de vezes...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Mas... sem paraquedas?



Este lunático propõe-se saltar de um avião, voar com o fato que vêem na fotografia e aterrar em segurança... mas sem usar um paraquedas. Neste momento ele já usa o fato para controlar o voo e está a melhorá-lo e a fazer os estudos necessários para atingir o referido objectivo. Espero que a primeira tentativa não doa muito.

Jeb Corliss set to revolutionize skydiving

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Deus está zangado com os EUA

O presidente da câmara de New Orleans entusiasmou-se e conseguiu dizer um chorrilho de disparates difícil de bater nos próximos tempos... bom, não é difícil de bater porque o que não falta neste mundo são imbecis, mas pronto, disse uma quantidade considerável de absurdos em relação aos quais se veio depois a arrepender. Ray Nagin, que se viu bastante após o furacão Katrina ter feito do bom e do bonito lá pelos lados de New Orleans, resolveu fazer as seguintes afirmações no Dia de Martin Luther King:

- Deus está zangado com os EUA por estar a fazer uma guerra no Iraque sobre falsos pretextos
- Sugeriu que o furacão Katrina era a punição divina por esta guerra
- E finalmente disse que Deus queria que New Orleans fosse uma cidade habitada maioritariamente por negros

Mas em que raio de Deus é que esta gente acredita que decide utilizar um furacão para punir um país, matando crianças que seguramente nada têm a ver com seja que guerra for? Não seria mais prático fulminar o George Bush e todos os outros são realmente responsáveis pela guerra? E por que carga de água é que Deus havia de preferir que New Orleans fosse habitada por negros ou amarelos ou azuis? Rai's me partam se percebo o modo de pensar destas pessoas.

BBC NEWS | Americas | US mayor regrets 'God comments'

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

BBC NEWS | Americas | Elderly US killer is put to death

BBC NEWS | Americas | Elderly US killer is put to death

Mais um condenado à morte nos EUA que acaba por ver a pena executada... bem, neste caso o senhor era cego, por isso não viu grande coisa. O que eu acho curioso nesta notícia é que um dos fundamentos para os pedidos de clemência foi que o senhor, que por acaso era um homicida e mandante de homicídios, era cego, doente e vivia numa cadeira de rodas. Ainda que eu seja contra a pena de morte, não vejo que estes argumentos ajudem muito ao pedido de clemência para Clarence Ray Allen. Quando muito seriam argumentos a favor da execução, visto adicionarem à punição uma caracter de misericórdia. Se quisessem prolongar o seu sofrimento então sim, deviam mantê-lo vivo e deixá-lo cumprir o resto da pena de prisão perpétua no corredor da morte.

Os defensores da pena de morte consideram-na como a aplicação da justiça, mas será mesmo? Toda a gente morre, e com a evolução dos conceitos de humanidade e defesa dos direitos humanos, as formas de execução são cada vez menos crueis, procurando-se sempre garantir que os executados não sofrem. Todos os dias pessoas que nunca fizeram mal a uma mosca morrem em sofrimento e mais tarde ou mais cedo todos morremos. Por isso a pena de morte como factor de punição parece-me um pouco inútil. No fundo é apenas antecipar aquilo a que ninguém pode escapar.

A verdadeira punição é a prisão, especialmente no caso da prisão perpétua. É uma pessoa ver-se despojada da sua liberdade e concretizar que nunca mais vai ver outra coisa que não sejam aqueles muros, aquela cela. Conheço quem por motivos profissionais tenha de visitar instituições profissionais e quando de lá saiem vêm com o dia estragado. O ambiente de uma prisão é descrito como algo opressivo, agressivo, escuro, degradante. Mesmo para alguém que só lá vai estar umas horas.

É claro que não consigo pôr-me na pele de um homicida de 76 anos, cego e doente. Mas com algum esforço acho que se pode afirmar com alguma segurança que se estivesse nessas condições e a alternativa à pena de morte fosse a prisão perpétua, muito proavelmente encararia a perspectiva da minha execução com algum alívio.

Diário em imagens



A Microsoft tem um pendor um pouco big-brotheriano e este projecto mais do que roçar, faz mesmo uma secante a esse conceito. Mas não deixa de ser extremamente interessante. A ideia é gravar até 2.000 imagens por dia num aparelho do tamanho de um crachá. O dispositivo que ainda se encontra em fase experimental tira uma fotografia quando detecta alterações da luz ambiente, movimento, a presença de outra pessoa e o tempo. Para além da imagem a SenseCam grava também informações relativas à temperatura, luz, movimento, imagens com luz próxima do infra-vermelho. Poderá ainda ser possível ligar a SenseCam a aparelhos de monitorização dos sinais vitais, servindo esta como um género de uma caixa preta em caso de acidente, oferecendo aos socorristas e médicos informação útil para determinar o estado de saúde e o tipo de acidente. É claro que toda esta informação poderá também ser utilizada contra o próprio proprietário do aparelho, mas para mim que sou extremamente esquecido este brinquedo seria mesmo muito útil.

Sensors and devices - SenseCam

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Finalmente?

Um dos brinquedos que estou há alguns anos à espera que o mercado ponha à disposição é um leitor de livros electrónicos que use a tecnologia de visualização tipo tinta electrónica e que seja realmente prático.


A Sony já tinha posto à venda no Japão o Librié, que me parece ter sido um flop e que talvez por isso nunca tenha sido vendido internacionalmente. Alguns fanáticos importaram a versão japonesa e um grupo ainda menor dedicou-se a tentar crackar o aparelho que tinha sérias limitações ao nível do tipo de ficheiros que permitia visualizar. Na prática a Sony fez mais uma das suas e limitou a importação de ficheiros aos livros que disponibilizou na sua loja na net, o que limitava seriamente o interesse que alguém pudesse ter no aparelho. Mais tarde disponibilizou aplicações que convertiam ficheiros de outros formatos para o formato aceite pelo Librié. Mas esse era só um dos problemas do leitor electrónico. O facto de toda a interface ser em japonês e de o tempo de mudança de página ser bastante longo reduziram ainda mais as vantagens que este aparelho poderia ter.



Mas eis que entra em cena o Sony Reader. Ainda não vi nenhuma crítica ao aparelho que aliás ainda não está à venda. Mas olhando para ele e de acordo com as informações que obtive há algumas coisas que são óbvias:

  • parece mais robusto

  • parece ter uma interface mais amigável

  • a interface é em inglês

  • pode ler ficheiros em formato PDF e JPEG

  • o ecrã mostra 4 níveis de cinzento

  • aceita cartões de memória do tipo Memory Stick e Secure Digital (SD)


O facto de poder ser utilizado como leitor de mp3 pode servir como mais um incentivo, se bem que pare mim não tem grande interesse e servirá mais para reduzir o tempo da bateria. Parece-me que a grande vantagem é a possibilidade de ler textos em PDF, o que tendo em conta que nos dias de hoje se consegue converter qualquer documento para este formato alarga grandemente os horizontes deste novo dispositivo. Ainda há grandes discussões relativamente a limitações do aparelho em mostrar textos num formato agradável e dinâmico e em relação à possível dependência relativamente a formatos proprietários de ficheiros.

Actualmente as seguintes editoras de livros e manga (BD japonesa) já têm acordos com a Sony para editar os seus livros em formatos compatíveis:

  • Random House

  • HarperCollins Publishers

  • Penguin-Putnam

  • Simon & Schuster

  • Time Warner Book Group

  • Tokyopop (editora de Manga)




Também é possível ler BD, mas limitada aos 4 níveis de cinzento

Para mim a grande vantagem destes dispositivos é a sua capacidade para armazenar centenas de livros, artigos obtidos na net e o facto de serem muito mais práticos que um livro. Se considerarmos iniciativas como o Projecto Gutemberg que já digitalizou milhares de clássicos da literatura que já não estão sujeitos a direitos de autor, é fácil de ver que com um aparelho destes podemos ter acesso a um universo quase inesgotável de livros.

O Sony Reader ainda não está à venda. O lançamento nos EUA está previsto para a próxima Primavera, o que arrefece um pouco os entusiasmos, principalmente se nos recordarmos que estamos no cú da Europa. Seguramente que não vai estar disponível no meu aniversário. Não faço ainda ideia de quanto custará, mas para referência o Librie custava cerca de 430 €... sem portes.

P.S.1: para quem esteja interessado neste aparelho é possível receber um aviso quando estiver disponível. Podem fazê-lo aqui.

P.S.2: entretanto encontrei informação adicional sobre o antecessor do Reader, o Librié. Este artigo explica como converter textos para o Librié. Para além disso li algo que não sabia. A Dynamism exporta os Librié para fora do Japão já com o sistema operativo em inglês.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Cabeçalho desonesto

O DN noticia a morte de um jovem esmagado por um comboio na estação de Belém, após ter sido empurrado por um indivíduo com perturbações mentais. Este mesmo indivíduo já teria empurrado uma mulher para a linha do comboio no início do mês. Felizmente dessa vez a mulher terá sido empurrada numa altura em que não circulava nenhum comboio pelo que sofreu apenas de escoriações. No entanto, e após o indivíduo ter sido detido pela PSP, recusou-se a prestar queixa pelo que a PSP não pôde fazer mais que libertar o agressor. Dias mais tarde este homem acaba por repetir a agressão, infelizmente com consequências fatais. Quer-me parecer que a única pessoa que poderia ter evitado este desfecho teria sido a vítima inicial, que devia ter apresentado queixa. Mas qual seria a pena por uma simples agressão? Será que teria mesmo evitado que esta pessoa com perturbações voltasse a repetir o ataque? É claro que agora, após o facto consumado, é fácil dizer que "se isto" e "se aquilo", "então...". Mas a verdade é que tudo isso são conjecturas. Só espero que este caso não seja incorporado na lista de queixas contra as autoridades policiais que neste caso claramente não podiam ter feito mais e nem podia saber que esta desgraça ia acontecer. E mesmo que desconfiasse o que é que podiam fazer?

No entanto, e apesar de a mulher que foi inicialmente empurrada não pudesse ela própria adivinhar o que se iria passar, tenho alguma curiosidade em saber como é que ela pensará neste assunto. Será que se sente de alguma forma culpada? Parece-me que este tipo de situação acontece muitas vezes. As pessoas que são assaltadas ou agredidas e não participam à polícia, terão noção de que não fazer nada é uma forma de influenciar o futuro?

DN Online: Morte de jovem em Belém podia ter sido evitada

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

A casa ideal




Penso que esta casa é sem dúvida uma das que melhor se adapta aos meus desejos para uma nova habitação. Têm três quartos e uma sala, todos os quartos com casa-de-banho. Tem também um elevador panorâmico que vai até à zona submersa e um observatório a meio da estrutura. O globo submerso permite a saída de mergulhadores e tem iluminação submarina. Espectáculo!

gizmag Article: Cliff Top (and bottom) Living

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

O que alguém ouviu sobre a Guerra no Iraque

Um amigo enviou-me excertos de um artigo do London Review of Books que aconselho a ler por completo porque tem muita coisa interessante e esclarecedora. De todo o texto vou salientar uma parte que reconheço ser apenas um fait diver e que será certamente dos trechos menos importantes que compõem o texto, mas que a meu ver trás uma perspectiva nova e refrescante acerca da Guerra no Iraque. Leiam e maravilhem-se:

"I heard that members of the Westboro Baptist Church of Topeka, Kansas were demonstrating at the funerals of soldiers who had died in Iraq, claiming that the war was divine retribution for American immorality. I heard that they held signs depicting "homosexual acts", with the words "God Hates Fags"; "God Hates America"; "Thank God for IEDs [roadside bombs]"; "Fag Soldiers in Hell"; "God Blew Up the Troops"; and "Fags Doom Nations.""

LRB | Eliot Weinberger : What I heard about Iraq in 2005

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Heresia

Penso que é claramente assumido que a SuperLiga portuguesa é um pouco fraquinha em termos de qualidade. Se não estou em erro há também quem defenda que Portugal não tem dimensão para ter 18 equipas na principal campeonato de futebol 11. Aliás, basta ver que o campeonato espanhol e o inglês têm apenas 20 equipas. Na sexta-feira, no regresso a casa enquanto ouvia um dos muitos programas de debate sobre Portugal na rádio, ocorreu-me então a seguinte hipótese: e se o campeonato português se fundisse ao campeonato espanhol? Passaríamos a ter um campeonato ibérico com uma dimensão verdadeiramente profissional e com muitas equipas de qualidade. E as nossas equipas, aquelas que conseguissem vir a fazer parte desta MegaLiga Ibérica jogariam muitas vezes em estádios com casa cheia e não teriam outro remédio senão crescer em qualidade. E isto seria também possível porque os patrocínios ganhariam outra dimensão, quanto mais não fosse porque passariam a ver a sua marca anunciada num mercado de 54 milhões de pessoas, contra os actuais 10 milhõezitos.

O que eu proponho é utópico? Ah pois é! A começar porque os dirigentes da Liga iam perder os seus empregos, e isso não pode ser. Em segundo lugar, dos clubes portugueses poucos teriam capacidade para sobreviver num campeonato de equipas como o Barcelona e o Valência. Em terceiro lugar porque, muito provavelmente, os espanhois não estariam interessados em ver equipas portuguesas no seu campeonato. Que também seria o nosso, claro. Mas certamente por muitas mais razões.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Viver para sempre



Sempre vi a obsessão de viver para sempre mais como um reflexo do medo da morte do que por outra coisa qualquer. Mas há uns dias vi um documentário que me mostrou uma perspectiva realmente sã deste desejo de prolongar a vida. Paul Moller persegue desde há muitos anos um sonho. O seu objectivo na vida é tornar realidade a utilização de veículos voadores como substitutos dos automóveis. A sua carreira como inventor perseguiu sempre esse objectivo, construindo diversos veículos com capacidade para levantar vôo verticalmente mas sempre com sérias limitações em termos de vôo horizontal. Os seus protótipos são relativamente conhecidos e fez com eles demonstrações públicas de vôo.
















XM2XM3





XM4


M150
M200X


M400

M400


Na sua perseguição de um sonho concluiu que estava 20 anos atrasado no seu objectivo e decidiu então mudar o seu estilo de vida para que pudesse viver tempo suficiente para o concretizar. Mudou a alimentação e adoptou a prática de exames de saúde semestrais para melhorar, na medida do possível, a sua alimentação. O que eu acho fantástico é que este homem não faz isto com o objectivo vazio de fugir à morte, quer apenas viver o tempo suficiente para alcançar o sonho de uma vida.

Moller international

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Não se podiam explicar um pouco melhor?

Esta notícia do DN deve ser das piorzinhas que já li nos últimos tempos. Dizem que um tal de Vitor Diniz levou um estaladão de um segurança do Benfica mas não explicam porquê e em que circunstâncias. Depois transcrevem umas declarações dessa personagem, o que não interessa nada para a história do estalo nem tão pouco para coisa nenhuma porque são mal fundamentadas e contraditórias com o outro artigo do DN sobre o caso Moretto, esse sim, bem escrito e clarinho. E para terminar dizem que as agressões se iniciaram ainda no Brasil quando uns brasileiros supostamente a mando do FêCêPê tentaram impedir o Moretto de embarcar. Mas o Vitor Diniz, já agora português radicado no Brasil, estava envolvido no outro grupo? Alguém quer explicar isto como deve ser?

DN Online: Agressões à chegada de Vieira a Lisboa

Em Espanha é que é

O Governo espanhol insuflou os tomates e proibiu o fumo em locais públicos e de trabalho fechados. Agora quem quiser fumar tem de o fazer na rua. Ou quase, porque nos restaurantes e bares com menos de 100 m quadrados, o proprietário pode optar por ter um estabalecimento para fumadores desde que coloque um anúncio na porta. E os que tiverem mais que 100 m quadrados são obrigados a construir uma área para fumadores com ventilação adequada em 30% do seu espaço. Parece-me que vão no bom caminho.

DN Online: Nova lei antitabaco obriga espanhóis a fumar na rua

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Hurra Europa!!!


A primeira pedra, que é como quem diz, o primeiro satélite do Galileu, o sistema de navegação por satélite europeu, foi colocado ontem em órbita. O Galileu é, como se sabe, a alternativa europeia ao actual GPS norte-americano e ao GLONASS, russo. Tem a vantagem de, ao contrário destes dois sistemas, ser um sistema civil e não militar. E representa para a Europa um valor estratégico incalculável, uma vez que até agora a utilização do GPS estava limitada à boa-vontade dos EUA que decidiam o grau de precisão com as coordenadas eram fornecidas aos utilizadores civis. Mas o Galileu não será apenas um sistema complementar relativamente aos já existentes. O Galileu será mais moderno, com maior precisão e mais funcionalidades. O simples facto de a precisão aumentar para erros inferiores a um metro vai permitir que o sistema de navegação venha a ter novas utilizações que até agora não eram viáveis devido à margem de erro inaceitável.

Quando o Galileu foi inicialmente proposto, os EUA fizeram uma lobbying enorme para convencer a Europa a desistir do sistema com argumentos que iam desde a possibilidade de o sistema vir a ser utilizado por terroristas até à redundância de um novo sistema quando já existe um. No entanto o que os EUA queriam e querem era manter o controlo completo sobre a navegação por satélite. Felizmente a UE e a ESA não cederam às pressões.

O Galileu terá ainda implicações na criação de novos empregos, estimando-se que venham a ser criados cerca de 100.000 postos de trabalho em aplicações do sistema às diversas indústrias.

De qualquer maneira já ganhavam demais (este país é uma trampa)

O Governo propõe-se aumentar os funcionário públicos uns estrondosos 1,5%. Eu acho bem, afinal eles provavelmente já ganhavam demais e hão-de sentir-se muito mais motivados a fazer um bom trabalho se tiverem aumentos inferiores à inflacção. Provavelmente até passam a ir a pé para casa e como chegam muito quentinhos do esforço até poupam no aquecimento, reduzindo assim o consumo energético e as importações de petróleo. O que ajuda a equilibrar a balança de importações. É só vantagens.

Coño, pues que si, que soy portugués (este país é uma trampa)

Mais um da série "Este país é uma trampa". Segundo o DN, cada vez mais mulheres portuguesas da raia alentejana vão ter as suas crianças em Espanha. Algumas utilizam-se de clínicas privadas a que têm direito através de seguros de saúde espanhois, outras de hospitais públicos. Mas a opinião destas mães parece ser unânime: os meios e o apoio médico disponível em Espanha são incomparavelmente superiores aos existentes em Portugal.

É interessante ver como Espanha e Portugal encaram de forma diferente as suas regiões do interior. É porque até prova em contrário, Badajoz é tão interior para os espanhois como Elvas o é para os portugueses. A diferença é que Espanha investe no seu interior enquanto Portugal desinveste. Mas tavez seja uma medida inteligente. Como somos pobrezinhos talvez faça mais sentido concentrar tudo no litoral para não dispersar recursos. E com sorte os espanhois compram umas coisas ali junto à fronteira e pode ser que façam lá alguma coisa de jeito.


Mulheres da raia alentejana preferem ter bebés em Espanha
no DN

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Este país é uma trampa (26)

Este país é uma trampa, por milhões de razões, sendo a que vou referir certamente uma das menos importantes. Mas é a que me está a enervar neste momento, por isso...

As pessoas que gostam de banda desenhada já analisaram bem como funciona o nosso país em termos de publicações de banda desenhada? É ou não é uma tristeza? Passo a descrever para quem não sabe.

Este país, não sei se por ser minúsculo, se por ser um país de gente pobre o com outras prioridades que não comprar BD, é um deserto em termos de publicações de BD. As grandes escolas de BD de qualidade, isto é, BD com boas histórias e bom traço, são basicamente três: a escola Norte-Americana, a escola Franco-Belga e a Japonesa. Depois existem outras fontes de BD, como o Brasil, mas que não me seduzem e vivem muito à custa do humor em formato tira de jornal como "Os Skrotinhos".

A BD norte-americana vive essencialmente à custa de dois tipos diferentes. Por um lado a BD de super-heróis, sendo as principais editoras a DC Comics e a Marvel, e por outro as BD humorísticas estilo tira de jornal como o Calvin. A DC e a Marvel primam mais pela quantidade que pela qualidade. Têm publicações mensais, que já coleccionei quando era miúdo e têm publicações mais esporádicas e mais cuidadas em formato de história completa. Em Portugal as edições Marvel e DC são publicadas com a mesma periodicidade que nos EUA e os fãs deste tipo de BD vão-se safando.

A escola japonesa na forma dos Manga tem pouca publicação em português mas a Fnac importa alguma Manga em francês e penso que existe uma ou outra loja especializada que também se dedica à importação deste tipo de BD.

Finalmente, a escola franco-belga, a minha preferida, historicamente tem bastantes albuns publicados em português, mas a cadência de publicação é muito reduzida. E vê-se um fenómeno tremendamente irritante que é publicarem um ou dois albuns de uma colecção e depois ter de se esperar tempos infindáveis por novos albuns. Tenho umas quatro colecções começadas mas que não avançam. E a coisa é tanto mais irritante quanto a Fnac importa as versões francesas, o que demonstra que os albuns estão a sair mas que as editoras portuguesas não os publicam. Se eu lesse em francês estava feliz da vida. Comprava os originais e borrifava-me para as versões portuguesas. Infelizmente não é o caso, por isso tenho de me resignar ao prolongado calendário das editoras portuguesas. Alternativamente podia tentar comprar as edições traduzidas para inglês, mas se adicionarmos os portes de correio, os preços são proibitivos.

Outro dos problemas que existe para quem gosta de BD é a fraqueza dos sítios na net dos editores.

A Meribérica-Liber, uma das editoras mais importantes do país, tem há anos e anos apenas uma página inicial em construção que não diz absolutamente nada. Antes ainda tinha uma daqueles sinais das obras agora é simplesmente uma página em branco. Há uns tempos correram informações de que esta editora estava perto da falência.

A Editorial Verbo tem a obra completa do Tintin e pouco mais de jeito, mas pelo menos dá para listar a colecção toda.

Depois temos a BookTree que editou uns albuns interessantes. O sítio desta editora é esteticamente muito pobre e falta-lhe um plano das próximas publicações. Mas pelo menos parece listar todos os albuns já publicados e oferece boa informação sobre estes.

A editora que tem o melhor sítio em Portugal é a Devir que actualmente publica a Marvel em português e daí talvez o seu sucesso mas que tem muito mais BD, incluindo brasileira e franco-belga.

Mas se quiserem ver como é que é um sítio a sério podem espreitar a Les Humanoides Associes editora francesa por exemplo da série "O Incal" e "A Casta dos Meta-Barões", ambas (lentamente) publicadas pela Meribérica-Liber. Só para terem uma ideia, o último album desta última série publicado em Portugal é o número 3 e foi publicado em 2000. Em França a Humanoides publicou o número 8 em 2004.

Entretanto encontrei um sítio sobre a BD em Portugal que embora seja muito fraco em termos gráficos tem muito informação e constitui uma boa base de pesquisa: BD Portugal.

Com o cabelo escorridinho

Estava a pensar no nojo que não devia ser uma visita à idade média, ou a outras épocas um pouco mais recentes em que os banhos diários eram um conceito desconhecido. Estou a imaginar toda a gente, dos mais pobres aos mais ricos a tresandarem a suor e com o cabelo escorridíssimo. A maioria das pessoas não deviam tomar banho até à hora da morte. O mais parecido que a maior parte das pessoas dessa época deve ter tido com um banho deve ter sido no dia em que nasceram que os limparam com um pano sujo para tirar a maior. E uma pessoa que nunca tivesse lavado o cabelo devia ter uma comichão horrível na cabeça. Acho eu.

As pessoas deviam cheirar tão mal que dias depois de morrerem os conhecidos ainda deviam ficar na dúvida se o morto estaria mesmo morto ou apenas particularmente mal cheiroso.

E pronto, estava há tanto tempo sem escrever que qualquer coisinha fútil é melhor que nada.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Um gajo morre

Imaginemos que os católicos e outros têm razão e que de facto vamos parar ao céu. Imagino que tenhamos a oportunidade de olhar para a nossa vida terrena e ver tudo o que fizemos nesta Terra. Já imaginaram o potencial que esta situação tem no que diz respeito a elaboração de estatísticas? Por exemplo. Hoje tive de ir a uma farmácia de serviço. Fui na carrinha da minha mulher que é a que está à frente. Pus em altos berros um disco da Madonna que ela lá tinha e lá fui a esticar a carrinha. Quando cheguei a casa fiz como costumo fazer e subi os cinco andares a pé em vez de utilizar o elevador. E então lembrei-me: vim a gastar gasóleo à parva, mas pelo menos poupei na electricidade do elevador. Retomando o pressuposto inicial, não seria interessante que postumamente pudéssemos quantificar o gasóleo e gasolina que gastámos em toda a nossa vida? De forma directa e indirecta. E quanta electricidade gastámos e quanta poupámos. E por exemplo saber o dia em que gastámos mais energia em toda a nossa vida. E será que conseguimos fazer essas contas de cabeça e instantaneamente ou teremos de utilizar uma máquina de calcular divina? Ou será que temos de Lhe pedir uma audiência para que nos esclareça? Nesse caso convinha apontar todas as perguntas que gostávamos de lhe colocar... espera, Ele é omnisciente, nem seria necessário colocar-lhe as perguntas. Provavelmente mal entrássemos na sala Ele começaria imediatamente a responder às nossas dúvidas mais intímas... mas vendo bem, sendo Ele também omnipresente é bem provável que não fosse necessário sequer marcar audiência. Será que sempre que tivéssemos dúvidas Ele aparece e nos responde? Instantaneamente? E partindo do princípio que no Paraíso ou no Céu ou lá o que é não temos frio, será que andamos nus? E somos anjos? Os anjos não têm sexo, certo? Será que os anjos são todos assexuados, género rapazes sem pila. Ou será que existem anjos com e sem mamas? E em princípio não teriam também nádegas. Será que têm todos o mesmo penteado? Será que têm traços distintos ou serão estilo clones? Ou se calhar nem têm forma corpórea. Era o que fazia mais sentido, acabava-se a discussão relativamente ao sexo. Uma névoa não tem forma. Lá estou eu a tender para representações com massa. Os anjos seriam provavelmente meras existências. Consciências autónomas, dispersas pelo tempo e pelo espaço. Com percepção de si próprias mas sem sensações terrenas. No fundo apenas colectoras de informação do passado e do presente. Do futuro? Teriam noção de conforto? Teriam fobias? Por exemplo, uma dessas consciências no espaço sideral poderia sentir agorafobia, medo dos espaços abertos? Uma coisa é certa: não teriam dores de costas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Benzós Deus, nem tudo está perdido

Os habitantes de Dover algures nos EUA votaram esta terça-feira (8 de Dez de 2005) contra a alteração do programa escolar que a direcção da escola local pretendia introduzir. A ideia era acrescentar ao programa uma teoria alternativa à da Evolução e que é designada por concepção inteligente. Dizem os defensores desta teoria que o universo é tão complexo que tem de ter sido criado por uma entidade superior. Género Deus.

Como o povo de Dover não foi na conversa, Pat Robertson, fundador da Coligação Cristã e da Christian Broadcasting Network, disse-lhes que se houvesse alguma catástrofe natural na zona que não fossem pedir ajuda a Deus, já que lhe tinham virado as costas. Valha-nos Deus tanta estupidez.


"Evangelist says voters reject God

A US Christian evangelist has told a Pennsylvania town not to ask for God's help if disaster strikes after it voted against teaching intelligent design.
"

in BBC News

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Como é que isto é possível?

Esta história dos tumultos em França é pura e simplesmente inconcebível. Como é que possível que noite após noite sejam incendiados centenas de carros sem que a polícia consiga fazer detenções de monta nem interromper o ciclo de violência?

Eu não conheço bem a França mas lembro-me de um filme que vi há uns anos que abordava a problemática dos bairros dos subúrbios, cheios de jovens emigrantes de segunda geração. Nestes bairros existe uma situação de paz podre ou de guerra não declarada em que os jovens vêem a polícia como inimiga e a polícia vê-os como uma cambada de inúteis que ou estão a roubar ou a drogar-se. E este clima, embora relatado num filme, deve ser o que ainda hoje reina neste tipo de bairros. Estes emigrantes de segunda geração, que afinal não são emigrantes coisa nenhuma, encontram-se num limbo de cidadania. Se por um lado nasceram em França e são cidadãos de pleno direito, por outro não se revêem na cultura de um país que os mantém em bairros dormitório, cinzentos e sem outros estímulos que não os da violência. Mas também não se vêm como cidadãos dos países de origem dos seus pais ou avós, países esses onde se calhar nunca puseram os pés. São como apátridas culturais que rejeitam o seu país, sentem uma atracção pelas suas origens, mas também não as compreendem de forma consequente. As taxas de sucesso escolar destes adolescentes são necessariamente baixas e as hipóteses de alguma vez abandonarem aqueles bairros são remotas. Estão assim presos numa realidade que odeiam e não concebem uma forma de lhe escapar. O Governo não encontra ou não procura formas de melhorar as perspectivas destas pessoas e elas próprias não são capazes de alterar a sua situação. É num clima deste género que a notícia de que dois jovens morreram electrocutados enquanto fugiam da polícia cai que nem uma bomba e dá origem aos primeiros tumultos.

Mas será que o facto de dois miúdos terem morrido a fugir à polícia, mas sem intervenção directa desta, pode justificar oito dias de tumultos? Eu acho que não. Parece-me que o que se passou é que o primeiro dia mostrou que é possível causar pânico e destruição sem consequências. Num estado de direito a polícia não pode simplesmente começar a disparar contra tudo o que se mexa. E para queimar um carro basta uma pessoa, o que aliado ao facto de que ser impossível ter 1 polícia a cada 10 metros, faz com que seja possível passear pelas cidades a incendiar carros uns a seguir aos outros sem que a polícia o possa evitar.

Apercebendo-se de que é possível cometer estes actos impunemente, estes jovens que viveram toda uma vida de exclusão e violência e não têm mecanismos morais que os controlem, repetem as acções de destruição noite após noite. A acirrá-los existe ainda o factor competição entre gangues. Se um destruiu 100 carros, o outro quer destruir 200. Acabou por se criar uma luta pelo poder que se baseia não no combate entre os gangues mas na afirmação do seu poderio pela destruição de carros, mobiliário urbano e neste momento até edifícios.

E tudo isto tem algum objectivo? Existe de facto algum protesto com exigências por trás de toda esta violência? Não me parece. Tudo isto me parece de uma irracionalidade talvez resultante da desumanização criada pelo modelo de bairros dormitórios, hoje já se percebeu que não funciona mas que ainda existe e não desaparecerá tão cedo.

Passeios espaciais



A New Scientist costuma ter uns artigos porreiros e encontrei este sobre um passeio espacial que está planeado para hoje às 14h30. Têm de fazer várias reparações e uma das que vão fazer é a remoção de uma sonda de flutuação potencial (Floating Potential Probe, era o que lá dizia, não me perguntem o que isso é) que já não funciona e está a ficar solta. Eles vão simplemesmente soltá-la e atirá-la na direcção da Terra. Dizem que daqui a 100 dias deve entrar na atmosfera, queimando-se completamente.

Ao ler isto surgem-me várias dúvidas. Por exemplo, qual é o tamanho máximo de um objecto para garantir que é completamente consumido na entrada na atmosfera? Depende certamente do material. Por exemplo, se estivermos a falar de diamante industrial, qual é o tamanho máximo que pode ter para termos a certeza de que se desintegra completamente e não acerta na cabeça de ninguém?

Outra dúvida: na entrada na atmosfera, as coisas entram em combustão devido ao atrito do objecto com a atmosfera, resultante das enormes velocidades a que estas entradas são feitas. Mas não é possível chegar à atmosfera a uma menor velocidade? Se o objecto estiver em órbita geo-estacionária e descesse de forma controlada não seria possível manter uma velocidade suficientemente reduzida para evitar todo aquele fogo-de-artifício? Possivelmente isso não é possível porque a energia necessária para controlar essa descida deve ser astronómica. Tenho de perguntar isto a alguém.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Vão por muito mau caminho

Um amigo enviou-me um artigo do Guardian Unlimited que fala de algo curioso que está acontecer nos dias de hoje. Os EUA estão a usar campos de prisioneiros em países do antigo bloco soviético para deter indefinidamente suspeitos de terrorismo por períodos indeterminados e sem qualquer contacto com o exterior, na maior parte das vezes em condições desumanas. Mas o melhor do artigo é a referência a um pedido ao Congresso feito por Dick Chenney, Vice-Presidente dos EUA e Peter Gross, director da CIA, para isentar a agência das leis que proibem o tratamento desumano e cruel de prisioneiros. Esta gente quer poder fazer tudo o que lhes der na gana a qualquer pessoa que os olhe de lado. Se não for terrorista, azar.

Isto representa uma ameaça à Democracia tão grande quanto o terrorismo.

"EU to investigate secret CIA jails

Staff and agencies
Thursday November 3, 2005

The European commission is to investigate claims the CIA is holding al-Qaida captives at Soviet era compounds in eastern Europe.

The detention centres are part of a global internment network that includes Guantánamo Bay, Cuba and the Bagram air base in Afghanistan, according to the Washington Post.
(continuar a ler)"

in Guardian Unlimited

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Queres doar esperma? Será boa ideia?

Encontrei esta notícia estonteante na New Scientist. Um rapaz de 15 anos que foi concebido por inseminação artificial com esperma doado anonimamente, conseguiu descobrir o pai utilizando um conjunto de empresas acessíveis pela net. Basicamente o miúdo enviou o seu próprio ADN para análise para uma empresa que faz estudos geneológicos. Com essa informação obteve um apelido de outros dois homens com um cromossoma Y que dava 50% de hipóteses de serem do mesmo pai. Com essa informação e mais algumas que a mãe tinha acerca do dador de esperma (o pai do puto), comprou a uma segunda empresa os nomes de outros homens com características semelhantes. Um deles tinha o mesmo apelido que ele tinha obtido inicialmente.

Esta história é assustadora e estonteante. Por um lado porque acaba com o mito do anonimato dos dadores de esperma. E por outro porque um rapazinho de 15 anos conseguiu ter o engenho para utilizar um conjunto de serviços disponíveis na net para, com algum dinheiro, identificar um entre os 125 milhões de homens que devem viver nos EUA.

E põe-se um conjunto de questões éticas relativamente ao anonimato dos dadores de esperma. Será que um homem que contribua para a geração de uma criança, ainda que de uma forma tão indirecta, tem o direito de exigir anonimato absoluto? Será que uma mulher tem o direito de conceber uma criança negando-lhe à partida um pai?

No Reino Unido já não existe a garantia de anonimato. E identidade dos dadores é guardada e pode ser revelada à criança a partir de determinada idade.

Eu nunca fiz tal doação, só mesmo sangue, mas imagino que alguém que vá a um desses serviços, vai lá com a ideia de ver uns filmes porno, bater uma e receber uns trocos. Acho que nunca mas nunca dispensará dois segundos ao resto do processo em que o seu esperma venha a ser utilizado. E a última coisa em que deve pensar será que eventualmente uma criança nascerá e que ele estará irremediável e indelevelmente ligado a essa criança através da sua herança genética.

"LATE last year, a 15-year-old boy rubbed a swab along the inside of his cheek, popped it into a vial and sent it off to an online genealogy DNA-testing service. But unlike most people who contact the service, he was not interested in sketching the far reaches of his family tree. His mother had conceived using donor sperm and he wanted to track down his genetic father. (continuar a ler)"

in New Scientist

Seguidores